Avaliação velopatóide: Barras, barrinhas, barritas, barróides, géls, géis e coiso da Prozis

Acompanhado pela Srª Velopata e Velopatazinho, o trio velopático seguia pelo corredor de uma grande superfície comercial dedicado aos produtos naturais e biológicos, suplementos alimentares, chop-chop saudável e vegetarianices em geral, quando no interior da sua mixórdia cerebral, o Velopata sentiu um chamamento nunca antes ouvisto.

“Aqui! Aqui! Estamos aqui! Leva-nos! Come-nos! Experimenta-nos!”

O Velopata observou a multicolorida prateleira à sua frente, não conseguindo ecolocalizar a proveniência do provocatório pedido. Apressado pela Srª Velopata, a rotina das compras seguiu-se mas não sem que o Velopata ficasse a matutar no sucedido, como quem matuta mesmo.

Dias depois, por razões que o Velopata já não recorda (talvez seja a PDI que começa a surtir os seus efeitos), durante uma ida à loja velocipédica no Centro do Universo Conhecido Velopático que é a G-Ride, conversava o Velopata com um dos muitos transeuntes habitués, quando novamente viu o seu cérebro acometido daquele estranho chamamento.

“Também estamos aqui! Vá, leva-nos e come-nos! Depressa, antes que esgotemos!”

Foi com um misto de emoções que o Velopata conseguiu finalmente ecolocalizar a proveniência de tão estranho pedido – o expositor de barras, barrinhas, barritas, barróides, géls, geís e coisos da… Prozis.

Muitos dos mui queridos leitores saberão que o Velopata nem é grande fã de barras, barrinhas, barritas, barróides, géls, géis e coisos das grandes marcas de suplementação que pululam pelo mercado, sendo ele próprio o Chef no que respeita à confeção das suas barras, barrinhas, barritas e barróides de energia, sempre capazes de safar aquela urgência energético-estomacal quando se pedalam longas horas pela serra algarvia, longe de nenhures. Já quanto aos géls, géis e coiso; o Velopata não é grande apreciador e não os consegue produzir pelos seus próprios meios, apesar da teimosia e insistência da Srª Velopata em como tal não será obstáculo à lista de maravilhosas proezas que a sua Bimby é capaz.

Mas a uns escassos 59 cêntimos por barra, barrinha, barrita ou barróide, sem dúvida que a Prozis parecia ter ali o que qualquer adepto das duas rodas sem motor entenderia como uma boa pechincha velocipédica.

Sempre disposto a experimentar, o Velopata acabou por deixar a G-Ride munido de um carregado saco de barras, barrinhas, barritas, barróides, géls, géis e coiso da Prozis.

Meses depois e aqui está ele, disposto a partilhar com a sua horda de milhares de milhões de fãs velopáticos, as suas impressões para com este produto que nenhum mafarrico de perna rija e depilada pode dispensar.

A Embalagem

Apenas um pensamento ocorre ao Velopata no que ao empacotamento da barra, barrinha, barrita ou barróide diz respeito – uma maravilha tecnológica!

Quando comparadas, as barras, barrinhas, barritas e barróides da Prozis destacam-se das restantes marcas do mercado pelo reduzido espaço que ocupam no interior dos bolsos da jersey, podendo facilmente transportar-se entre 6 a 8 barras, barrinhas, barritas e barróides num só bolso.

Sempre preocupados com os ferrenhos adeptos do peso velocipédico, os engenheiros da Prozis não deixaram as surpresas por pedais alheios, conseguindo produzir uma barra, barrinha, barrita ou barróide que pesa a subtil quantia de 20 gramas, indicada na embalagem. No entanto, verdade seja escrita, o Velopata decidiu verificar este peso e na sua hiper-mega-giga-ultra-calibrada balança, registou um valor de 20,01 gramas. Ao que tudo indica, esta diferença poderá advir de uma simples questão de calibração das balanças utilizadas, no entanto, a Prozis não deixa de apresentar um produto que se destaca por um peso muito inferior ao de outras marcas no mercado, marcas essas cujas barras, barrinhas, barritas e barróides chegam mesmo a rondar o absurdamente ridículo peso de 22 gramas, algumas chegando até às 22,5 gramas.

Mas como conseguiu a Prozis semelhante peso conservado em tão piquena embalagem?

O segredo, conseguiu apurar este vosso compincha do pedal, reside no material a partir do qual o invólucro encapsulante da barra, barrinha, barrita ou barróide, é produzido; um complexo polímero de molibdênio aglomerado por resinas de cromoly mantidas na sua forma hexagónico-tetraedal sob acção de nanopartículas de carbono de alto módulo HMF Factxpto. Segundo fontes próximas dos engenheiros da Prozis, esta nova liga de molibdênio/cromoly/carbono, permite aumentar a rigidez lateral de todo o pacote, evitando assim a quebra da barra, barrinha, barrita ou barróide em vários pedaços, tornando o seu consumo enquanto se pedala um acto simples, rápido e eficaz.

Uma outra importante característica deste já patenteado pacote é a sua capacidade térmica. Segundo testes efectuados nas mais variadas condições climatéricas; desde pedaladas no fresquinho do Ártico a umas voltas de Bêtêtê nas maiores fornalhas desérticas de África, a Prozis garante que a barra, barrinha, barrita ou barróide não derrete com temperaturas superiores a 45 ºC e muito menos fica rija que nem cornos a temperaturas inferiores a 10 ºC.

É ou não impressionante que tamanha inovação só ao nível do pacote possa custar uns míseros 59 cêntimos?

Mas se o querido leitor pensa que as surpresas que a Prozis reservou, no que à embalagem respeita, terminam por aqui, está redondamente enganado.

Um vasto número de extensivos testes executados no túnel de vento concluíu que esse mesmo complexo molibdênicocromolycarbonatado, apresenta uma redução do atrito aerodinâmico em mais de 20% em relação às restantes marcas no mercado. Encontramo-nos pois na presença de uma barra, barrinha, barrita ou barróide de energia que é aero e contribui para ganhos marginais ao nível do macrociclo da cadência da aerobiose do atleta.

Enquanto se pedala, abrir uma destas barras, barrinhas, barritas ou barróides da Prozis é relativamente fácil, residindo aqui um outro destaque em relação às restantes marcas do mercado que é a existência de uma bainha em titânio longitudinal ao pacote, aumentando o conforto da dentição enquanto se rasga o invólucro para aceder à referida barra, barrinha, barrita ou barróide. Ao contrário de outras barras, barrinhas, barritas e barróides existentes no mercado, cujas embalagens em plástico básico e sem qualquer tipo de brio empacotante, são dificílimos de abrir, certa vez chegando mesmo a suceder ao Velopata a quase asfixia com um pequeno pedaço do famigerado plástico após o invólucro ter sido rasgado à dentada.

O Conteúdo

Logo à primeira visualização da própria barra, barrinha, barrita ou barróide, as diferenças das restantes marcas do mercado saltam à vista mas, não querendo queimar etapas, vamos por partes.

Na confeção de tamanha iguaria velocipédica, os Chefs da Prozis recorreram a uma variedade de ingredientes criteriosamente seleccionados de modo a satisfazer as delícias de qualquer mitocôndria que se preze;

– Açúcar (o combustível muscular necessário ao desempenho velocipédico. Encontra-se presente em quantidades tais que basta a um diabético cheirar esta barra, barrinha, barrita ou barróide e é Urgências com ele, dado o inevitável choque hipoglicémico)

– Xarope de Oligofrutose (aquele açúcar naturalmente presente na fruta, infelizmente é um açúcar oligarca, preferindo o Velopata que tivessem recorrido a um açúcar democrata)

– Maltodextrina (sendo o Velopata canhoto, é óbvio que ele preferiria a utilização de Maltocanhotina, Maltoesquerdina ou até mesmo Maltoambidextrina mas enfim, é assim que a Prozis trata as minorias…)

– Proteína de Soja isolada (a Prozis a piscar o olho à malta vegetariana)

– Citratos de Potássio e Magnésio (os sempre importantes e indispensáveis iões, para manter o bom funcionamento do mesociclo da aerobiose da potência do lactato)

– Aroma (com este ingrediente é que lixaram o Velopata. Que muito googuelou mas não conseguiu perceber que raio de produto é este)

– Conservantes como ácido sórbico e sorbato de potássio (conservantes é fixe pois já o veterinário da Team Sky referia que todos os ciclistas deviam nutrir-se com base numa latinha de conservas diária)

– Ácido cítrico (funciona como acidificante que, segundo bibliografia disponível nesse mundo que é a internet, parece ter bons resultados ao nível dos apêndices capilares. Está visto que o grande Pantani e demais carecas que praticam o cycling, ou até mesmo outros desportos, mas menores, não recorrem à Prozis para suplementação)

– Infelizmente o Velopata não conseguiu descobrir qual o ingrediente adiccionado pelos Chefs da Prozis à barra, barrinha, barrita ou barróide, que lhe confere uma elasticidade tal que a primeira sensação quando se coloca uma no interior da boca é a de que se está a mascar uma chuinga. Ou chicla. Pastilha elástica. Coiso. A única opção que o Velopata equaciona será a presença do tal ingrediente de nome Aroma, a ser responsável por esta visco-elasticidade.

Sabendo a Prozis que também as papilas gustativas da troupe velocipédica deverão ser tidas em conta, os Chefs decidiram oferecer três diferentes escolhas de sabores; Morango com Amêndoa, Banana com Amêndoa e Cappuccino com Amêndoa.

Do ponto de vista velopático, a que melhor sabor apresenta é a última opção, Cappuccino com Amêndoa, tendo ainda aquele boost extra da cafeína, uma vez que esta a única barra, barrinha, barrita ou barróide que apresenta este que é um dos ingredientes mais ciclista-friendly. Aliás, é tão amigo, mas tão amigo, que a UCI (União Ciclísta Internacional), já pensa em a colocar na lista de substâncias proibidas.

Decerto que o querido leitor se questionará porque razão a Prozis terá optado por colocar amêndoa em todas as suas opções, e ainda duas versões com base em banana; segundo consta, a sede da marca fica localizada no arquipélago da Madeira e por lá não se consegue fazer nada sem que a mãezinha do CR7 não apareça logo a impingir bananas. Quanto à amêndoa em monte, a única explicação que ocorre ao Velopata reside na capacidade amêndoal de reduzir o mau castrol, fazendo maravilhas pelo coração, evitando assim a ocorrência de um fanico quando a pedalada aperta.

prozis2
Expositor da Prozis com as três variedades de barras, barrinhas, barritas e barróides à escolha do freguês. O leitor deve notar que no espaço ocupado por estas três variedades de caixas, só caberia meia caixa de barras, barrinhas, barritas e barróides das outras marcas presentes no mercado. Em suma, a Prozis é loja-friendly.

Com uma lista de ingredientes desta categoria, que mais se poderia pedir a uma barra, barrita, barrinha ou barróide que é capaz de distribuír 88 kcal pela musculatura velocipédica?

Dirão os mais acérrimos defensores de outras marcas no mercado, que 88 kcal por cada barra, barrinha, barrita ou barróide será insuficiente para as necessidades energéticas que a pedalada exige.

E é aqui que o Velopata tem de dar a manete à palmatória.

Verdade seja escrita, esta não é uma barra, barrinha, barrita ou barróide capaz de eliminar a famigerada larica que pode decorrer de uns largos quilómetros de pedalada. De modo algum estas Prozis são capazes de saciar a negra fome. Na humilde mas experiente opinião velopática, estas barras, barrinhas, barritas ou barróides têm o seu lugar velocipédico, como por exemplo; aquando da participação num granfondue, ou naquela volta curta com os amigos ressabiados onde se discute sempre quem será o primeiro a chegar ao tasco na serra, em treinos curtos na casa dos cento-e-pouco quilómetros ou mesmo quando se procura uma ponta final de energia ao surgir aquela montanha no horizonte. Também para o batraquiame estas barras, barrinhas, barritas e barróides parecem ser indicadas, dadas as curtas distâncias que a malta anfíbia pedala.

Parece ao Velopata que a Prozis acertou na mouche, com uma barra, barrinha, barrita ou barróide bastante barata, nutricionalmente porreira e energética q.b..

Aliás, é uma barra, barrinha, barrita e barróide tão barata que sempre que o trio velopático vai às compras, o Velopata aproveita e enfia umas quantas no carrinho de compras, sem grandes objeções da Srª Velopata. O que não é nada normal.

Quanto aos géls,géis e coiso, o Velopata não é fã de semelhante suplemento velocipédico pois segundo reza a bibliografia googueliana, o simples acto de mascar comunica ao estômago que vai chop-chop a caminho que, por sua vez, indica ao cérebro que a fome será saciada.

Talvez com a idade e a consequente perda de dentição, o Velopata se sinta mais inclinado a recorrer a géls, géis e coiso mas, até lá, ele vai-se ficar pelas barras. Ou barrinhas. Barritas. Barróides. De energia. Coiso.

 

Abraços velocipédicos,

Velopata

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