Em Outubro, Cóvides tudo

Em antes de arrancar com mais um arranhar de teclas dedicado à nobre elite strávica que é a Divisão Velopata, ele (o Velopata), sente que é importante deixar aqui uma nota – não deveis esquecer que ele (o Velopata), é licenciado em Biologia (com boas notas e tudo!), logo… Até tem umas noçõezitas de Virologia e sistemas biológicos.

A verdade é dura e crua – o Velopata tem tentado não escrevinhar aqui seus devaneios maionésicos dedicados a esse falgelo dos Cóvides pois sabe que muitos por entre seus milhares de milhões de leitores e seguidores e fãs e coiso, todas as semanas apreciam o clique nesta ligação como escape das entediantes garras do quotidiano.

Só que isto chegou a um ponto que não dá mais.

A epifania, daquelas como já estais mais que habituados, acometeu o Velopata durante este último fim de semana de festividades pagãs, que vós reconhecereis como Dia das Bruxas. Ou Halloween, em anglosaxocamónico.

E em antes que venham daí com a absurda teoria qu´isto é importação amaricana e do Demo e coiso, lembrai-vos que;

  • esta é uma festividade dedicada ao ciclo do Sol, marcando o final do Verão e início do Inverno (com a qual os Ciclistas se deviam identificar – marca o arrumar no baú das licras leves e fresquinhas para substituir pelos manguitos, pernitos (que devem ser utilizados nesta ordem – nada faz mais confusão ao Velopata que ver um Ciclista envergando pernitos mas sem nada a proteger os braços… Só dá vontade de enfiar um pau no meio dos raios da roda da frente durante um sinuosa descida!), e posteriormente aquelas calças de forro felpudinho e os grandes casacões que nos fazem parecer hamsters a amealhar pançadas para o inverno);
  • como se não fosse razão mais que suficiente para Ciclistas se identificarem, lembrai-vos que para muitos, esta data marca o início da Fora de Época (Off Season, em anglosaxócamónico), que é como quem escreve, Época de Engorda;
  • esta é uma festividade já arqueológicamente comprovada em como praticada desde os tempos do Neolítico (aquela era da bicharada humana em antes do Paleolítico – quando a Agricultura e Pecuária se difundiram e começámos a dar cabo disto tudo);
  • se com o aparecer da Igreja Pedófi… Perdão, Católica se criou também o conceito do Demo… Como podiam os bichos humanos das sociedades pré-católicas adorar uma coisa que desconheciam a existência? Ou afinal… O Sol, a Lua e a Natureza são o Demo?;
  • qualquer desculpa é boa para beber canecos e comer castanhas. Ponto final parágrafo.
  • até porque além de Velopata, ele é… Castanhopata. Assadas no forno. Com uma pitada de sal e acompanhadas com uma gotinha de manteiga que nos entretantos começa a derreter e… Adeus dieta e toca de abraçar o sofrimento gravitacional de qualquer subida com inclinação superior a 0,000005%.

Ainda nem o primeiro tambôr xamânico se ouvistava pela vizinhança velopatóide, o primeiro copo era emborcado ou a primeira castanha era descascada e degustada e já o Velopata dava por si acometido de uma neurose daquelas.

Planos de uma Velopatada por trilhos de Monchique com a Srª Velopata, Velopatazinho, cunhados e sobrinhos velopáticos, onde inclusivé apanhariam castanhas que degustariam na jantarada dessa mesma festiva noite… Iam ralo abaixo qual maglia rosa de João Almeida no Stelvio.

À última hora, o (des)governo alembrava-se de proibir a circulação entre concelhos, assim impedindo não apenas a deslocação até Monchique como castrando mesmo as idéias de jantarada e copofonia com cunhados e sobrinhos pois seu lar localiza-se no concelho vizinho.

Uma bela patacoada é o que é.

Claro que com todas estas vicissitudes técnico-tácticas, restava a idéia de uma pedalada épica para marcar as festividades mas… Lá está, o concelho.

Houve ainda os que sugeriram ao Velopata uma espécie de Volta ao Concelho, desconhecendo que Faro não tem assim tantos códigos postais e cujas estradas encontram-se sempre atafulhadas de enlatados portantos, passar uma festiva pedalada constantemente acossado pelo vil jugo opressor tirânico do enlatado era coisa que não assistia o Velopata. Isto para não escrever que tal Volta ao Concelho apresentava uma elevada probabilidade de ver o Velopata ser contemplado com uma estadia de vários dias em regime de Tudo Incluído nas Urgências.

Com esta “pequena” introdução feita, chegamos ao que nos traz aqui hoje (umas linhas abaixo e já regressaremos ao epifânico ponto acima).

Afinal… Mas que patacoada de pandemia é esta?

Ainda se fosse um ébolazinho… Prontos, um moçe até entende – ninguém quer sair do conforto do lar arriscando contraír um vírus que nos faz falecer afogado nas próprias fezes e intestinos e tripas e coiso.

Zombies? Seria muito mais divertido.

Uma invasão alienígena? Nós temos um Trump e os amaricanos.

Agora um vírus que aí em 99,99% dos casos pouco ou nada mais faz que uma gripézinha, já dizia Bolsonabo e a questão não pode senão alevantar-se– mas que patacoada de pandemia é esta?

Desde que o primeiro moçe português foi cóvidado, corria Março deste almariado ano de Nosso Senhor Joaquim Agostinho de 2020, e Portugal regista, mais coisa, menos coisa, 150 mil infectados.

Sabem o que são 150 mil moçes e moças juntos?

O antigo Estádio da Luz, lar do Ésseélebê e cuja maior enchente registada foram 127 mil adeptos desse desporto menor da bola.

150 mil bichos humanos juntos é, mais mil, menos mil, mais ou menos isto.

Numa população que ronda os 11 milhões… Parece muito?

Mas que patacoada de pandemia é esta?

– Ah, ó Velopata mas e se fosse um familiar teu?

Tendo em conta que a maior percentagem de finados por cóvides se concentra em idades geriátricas… Parece que já todos esqueceram as amenas cavaqueiras que são os funerais de nossos bisavós, tetravós e quadravós e por aí fora.

Depois é aquela lenga-lenga do “Colapso do Serviço Nacional de Saúde”.

E notai que o Velopata nem se vai aqui alongar sobre o facto de não obrigarem os privados a meter a mão na massa. Ou vá, nos cóvides.

Se 800 bichos humanos cheios do cóvide e internados nos hospitais (nunca esquecendo todos os outros que lá vão parar, se é que ainda os há…), podem provocar o colapso dos serviços hospitalares deste pequeno mais ou menos rectângulo à beira-mar mal plantado com eucaliptos em monte, então parece ao Velopata que o problema aqui é outro.

Pois não é uma questão de “se” é mais “quando” tivermos outra catástrofe como o terramoto e consequente marremoto de 1755… Quereis imaginar o que acontecerá quando não tivermos 800 bichos humanos para internar e sim aí 1 milhão (ou mais), tugas a necessitar de cuidados médicos?

Não interpretem mal o Velopata.

Ele não é um negacionista dos cóvides.

Eles andem aí e todas as cautelas são poucas – higienizem as mãos, utilizem máscaras, os Ciclistas devem continuar depilando as pernas, atenção aos contactos com grupos de risco e não esqueçam a higienização das partes baixas mas quer-se dizer, fechar tudo e impedir tudo e mais alguma coisa também não parece ao Velopata ser a solução.

É que se não falecermos da doença… Vai tudo falecer da cura. Ou pior – vai tudo lentamente enlouquecer (ainda mais), até falecer da cura.

Outra coisa que tudo isto tem comprovado é a incompetência de quem nos (des)governa. Terá algum tipo de sentido proibir as feiras e mercados, que até são maioritariamente realizadas ao ar livre, enquanto as grandes superfícies comerciais podem continuar atafulhadas em bicharada humana? Fechar os baloiços e escorregas dos parques infantis enquanto todos sabemos as voltas de boca em boca que as chuchas dão nas creches e infectários?

Regressemos então ao fim de semana das festividades pagãs, agora Domingo, dia 1 de Novembro deste xarengado ano de Nosso Senhor Joaquim Agostinho de 2020.

Talvez fosse da ressaca quiçá do resfolegar estomacal após consumo de tanta castanha na véspera – quando o Velopata abriu seu feed strávico, nem s´acarditava no que seus bonitos olhos castanho-esverdeado ouvistavam.

Ele era Ciclistas algarvios a pedalar por reinos alentejanos. Ciclistas alentejanos que pedalavam por reinos algarvios. Ciclistas que atravessavam o país em longas distâncias. Ciclistas de todos os lados e mais algum a pedalar por todos os lados e mais algum.

E outros, os “pacóvios” cumpridores da Lei… Fechados em seus lares, amaldiçoando (des)governos e cóvides.

Ma´ ´tá tudo gazeade?

A epifania atingiu o Velopata enquanto ele descarregava os digeridos restos do manjar de castanhas da noite anterior em seu trono (e aquele volume abdominal que não reduzia…).

Pelo menos até Janeiro do ano de Nosso Senhor Joaquim Agostinho de 2021, considerem toda a Divisão Velopata e respectivos prémios e jerseys e coiso… Cancelados.

Não há cá pão… Ou vá, carbono para malucos.

Agora é acender umas velinhas de tofu, queimar uns incensos de seitan e rezar a todos os santinhos velocipédicos para que 2021 não seja mais disto.

Que, não esquecendo que o Tour Lá Debaixo (Tour Down Under, em anglosaxócamónico), também já se finou, cada vez mais começa a parecer ao Velopata que… Nem com uma vacina e cura e coiso… Isto vai lá.

É que este Terceiro Calhau a contar do Sol pós-cóvides parece muito pior que o outro. Só que com mais ciclovias.

Abraços (com máscara e à devida distância higiénica) velocipédicos,

Velopata

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