Em terra de enlatado, quem tem Jerrican é Rei

– Onde é que estás? – do outro lado do telefone esperto, a voz da Srª Velopata transparecia preocupação.

– Uai? Em que outro local ele poderia estar? No Supermercado!

– O que é que estás a fazer no Supermercado? Deixei-te em casa febril, às portas da morte e ai, ui vou morrer. Chego do trabalho e tu… Estás no Supermercado?

– Haveis visto as notícias? – notou o Velopata.

– Do quê?

– As da Greve dos moçes dos enlatados que transportam mercadoria perigosa.

– O que tem?

– O que tem? Uai? O que tem?

– A rede não está boa, estou a ouvir-te com eco.

– Só brincais porque como não tendes um Facebook sois uma infoexcluída. Por isso desconheceis o grave perigo que corremos.

– Por causa disto da gasolina?

– Disto da gasolina?!?! Disto da gasolina?!?! Como podes sequer…

– Olha, lá está o eco esquisito outra vez.

– Srª Velopata. – o Velopata concentrou-se, clamando pela atenção total da Srª Velopata nesta hora mais negra.

– Não me chames isso.

– É para efeitos de blog, mas atentai. Estais escutando com atenção?

– Vais-me dar seca disto da gasolina.

– Marcai bem as palavras velopáticas. Isto é só o início.

– Deixa-me adivinhar. É o início da tua revolução velocipédica, é agora que a gasolina vai faltar e vão todos ter a tua epifania das bicicletas. É isso?

– Não, é o início do fim de Portugal e do mundo como o conhecemos. É a gota de água num copo que já tudo tinha para transbordar, só que a gota é de petróleo. E o copo é de petróleo. É tudo de petróleo e coiso. Foi por isso que ele se fez um Homem, tentou domar a virulenta gripe masculina que o acometia e acorreu ao Supermercado para deixar sua família preparada e fortalecida com os mais importantes víveres que escassearão na dura jornada civilizacional que se avizinha. Eles correm todos para aquela cena profana da bomba de combustível, não sabendo que correm em direção errada! Devias agradecer por teres um Velopata na tua vida, sempre a pensar uma pedalada à frente.

– O que é que tu foste comprar?

– Cerveja!

– Cerveja?

– Sim. Cerveja.

– Ok, estou preocupada e vou já para aí.

– Sim, até porque dava jeito mais uma mão para o terceiro car… Carri… Cena para o transporte de… Tu sabes, produtos e coisas.

– Terceiro carrinho?

– Sim! Não é lindo? Não há limite para isso, podeis levar os que quiserdes.

– Olha, repara que não te estou a dizer que não mas… Já pagáste?

– Hã?

– Já pagáste?

– Hã?

– Já pagáste?

– Tendes razão, o telefone esperto está com um eco esquisito está… – o contra-ataque velopático em cadência tardou mas não falhou.

– Ainda bem. Não pagues já que não tarda nada estou aí contigo e aproveitamos para trazer mais umas coisas que me faltam, pode ser?

– Vem depressa, não vai ser fácil passar pela confusão mas acho que ele consegue sacar mais um ca… Carr…

– Carrinho. Mas sim, diz-me só uma coisa antes para ir precavida. Porquê cerveja?

– Cerveja!

– Sim, o que tem a cerveja?

– Vai ser a primeira coisa a extinguir-se a seguir ao combustível. E ao Jerrican. Se eles não transportam gasolina que é inflamável, também não transportam álcool, certo? Deixa só as pessoas perceberem isso e vais ver. Quando a média, a min, o tintol, o uísque e o vinho de pacote, até mesmo daquele para temperar receitas, escassearem,  é dado o mote, o sinal que o apocalipse vai começar. A terra jorrará sangue e cerveja.

– Tu és cá um exagerado. Isso é tudo por causa da greve lá dos motoristas de mercadorias perigosas?

– Dizeis isso porque não haveis ouvisto o que os olhos velopáticos foram forçados a ver. Aquela imagem que um Velopata febril, entupido até à mais ínfima partícula subatómica numa torrente de muco sem fim, jamais esquecerá. Foi na CMTv. Filas e filas de enlatados pelas profanas bombas de combustível por todo o país. O caos instalado. Filas e horas, segundas filas e ainda mais horas de filas sobre filas de espera. Gente a vender Jerricans de combustível a preços colossais na internet. O Bitcoin está obsoleto, chegou a hora do Jerrican. Percebes a gravidade? O retrocesso civilizacional? O poço sem fundo no qual batemos?

– Como é que podes bater no fundo de um poço que não tem fundo? – inquiriu a Srª Velopata.

-Hã?

– Já estiveste a beber?

– Isto é só uma questão de tempo.

– É só uma questão de tempo até a cerveja e o Brofen que te deixei para tomares baterem juntos é?

– Não, é um mísero salto para a humanidade; a sinuosa descida até aquele momento em que alguém faz algo estúpido e não existirá maneira de volta atrás. Um Pai dedicado aguarda a sua vez de atestar o depósito durante os dias da Grande Crise Energética, sua pressa exponenciada pelo filho doente que no enlatado aguarda transporte hospitalar urgente mas que nunca chegará porque há muito que o combustível já não chega às Forças da Saúde.

Na frente do Pai impaciente, frenético e já para além do nervoso, um moçe “garganeiro”, “ordinário” e “lambão”, como posteriormente ficará reconhecido no vídeo viral que circulou, lambuza-se à grande e à avec com o depósito do seu enlatado de caixa aberta onde o que não faltam são Jerricans e Jerricans vazios, esperando sua vez.

E o “porco” não cede uma pinguinha de combustível ao desesperado Pai que tem seu petiz entre a vida e a morte.

E só quando a traseira daquele enlatado de caixa aberta aparentava ser os Himalais dos Jerricans cheios de combustível, aquela “desculpa de gente” cedeu a vez ao Pai.

Já os contentores estavam depletados e o caixa sinalizava mais uma precoce morte de um profano posto de combustível, último reduto da fúria egocêntrica do Jerrican.

E o petiz falece no interior do enlatado do Pai.

E o Pai perde a cabeça.

Não literalmente.

O literalmente encontra-se reservado ao condutor do enlatado de caixa aberta.

E todos os que assistiram à situação, na realidade e no vídeo viral que deflagrou na internet, criarão a mais importante clivagem da história da sociedade portuguesa; os ofendidos com o Pai que não se chegou à frente e fez justiça pelas próprias mãos, os ofendidos com a bomba de combustível porque não interviu como entidade reguladora do conflito e ainda os ofendidos com o INEM.

Porque nos entretantos chega a reportagem dos Sexta às Nove que conta a triste história do petiz que faleceu no enlatado em espera não porque o INEM não fosse detentor de combustível para assegurar o seu transporte hospitalar mas porque as últimas réstias de combustível ainda disponíveis para as Forças da Saúde são reservadas para casos de extrema urgência e nesse mesmo dia, um sobrinho de um primo de um tio de um cunhado de alguém lá no poleiro passava férias no monte alentejano quando espetou uma farpa de madeira no dedo, sendo assim considerado prioritário.

E todos se passam,

A furiosa horda que se juntará será imparável, implacável.

O Pai crucifica o “chauvinista” nos preçários da última bomba de combustível quando a pilhagem começa. O enlatado carregado de Jerricans quase é vaporizado no motim. Jerricans voam e desaparecem. O pobre caixa é deixado nu e violentado na nojenta casa de banho da estação de serviço.

Em antes que a Polícia realize sua complicada intervenção, o impensável acontece.

Irrompem notícias da capital; uma trotinete atropela uma velhinha e o seu caniche.

E é escandaleira nacional.

Principalmente quando o caniche falece.

A velha safa-se sem um arranhão.

A morte daquele caniche pelo trotinetista em fuga é o ponto ignitório que faltava e as massas e a bomba de combustível explodem num glorioso e inesquecível espectáulo de fogo de artifício só que com enlatados voadores e em chamas.

Milhares de milhões morrem.

Das vazias tetas profanas das bombas de combustível, os motins, os tumultos, a guerra civil eclode à medida que mais e mais portugueses percebem que não existe maneira de voltar atrás no tempo – só os Jerricans que não foram queimados subsistem. Explodem bombas de combustível, explodem Supermercados, a Polícia não consegue dar conta do recado quando há muito já perderam sua mobilidade sem acesso assegurado a Jerricans. Bancos resgatados e ainda por resgatar reclamam da moeda de troca não mais ser o euro e sim o Jerrican. Bancos são invadidos, banqueiros são sodomizados e depois crucificados.

E só tardiamente será redigida a primeira Lei da Grande Proibição.

É proibido deter em sua posse ou utilizar para qualquer outro fim, esse malogrado tupperware de grandes dimensões adequado ao transporte de mais ou menos líquidos que é… O Jerrican.

Claro que serão inúmeras as discussões políticas levadas a cabo em sede de Parlamento e Conselhos de Ministros e coiso porque afinal, o que é um Jerrican? O que define o Jerrican? Não terá já o Jerrican adquirido uma espécie de consciência colectiva e coiso?

Ocupados com estas e outras questões, os políticos ignoram a violência que alastra nas ruas. E tanto horror de uma Crise Energética nunca antes ouvista no mundo e talvez até na Europa, inevitavelmente leva a um exponencial aumento de um já sobre lotado, entupido e transbordado Sistema de Saúde.

Até que se descobre a reportagem de Ana Leal e a sua TVI24.

Sobre um Enfermeiro que justamente quando toda a sua dedicação a ajudar o próximo e coiso seria colocada ao limite… Deixou-se filmar a pedalar na serra, inclusivé parando com os amigos no solarengo tasco sobrevivente dos motins, onde aproveitaram para se refrescar naquela que ele reconhece como única pausa semanal.

E é um escândalo.

“O Egoísmo desta gente que se diz Profissional de Saúde…” – ofendiam-se uns no reino facebookiano.

“A CULPA É DOS CICLISTAS!” – bradarão outros a pleno Caps Lock.

Do mapa português, a horda enraivecida arrasa os Hospitais.

Só não se notará a Ala Pediátrica do Hospital de São João. Em antes ou mesmo depois da furiosa horda lá passar e incendiar os contentores. Não se notam diferenças significativas.

Enfermeiros são crucificados, enfermeiras são violadas mas ninguém é condenado porque um exército de Netos de Moura tudo absolvem pois não é nada bíblico as enfermeiras vestirem aquelas batas sexys e provocadoras, recomendando a burca às queixosas, Médicos são empalados e o Sistema de Saúde colapsa.

A tempestade perfeita condensa.

O Benfica perde o campeonato, o Game of Thrones termina terrivelmente mal, afinal tudo não passou de um delírio de vários membros de uma Casa de Repouso para adeptos do Cosplay sendo que os White Walkers eram os enfermeiros com sua magia negra e gelada que é o medicamento.

O Estádio do Benfica é pulverizado, todas as instalações da MEO são vandalizadas e qualificadas como “edifício devoluto”.

E é quando as ruas de Portugal, graças ao brilhante trabalho do Ministro do Turismo e coiso, apesar de não mais seguras para (sobre(viver, forem seleccionadas para as filmagens da última temporada do The Walking Dead e um novo remake do remake da continuação do remake da nova versão do Mad Max, o último acto de terror terá lugar.

A limpeza social.

A mansão de Ricardo Salgado é invadida por uma furiosa multidão de lesados do BES que se organizam em vários turnos de sodomização ao Dono Disto Tudo. Carlos Cruz é encontrado suicidado com um infindável número de peluches da Bota Botilde violentamente colocados em todas as suas cavidades corporais. O Neto de Moura é forçado a percorrer a Mítica Estrada Nacional 2 em modo peregrino, envergando apenas ousada lingerie feminina e calçando saltos agulha. É avançado pelas autoridades que a investigação ao seu desaparecimento parece apontar para um camionista desesperado por carinho.

Sem combustível, as ruas cada vez mais parecendo saídas de um qualquer pesadelo conjurado no lado mais negro de Madeira Sagrada (Hollywood, em cámone), os Serviços começam o seu lento colapso.

Falta água.

Grandes apagões nocturnos.

Os motins alastram a uma velocidade voraz, veloz e furiosa.

Alguém filma e publica vídeos de um Ciclista português pedalando em sentido contrário, justamente quando tinha uma gloriosa Ciclovia do correto lado do alcatrão, sendo o destaque da filmagem quando este atira um bidon cheio de água para longe, tratando como lixo o precioso líquido essencial à vida, um atentado e afronta e coiso do desperdiçismo.

“Tanta gente a morrer à sede e deitam água fora! Tende vergonha! – berram os habitantes do reino das caixas de comentários.

“A CULPA É DOS CICLISTAS!” – como de costume, os do costume berram full Caps Lock.

E é escandaleira nacional.

Justamente quando a Bicicleta aparecia timidamente pelas intenções de alguns portugueses, os fatídicos acontecimentos levavam os bichos humanos a voltar atrás.

Pedalar ou mesmo “andar de Bicicleta” tornou-se perigoso.

Ciclistas foram encontrados crucificados à entrada dos principais centros urbanos do país mas as autoridades recusam confirmar que se trata da primeira grande limpeza étnica a ocorrer em solo lusitano.

Trotinetistas são encontrados afogados enquanto acorrentados a suas trotinetes afundadas em rios e riachos, patinadores em linha desaparecem sem deixar rasto ou pistas, famílias são destruídas.

Mas quanto toda a esperança parecia perdida, uma voz se ergueu.

Com o efeito manada desaustinada, tudo correu a votar neles.

– Vão votar em quem? – inquiriu a voz da Srª Velopata.

– Ainda estais aí ouvindo?

– Prefiro ir mantendo contacto de voz.

– Mas… Atentai! Não estais conduzindo? Estais usando o telefone esperto enquanto conduzis?

– E então?

– A vergonha alheia de um Velopata!

– Não sejas parvo. Está em alta voz. Onde é que estás?

– Sabes, este deve ser um dos raros momentos em que um Velopata até que mais ou menos se sente feliz no meio de tanto enlatado.

– Onde é que tu estás?

– No corredor das conservas. Nunca pensei que a conserva de atum pudesse ser dotada de um enlatado tão bonito.

– Eu devia gravar essa frase e depois mostrar na net aos teus amigos. – a Srª Velopata sempre reiterando que é exímia em andar na roda.

conserva
O mais bonito enlatado alguma vez ouvisto por um Velopata.

– Então mas explica-me lá uma coisa. Se nesse teu filme vamos todos morrer, para que queres tu tanta cerveja? – inquiriu a Srª Velopata.

– Bebe e esquecerás, diziam os antigos.

– Hã?

– Porque quando o Partido Popular Monárquico Nacional-Socialista Democrático do Jerrican chegar ao poder, os dias de um Velopata a pedalar pelo alcatrão estarão contados.

Vai ser pior que a Lei da Sharia Twain ou lá o qué dos árabes.

Todo e qualquer cidadão que se faça deslocar em qualquer outro meio de transporte que não movido a combustível proveniente de Jerrican, será terminantemente processado e eliminado.

Claro que o mercado negro do conteúdo do Jerrican estará ao rubro, chegando a existir registos de quem tenha vendido e mesmo adquirido gasolina homeopática.

Cantam sua própria religião, venerando míticas personas do mito enlatado como o Apóstolo Paul Walker ou Santo James Dean.

Tempos negros medievais se abatem sobre um Velopata, e ainda questionas porque um Homem bebe? – Velopata com novo ataque em cadência.

– Achas mesmo que o P.P.M.N.D.S.J. chega ao poder? – inquiriu a Srª Velopata.

– Hã? Quem são esses?

– O partido que ganha as eleições do teu filme.

– Ah, não foi esse que ele disse. Ele disse P.P.M.N.S.D.J.

– Tendes a certeza?

– Sim, P.P.M.N.S.D.J. Partido Popular Monárquico Nacional-Socialista Democrático do Jerrican.

– Ah! Pensei que fosse o P.P.M.N.D.S.J., o Partido Popular Monárquico Nacional Democrático Socialista do Jerrican.

– Não, não! É o P.P.M.N.S.D.J. mesmo. Partido Popular Monárquico Nacional-Socialista Democrático do Jerrican, é assim é que é.

– Ainda bem que estamos esclarecidos.

– Hã? Bem, não interessa muito se é o P.P.M.N.D.S.J. ou o P.P.M.N.S.D.J., quando se apanham no poleiro, é verdade que morre muito Ciclista, Trotinetista, mas as hostes continuam famintas agora que a parca comida que restava terminou, últimas gotas de água correram nos últimos Jerricans, últimos enlatados pagaram seu dístico da EMEL.

E foi aqui que o P.P.M.N.S.D.J. meteu a pata na poça.

Quiseram continuar a cobrar as multas de estancionamento indevido e abusivo aos pobres que haviam abandonado suas latas para trás e fugido aquando do tombo de Lisboa.

A EMEL continuava a facturar da desgraça alheia com o aval do Governo!

Escandaleira nacional.

Agravada em mais quando uma investigação do jornal O Expresso revela que o Ministro do P.P.M.N.S.D.J., acérrimo defensor da Fé Enlatada, tem dinheiro investido e é sócio maioritário numa grande unidade fabril que colabora com a… Specialicoiso.

O Parlamento é invadido, membros do P.P.M.N.S.D.J. são vexados e linchados em praça pública, um horripilante evento que ficou conhecido como O Massacre Sem Lubrificante Da Noite Dos Espigões De Selim De Carbono De Alto Módulo.

E é com o país na iminência do último e garantido passo dado rumo à aniquilação que… Alguém decide não lançar água na fervura… Mas sim uma Bomba Atómica.

Metafórica.

Em primeira mão, a CMTv mostra aos restos moribundos de um indignado país, a última acendalha que faltava – um vídeo viral onde um cidadão deficiente em cadeira de rodas, não consegue passar um cruzamento pedonal devido a uma Bicicleta presa a um poste.

Apoteose da escandaleira nacional.

Nada fica de pé.

Um país inteiro galvanizado de raiva e ódio.

Uma investigação do Wikileaks revela que grandes conglomerados económicos estrangeiros lá de fora, aliando-se à causa do P.P.M.N.S.D.J. já finalizaram as obras das estações exploradoras de petróleo na costa algarvia e alentejana.

O copo transbordou.

A última gota de credibiliosidade política havia-se esfumado.

Os motins e as pilhagens que as estações petrolíferas sofreram originaram um dos maiores derrames registados na história deste Terceiro Calhau a contar do Sol. Mesmo à beira do abismo, certos do passo em frente que é necessário dar, os portugueses continuavam a bater recordes.

Com tanto petróleo conspurcado pela água salgada, um dia, algum desgraçado lá foi tentar fumar um cigarro às escondidas na praia e…

A explosão foi observada da Estação Espacial Internacional a olho nú.

 

O Velopata acordou encharcado, não de súores frios mas sim de muita baba escorrendo pela almofada devido ao seu brutal entupimento e congestão das vias nasais, no vulgo, aeropenca.

Na CMTv continuava o matraquear das bocas dos repórteres enquanto desfilavam por entre as filas e segundas filas de enlatados em pânico.

Com algum esforço, o Velopata alevantou-se e dirigiu-se ao frigorífico.

Nem uma única cerveja esquecida.

Comiserado, o Velopata regressou ao sofá onde pode ver como o fim do mundo estava prestes a começar para os lados das refinarias de Matosinhos e Sines.

E ele ali, sozinho diante da CMTv sem uma única cerveja para acompanhar.

Podiam muito bem ter combinado o início do fim para uma semana depois. É que isto assim mais não era que atrapalhar a Páscoa às pessoas. Teria sido tudo muito melhor na semana seguinte, onde se festeja o 25 de Abril Sempre!, atribuíndo assim todo um novo e bonito significado à palavra LIBERDADE.

 

Abraços velocipédicos,

Velopata

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