Divisão Velopata – A P.G.G.C.M.I.P.V. e o final de 2018

Retribuição.

Substantivo Feminino.

Acto, processo ou efeito de retribuir.

Recompensa pecuniária por trabalho ou serviços prestados.

Pode ser utilizado como sinónimo de Salário, Prémio, Galardão ou AGRADECIMENTO.

in Diccionário Priberam de Português.

 

Um Velopata, um Agente da Autoridade Anónimo, um Neves Zé das Bikes, um Lorde Barbudo Refilão e um Commuter Alucinado em modo Cicloturista entram pela porta do Germano BiciArte Café.

Isto podia muito bem ser o início de uma apoteótica anedota das que alevantam anfiteatros inteiros em ovações de pé mas, neste caso concreto, parafraseando os Bee Gees ou mesmo numa versão mais próxima do requintado gosto velopático, os Fé Nunca Mais (Faith No More, em cámone, o que funciona como uma piada-shampoo, ou seja é piada dois em um e que o mui querido leitor entenderá à medida que os seus olhos percorrerem o texto que se segue), o Velopata só tardiamente percebeu que a piada era sobre ele.

À semelhança do outro, cujos sonhos davam direito a fugachadas na cabeça, também o Velopata teve um sonho que terminou com uma valente fugachada na cabeça, não obstante a notória diferença que o balázio velopático não passou do metafórico. O sonho de criar um clube strávico onde os mui ilustres membros podiam trocar e partilhar experiências, combinar pedaladas e convívios (se daqueles à Classificados do Correio da Manhã, isso vai na consciência de cada um), assim promovendo a salutar competição velocipédica mas principalmente, saír do universo internético e trazer para a realidade do alcatrão e trilhos o encontro de muitos bichos humanos que partilham a paixão pelo mesmo simples prazer da vida – pedalar.

Assim foi plantada a semente da Divisão Velopata e jamais um Velopata podia esperar que, cerca de dois anos e uns trocos decorridos da sua incepção, à hora desta publicação estivessem já nas suas fileiras cento e noventa e três agora-assim-não-tão-honoráveis membros.

À medida que as fileiras do mais grandioso clube strávico que há memória cresciam, o Velopata sentia na pele as agruras acarretadas pela tamanha responsabilidade de ser curador. Acordar cedo, muitas vezes pelas cinco horas e meia da manhã, quando todo o lar velopático e mundo ainda roncam, para se debruçar sobre o monitor do PC, cérebro mergulhado nos complicados cálculos físico-químico-matemático-quânticos de tanta pedalada protagozinada por todos aqueles que ele é obrigado a seguir, apenas para se certificar que não há dopados, ebikecoisas e prevaricadores da boa ordem velopatóide. Percorrer perfis strávicos facebookianos na demanda das melhores fotografias… Bem, é certo que nem sempre ele escolhe vossas melhores fotografias e sim aquelas onde a piada é mais fácil e menos ofensiva, mas conseguem imaginar a quantidade de horas que ele passa olhando para vossas fronhas? Ainda para mais atentem ao facto que apesar do Velopata não ser homoséxualofíliaco, a vasta maioria de vós sois gaijos e a ter que perder horas com fotografias de presuntos apertados em finas licras, ao menos que fossem de fêmeas…

Depois é o navegar pela maionese cerebral na constante demanda de textos interessantes, tentando produzir piadas engraçadas que ninguém leve a peito, ainda para mais quando se atenta ao facto que qualquer coisa actualmente escrita no reino internético certamente ofenderá alguém algures logo, verdade seja escrita, estes dois anos e uns trocos podem ser resumidos a duas palavras.

Trabalheira.

Camandro.

E por todos os motivos acima e mais alguns que agora não se lhe ocorrem, o Velopata achou, no mínimo estranho, quando fez o apelo (no seguimento da anterior publicação Coisoing, o Velopata praticou o apelaiting), nas redes sociais à participação na Primeira Grande Gala de Congregação Velopática, onde os prémios que tanta labuta e eirios lhe custaram seriam entregues à nata da nata, à crème de la crème, aos duros por entre os duros, a todos os que de uma forma ou outra se destacaram dos restantes e deixaram a mediocricidadofilia para trás ao longo do ano de Nosso Senhor Joaquim Agostinho de dois mil e dezoito e…

Só quatorze membros picaram o ponto na página do evento facebookiano.

Mas se a adesão nas redes sociais foi, recorrendo a eufemismos para adjectivar a adesão, miserável e fraquinha e deplorável, o que pode um Velopata escrever quando o pelotão que se juntou para partir de Faro em direcção ao Germano era a loucura que a imagem abaixo bem evidencia;

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O tremendo pelotão velopático nas imediações da chegada ao Germano, com o Agente da Autoridade Anónimo, Velopata e o Zé das Bikes Neves a arcarem com todas as despesas da festa.

Com a vã esperança que muitos optassem por se deslocar directamente até às instalações do mais importante tasco velocipédico serrano que é o Germano, alguns por receio que durante a pedalada o ritmo velopático fosse muita forte, outros por pura e simples ronha e optando por deixar o quentinho conforto dos lençóis tardiamente, o trio foi fazendo a festa pois já diziam os antigos, “só faz falta quem cá está”.

Mas nada podia preparar um Velopata para a chegada ao Germano.

– Estava apinhado de Ciclistas? – questionará o ausente da Gala leitor.

O Velopata só consegue encontrar uma palavra para descrever todo aquele cenário que se revelou diante dos seus bonitos olhos castanho-esverdeados, no entanto, como uma imagem vale mais que mil palavras, ele partilha uma foto bastante ilustrativa do estado em que se encontrava a esplanada e do que foi a adesão à Primeira Grande Gala de Congregação Velopática.

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Cri, Cri. Cri, Cri (onomatopeia representativa do som dos grilos na noite escura e VAZIA).

Grilos.

A melhor palavra para descrever o ambiente efusivo da manhã de trinta e um de Março deste ano de Nosso Senhor Joaquim Agostinho de dois mil e dezanove será “grilos”.

Só quando o Velopata se preparava para uma visita ao quarto de dar banho de modo a enxugar as lágrimas que se preparavam para escorrer quais cataratas do Niagára, ele percebeu que nem tudo estava perdido.

No interior aguardavam Lord Barbudo Refilão e Capitão Autoridade Celeste, para além de um Commuter Alucinado em modo Cicloturista que não deixaram por manete alheia a sua presença neste que se queria um glorioso evento.

E aqui o Velopata tem de abrir um parêntesis.

Lord Barbudo Refilão percorreu trezentos quilómetros na véspera, tendo pernoitado na sede do clube de Alte (que é segundo sua review é alte sedeportantos), providenciada pelo sempre impecável Pedro Pirralho, curador do Germano; Capitão Autoridade Celeste havia deixado Faro para trás num contra-relógio brutal de quase sessenta quilómetros para não falhar a hora à qual o início da cerimónia estava marcado, mesmo tendo realizado uma volta de cento e tal quilómetros com uma brutal dose de acumulado na véspera, e o Commuter Alucinado em modo Cicloturístico havia decidido à ultima das horas arriscar uma viagem de comboio para não perder esta festa, para depois pedalar mais sabem-se-lá-quantos-quilómetros até sua terra natal do Bombarral.

Minutos depois juntaram-se à festa Placas e a sua troupe portimonense, e para mal dos pecados velopáticos, um moçe de quem o Velopata já tinha muitas saudades de ouvir dizer bonitas frases como “vocês nem sabem andar na roda” ou “vocês não são ciclistas, vocês são malta que gosta é de passear de bicicleta” – o nosso mui querido Pro Ressabiado.

E assim se fez a festa, sendo engraçado frisar que dos cerca de cento e noventa e três membros da Divisão Velopata, muitos são os que vivem no reino algarvio, no entanto, aqueles que fizeram questão de marcar presença em maioria são moçes que vivem, no mínimo, a quase trezentos quilómetros do local do evento, portantos, estrangeiros lá do norte do país.

Curioso, não?

A conversa fluíu, a galhofa e gargalhada também, as mins voavam e das vinte e três medalhas que ansiosamente aguardavam a chegada dos pescoços de seus respectivos e justos vencedores, o Velopata entregou apenas…

Três.

Três míseras medalhas.

E é por tudo isto que nos anais da história do mais grandioso clube strávico, este ficará para sempre conhecido como o dia da P.G.G.C.M.I.P.V.

A Pequena Grande Gala de Congregação de Mui Importantes Personas Velopáticas.

Mas já diziam os antigos, “vivendo e aprendendo”.

Ou na versão velopática, vivendo, aprendendo e pedalando.

Assim, chega a vez do Velopata agradecer o respeito que todos vós haveis mostrado por ele – querem fotos e textos enaltecendo e brincado com as vossas prestações strávicas?

Vaiam ao Totta.

Seguem-se as classificações finais do ano de Nosso Senhor Joaquim Agostinho de dois mil e dezoito.

E já gozam.

Parabéns a todos.

Jersey Papa-Quilómetros

1º Professor Carochas – 27918,5 Km

2º Nuno Rosado – 20797 Km

3º Placas – 20284,1 Km

Placas
Um orgulhos Placas partilhou no seu perfil facebookiano o orgulho na medalha obtida, consagrando-se como terceiro classificado no pódio dos Papa-Quilómetros.
Atleta Quilómetros totais de 2018 (Km)
1º Professor Carochas 27918,5
2º Nuno Rosado 20797
3º Placas 20284,1
4º Pedro Canais 17170,3
5º O Velopata 11643,3
6º Calhau Rolante 11435
7º Hélder Lourenço 11278,6
8º O Senhor Triatlo 10731,7
9º Marco Gomes 10727,4
10º Luís Abrantes 10272,5

Jersey Carapau de Corrida

1º Comandante Batráquio – 16 pontos

2º Pro Ressabiado – 11 pontos

3º Paulo Rodrigues – 10 pontos

Para o cálculo final do pódio dos Carapaus de Corrida, o Velopata decidiu recorrer a uma análise estilo Jersey dos Pontos de uma Grande Volta, ou seja, por cada pódio conseguido ao longo do ano, o (pseudo)atleta recebia 1 ponto se obtido um terceiro lugar, 2 pontos no caso de um segundo lugar e o vencedor recebia 3 pontos.

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Pro Ressabiado (à direita), e um Velopata (à esquerda), aquando do solene momento de entrega da medalha respeitante ao segundo lugar do pódio dos que levam uma vida a sofrer nas suas Bicicletas sempre tentando distribuir o maior número de carochas possível.
Atleta Pontos obtidos em 2018
1º Comandante Batráquio 16
2º Pro Ressabiado 11
3º Paulo Rodrigues 10
4º António Henriques 8
5º Fernando Coelho 8

Jersey Cabra da Montanha

1º Professor Carochas – 399139 m

2º Placas – 232249 m

 3º Luís Abrantes – 224279 m

Infelizmente e por motivos alheios à memória de um Velopata (a quantidade de mins Stout já ingeridas a tão matinal hora), a medalha respeitante ao segundo lugar do pódio de Cabras da Montanha não foi entregue a Placas.

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A razão pela qual Placas saíu do Germano sem a sua segunda medalha (da esquerda para a direita; o Commuter Alucinado Cicloturista, Lord Barbudo Refilão, o Zé das Neves Bikes, um Velopata e o Agente da Autoridade Anónimo, este na sua melhor licra de gala.

E isto é uma chatice pois agora lá terá um Velopata de ir pedalar até reinos portimonenses quiçá aproveitando assim para passar pela Fóia de modo a garantir que a medalha chega a seu justo vencedor.

Atleta Acumulado total de 2018 (m)
1º Professor Carochas 399139
2º Placas 232249
3º Luís Abrantes 224279
4º Nuno Rosado 197765
5º Calhau Rolante 190154
6º Paulo Russo 142567
7º AAA 140265
8º Nuno Fernandes 142000
9º Marco Gomes 139060
10º Zé das Bikes Pinto 135122

Jersey Alucinado Diário

1º David Matos – 888 voltas

2º O Velopata – 515 voltas

3º Paulo Almeida – 484 voltas

Sim, o Velopata atribuíu uma medalha a ele próprio.

E daí?

Quem é que manda aqui mesmo?

Atleta Total de registos strávicos de 2018
1º David Matos 888
2º O Velopata 515
3º Paulo Almeida 484
4º Carlos Aboim 355
5º Placas 332
6º Nuno Fernandes 327
7º Pedro Canais 300
8º Marco Gomes 265
9º Comandante Batráquio 264
10º Paulo Rodrigues 216

Jersey Melhor Batráquio

1º O Senhor Triatlo – 12065,1 Km

2º Comandante Batráquio – 10365,8 Km

3ª Mad Fontinhas – 9334,3 Km

Atleta Quilómetros totais de 2018 (Km)
1º O Senhor Triatlo 12065,1
2º Comandante Batráquio 10365,8
3ª Mad Fontinhas 9334,3
4º João Pedro Oliveira 7268,9
5º O Holandês Voador da Quarteira 5236,5

Jersey Lanterna Vermelha

Lioness of Porches

Como é óbvio não se desiste da mais importante rede social alguma vez criada, o Strava, muito menos se deixa um clube como a Divisão Velopata impunemente.

Jersey Melhor Macho Ressabiado

1º Professor Carochas – 62 pontos

2º David Matos – 31 pontos

3º Nuno Rosado – 30 pontos

Para o cálculo do mais grande Macho Ressabiado, o Velopata seguiu novamente um sistema de pontos em função dos pódios obtidos (primeiro lugar recebeu 3 pontos, segundo ganhou 2 e terceiro recebeu 1). Para esta análise foram excluídos os pódios batráquios e é importante frisar que um pódio na Crazy Ride permitia ao doid… Atleta auferir automaticamente 5 pontos.

Atleta Pontos totais de 2018
1º Professor Carochas 62
2º David Matos 31
3º Nuno Rosado 30
4º O Velopata 26
5º Paulo Almeida 23
6º Fernando Coelho 18
7º Comandante Batráquio 17
8º Placas 16
9º Paulo Rodrigues 11
10º Pro Ressabiado 11
11º Paraquedista Ressabiado 11
12º Lord Barbudo 10
13º Luís Abrantes 9
14º António Henriques 8
15º Pedro Canais 7
16º Mini Pro Ressabiado 7
17º Humberto Vaz 6
18º Calhau Rolante 6
19º João Manuel Pinto 6
20º Carlos Aboim 5
21º Tiago Neves 5
22º AAA 5
23º Sérgio Coelho 5
24º O Tiko 4
25º Nuno Fernandes 4
26º Moço do Treco 2
27º O Gajo que já foi Prof 2
28º O Pianista 2
29º Joel Banza 1
30º João Pedro Oliveira 1
31º Marco Gomes 1
32º Claudio Alexandre 1

Jersey Melhor Fêmea Ressabiada

1ª Aprendiz de Ressabiada – 22 pontos

2ª Ally Martins – 18 pontos

3ª Verónica Fernandes – 11 pontos

Para as fêmeas do nosso clube, o sistema seguido foi idêntico ao dos machos.

Apenas para registo e porque o Velopata tem aqui de bradar… PORQUE RAZÃO NENHUMA FÊMEA APARECEU PARA A GRANDIOSA GALA?

Receio da rebarba?

Pois vaiam ver como a coisa vai mudar…

No more rebarba.

Atleta Pontos totais de 2018
1ª Aprendiz de Ressabiada 22
2ª Ally Martins 18
3ª Verónica Fernandes 11
4ª Mad Fontinhas 9
5ª Lioness of Porches 7
6ª Pro Ressabiada 2
7ª Vanessa Sofia 2
8ª A Senhora das Águas 1

Jersey Crazy Ride

Lord Barbudo Refilão – Silk Road Mountain Race

Se muitos dos mui queridos leitores se questionam quem é este tal de Lord Barbudo Refilão, lembrem-se, é aquele Ciclista que todos queremos ser quando crescermos.

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Rui Rodrigues (à direita), doravante conhecido no seio da horda velopática como Lord Barbudo Refilão e um Velopata (à esquerda), naquela que terá sido a mais suada medalha alguma vez obtida, graças à sua brilhante prestação na Silk Road Mountain Race.

Para terminar, o Velopata avisa que irá proceder a contactos com os vários vencedores que não puderam estar presentes de modo a fazer-lhes chegar as respectivas medalhas.

Mas preparai-vos que a partir desta data, muita coisa irá mudar no seio da Divisão Velopata.

E não.

Ele não está amuada.

Está pior.

Lixado com um F bem maiúsculo.

Claro que esta publicação não podia terminar sem um sentido agradecimento a todos os que marcaram presença no Germano no dia trinta e um de Março deste ano de Nosso Senhor Joaquim Agostinho de dois mil e dezanove (e até aos que enviaram mensagens a um Velopata justificando porque razão não podiam comparecer ou compareceram como quem comparece mesmo).

São vós que dão força a um Velopata para continuar, foi a vossa presença e boa disposição que fizeram daquele um dia inesquecível.

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Da esquerda para a direita; AAA, Velopata, Zé Neves das Bikes, Lord Barbudo e o Commuter Alucinado Cicloturístico fizeram o núcleo duro desta pequena grande festa das bicicletas e da amizade. E da parvoíce onde todos fumaram um cigarro.

E óbviamente, um agradecimento muito especial aos curadores do Germano; Pedro e sua respectiva que miserávelmente o Velopata esquece sempre o nome, pela paciência para aturar cinco Ciclistas que muito barulho e festa fizeram.

Como sempre, sugestões e reclamações podem ser enviadas para;

bemoremike@seusingratosdocacete.mail.com

 

Abraços velocipédicos,

Velopata

2 comentários sobre “Divisão Velopata – A P.G.G.C.M.I.P.V. e o final de 2018

  1. Pingback: Divisão Velopata – Carocha cheia em Março trovejada, trinta dias é molhada – Blog do Velopata

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