Consultório Sentimental Velopático

No decurso dos já quase dois anos de existência deste espaço de referência velocibernético, um abundante número de mui queridos leitores (é impossível um Velopata conseguir precisar os números correctos por entre os milhares de milhões), tem aproveitado toda a sabedoria, experiência, magnificiência e coiso deste vosso companheiro, palhaço e amigo do duro circo que é a vida do pedal, para enviar mensagens com as mais variadas questões; da mais complexa interrogação filosófica-metafísica-existencial até às mais simples trivialidades que preocupam a mente dos que se dedicam à mais nobre das artes que é a velocipédica.

Sempre disposto a contribuír como quem contribui mesmo, o Velopata chega hoje até vós com uma seleção dessas mesmas questões, minuciosa e criteriosamente escolhidas por representarem uma fulcral importância para a salutar prática da Velocipedia.

Por óbvios motivos deontológicos mas também porque o Velopata não é moçe dado ao combate mano a mano e consequentemente não lhe apetecer apanhar uma valente carga de porrada, a anonimiosidade dos mui queridos e inquisidores leitores será mantida.

 

Caro Velopata, antes de mais deixe-me dar-lhe os mais sentidos parabéns pelo seu espaço que já se tornou uma referência velocipédica para mim. Estou a contactá-lo pois de há uns tempos para cá ando com um problema que acredito só alguém velocipédicamente iluminado como vós poderá ajudar. Sempre fui um homem considerado apetecível pelas mulheres, no entanto, desde que me iniciei na prática velocipédica, emagreci até um ponto tal que, apesar de me sentir em melhor forma do que nunca, vencendo KOM´s aqui pelo meu quintal e tudo, a minha mulher diz que pareço um somali com anorexia nervosa e/ou bulimia e já não me procura como antes para a prática do amor bom. Estou a chegar a um ponto tal em que até vergonha tenho que ela me veja nú. O que posso fazer?

Leitor F. residente em A-Da-Gorda, Óbidos

Em antes de tudo, o mui querido leitor deve perceber que a sua respectiva provavelmente ainda vive na época medieval onde se acarditava que gordura é formosura.

De modo a esclarecer esta importante questão, o mui querido leitor deve proporcionar uma séria conversa com sua respectiva, de preferência num local de elevado valor sentimental para ambos os dois (por exemplo, o tasco no final do Malhão, o café no topo da Fóia), explicando-lhe todas as complicadas idiossincrasias inerentes à obtenção de um KOM, particularmente nesta época digital onde todos sabemos que se não está no Strava, então é porque não aconteceu. Terminada essa vossa tertúlia, se ainda assim a fêmea continuar a acarditar que o mui querido leitor se encontra magro demais… É pedir o divórcio, nunca esquecendo que devemos ser tolerantes para com os que não entendem as agruras da nobre arte velocipédica… Mas há limites.

É claro que o mui carente leitor pode sempre afirmar que tem muito amor pela sua respectiva e não a queria perder para o vício da Velocipedia, uma vez que a sua necessidade de contacto físico com o sexo oposto é fulcral para a manutenção da sua saúde física e psicológica. Nesse caso, o Velopata lembra que não faltam por aí migrantes árabes e africanas que para além de solteiras, divorciadas ou viúvas e carentes de amor bom, são também autênticos cabides dignos de uma passerelle do Segredo da Victoria, não podendo assim traír a confiança do mui escanzelado leitor ao desprezar a sua duramente obtida magreza.

 

Caríssimo Velopata, apraz-me dizer-lhe que o seu blog é já o site da internet mais visitado por mim, principalmente aquando das minhas visitas ao trono cá de casa. Estou a contactá-lo pois ando com um dilema existencial que não sei o que faça… Recentemente a minha mulher pediu-me que praticássemos o amor em cima da minha bicicleta de estrada mas fiquei com algum receio. Acha que alinhe?

Leitor O. residente em Amor, Leiria

Não seja labrego.

É claro que deve aceitar praticar o amor com a sua respectiva seja lá onde ela lhe aprouver.

A única questão que efectivamente se coloca está relaccionada com o material no qual a sua nobre montada (neste concreto caso, quando o Velopata escreve montada, está a referir-se à Bicicleta), foi construído.

Carbono de alto módulo? Não será muito confortável, mas em princípio aguentará as maiores “pedaladas” que lá possam dar dada a rigidez lateral.

Quadro Full Aero Carbon? Cuidado para que ninguém termine com um membro decepado naqueles tubos em formato de cunha.

Titânio? A Bicicleta aguentará tudo o que lá façam.

Aço? Preparem-se para uma escoliose.

Alumínio? Caso não seja alumínio daquele da Cannondale, pode tornar-se desconfortável ao fim de algumas horas, minutos ou segundos, dependendo da capacidade de endurance do casal.

O único cuidado que o Velopata recomenda ter é com o espigão de selim.

Não vá dar-se o caso deste ser mais abonado que o mui querido leitor e depois a respectiva fêmea ainda termina a sessão amorosa com ideias ainda mais badalhocas.

 

Ó Velopata, o meu marido já tem um montão de bicicletas mas todos os anos, sempre que saem os novos catálogos, tem ideias de comprar mais uma. Já estou saturada desta adoração pelas duas rodas; já não bastava ter bicicletas espalhadas pela sala, pelos corredores, no wc, no nosso quarto, agora até já equacionou correr com o nosso filho do quarto para a varanda, para assim poder arrumar lá mais bicicletas. O que posso fazer?

Leitora E. residente em Derreada, Castanheira de Pêra

Peça o divórcio.

O seu respectivo não precisa de uma pessoa negativa como você na vida dele.

E não apenas com tanta negatividade como também com mau gosto, sendo caso para escrever que dá Nosso Senhor Joaquim Agostinho pérolas a suínos; tomara o Velopata poder sequer almejar um dia ter Bicicletas espalhadas pelas várias divisões do seu lar. Acima de tudo, é importante lembrar-se que o seu respectivo não tem culpa da sua falta de requintado e eclético gosto para obras de arte como só uma Bicicleta pode ser.

Quanto ao facto do seu respectivo equacionar transformar a sacada do vosso lar no quarto da vossa cria, a única questão que se pode colocar é qual a idade da mesma – é que se a vossa cria já atingiu a idade adulta, está mais que na hora de deixar o regaço parental e o conforto do lar para se fazer à vida, deixando assim de atrapalhar a felicidade velocipédica do seu respectivo.

 

Querido Velopata (permita-me que o trate por querido mas é que pelas fotos que vejo no Instagram, você é realmente uma estampa de macho), o meu marido (que espero não venha a ler o que acabei de escrever), não pára de comprar bicicletas; ele é estrada, bêtêtê, pasteleiras e agora até está a ponderar perder a cabeça e comprar uma de contra-relógio. O que posso fazer para evitar estas bicicletas a mais pela minha casa?

Leitora B. residente em Fatela, Fundão

Antes de mais, o Velopata não reconhece a existência da condição ter bicicletas a mais.

Depois, parece ao Velopata que você está claramente a castrar a felicidade do seu respectivo, como tal, o melhor será pedir o divórcio.

 

Ó Velopata, estou a ponderar como quem pondera mesmo, adquirir uma bicicleta. O problema é que estou indeciso entre vários modelos e principalmente materiais. Carbono ou alumínio? E das geometrias nem lhe digo nem conto… Aero ou Full Aero? Pode-me auxiliar?

Leitor B. residente em Purgatório, Albufeira

Este é um problema comum entre a iniciante comunidade velocipédica; desde a marca à geometria do quadro, passando pelo próprio material no qual os tubos são construídos até aos componentes que a equipam, nenhum pormenor deve ser deixado ao acaso aquando da escolha de uma nova montada.

No entanto, a solução é bastante simples; a melhor Bicicleta para si é aquela que você nunca terá dinheiro para comprar.

 

Prezado Velopata, estou que nem posso e não sei o que fazer, sendo você a minha última esperança e réstia de salvação. De há uns anos para cá, o meu marido também desenvolveu essa maleita da Velocipedopatia ou lá o que é, mas ultimamente a coisa descambou como quem descamba mesmo. Fica horas e horas fechado no quarto onde as suas bicicletas estão arrumadas e nem me deixa lá entrar, apesar de também eu gostar muito de andar de bicicleta. Recentemente saí do trabalho mais cedo e quando cheguei a casa… Qual não foi o meu espanto quando o descobri deitado na nossa cama só com a sua bicicleta de estrada. O que posso fazer?

Leitora P. residente em Vale de Prazeres, Fundão

Assistir enquanto relações são destruídas devido ao amor às Bicicletas é sempre um desconsolo para o Velopata, logo a solução é simples – junte-se a ele e façam um ménage à trois.

Mas uma vez que a própria leitora admite também gostar de pedalar, porque não juntar mesmo a sua própria Bicicleta, lançando-se numa gloriosa ménage à quatre?

 

Companheiro do pedal Velopata, tenho um dilema existencial que nem sei por onde começar a explicar mas prontos… Sou um homem… Como dizer isto… Enfim, um homem bastante abonado no que às partes viris respeita. O problema é que a minha namorada é muito ciumenta e diz que se nota tudo quando visto as licras para as pedaladas. Para ver que não estou mesmo a mentir, é muito comum quando faço paragens nos tascos serranos, ficar toda a gente a olhar para os meus entrefolhos, homens inclusivé. Como se não bastasse, quando as pedaladas são mais longas ou intensas, fico com umas dormências e dores nessa zona que nem lhe conto… O que posso fazer?

Leitor T. residente em Sacões, Góis

Em antes de proceder à análise do seu caso, o Velopata lembra que sente uma enorme empatia com o que o mui avantajado leitor sofre, na medida em que também ele (o Velopata), foi abençoado com a herança genética africana de seu progenitor.

Quanto ao facto de a sua genitália se notar aquando do vestuário velocipédico, não há muito que possa fazer; o Velopata até poderia recomendar a utilização de indumentária menos apertada mas tal traduzir-se-ia em enormes perdas ao nível do aero.

Quanto à dormência e dor que o mui abonado leitor afirma sentir, só aparentam existir duas soluções possíveis para tal;

  • adquirir um daqueles selins pros… Prosta… Prostatofílicos;
  • fazer como Aquele-Cujo-Nome-Não-Se-Diz e requisitar uma cirurgia plástica onde se consiga reduzir parte desse volume à custa da excisão de um dos seus testículos – quem sabe se tal não levará o mui volumoso leitor a melhorar seus dotes velocipédicos?

Se ainda assim a sua namorada não ficar satisfeita, muito provavelmente tal dever-se-á ao facto dela pertencer às militantes do Bloco de Esquerda, simplesmente ainda não descobriu por falta de experiência universitária (que é onde todas as fêmeas de bicho humano experimentam esses bonitos actos da prática de amor homosexualofilíaco). Nesse caso, o melhor será despachá-la em antes do casório pois é certo e sabido que divórcios custam eirios que posteriormente não poderão ser gastos na aquisição de carbono.

 

Caríssimo Velopata, nem sei bem como explicar esta situação por isso irei directamente ao assunto que me traz até si. Encontrei a minha mulher na cama com uma das minhas Bicicletas preferidas e desde então a relação ficou notóriamente estranha. Como devo proceder?

Leitor G. residente em Vale da Porca, Macedo de Cavaleiros

A primeira coisa que o mui estimado leitor deve fazer é limpar a sua relação, nunca esquecendo que manter pedaleiro, corrente, desviadores e cassete limpos e bem oleados, é de uma importância vital para a salutar prática da Velocipedia.

Quanto à dúvida de como proceder, o Velopata admite que mesmo não sendo homoséxualofíliaco, ele não percebe estes comportamentos dos machos contemporâneos ao deixar passar impune uma oportunidades destas para a prática do amor bom… Se encontrou a sua respectiva na cama com a sua Bicicleta – porque não aproveita e se junta à festa para um glorioso ménage à trois?

Por último resta ao Velopata pedir-lhe, como uma espécie de representante das suas Bicicletas, que não se dirija a esta ou aquela Bicicleta como a sua preferida. Você gostaria de saber que não era o preferido objecto fornecedor de prazer da sua fêmea? Pois.

 

Meu querido naco de homem Velopata, não sei a quem mais recorrer e lembrei-me de si, o homem que me faz tremer as pernas cada vez que publica uma foto no Instagram onde se vê o seu corpaço. Sei que sou uma mulher considerada apetecível pela maioria dos homens, o problema é que sempre que pedalo com a minha troupe aqui da zona, composta apenas por homens, eles não saem da minha roda. Ao início pensei que fosse pelos meus dotes de trepadora mas depois reparei que mesmo a rolar ou a descer eles nunca passam pela frente. Que posso fazer para ter alguma roda disponível?

Leitora R. residente em Monte de Bois, Alcobaça

De acordo com a situação descrita pela mui querida leitora, parece ao Velopata que você se está a esquecer de um problema transversal a todas as sociedades de bichos humanos, sendo irrelevante a etnia, religião (exceptuando a católica onde os gostos são… Digamos… Menores, vá), ou classe social.

O Síndroma da Rebarba.

Há uma forte razão pela qual um Leão (Panthera leo), mesmo enquanto refastelado e saciado após um valente manjar proporcionado por uma Zebra (Equus zebra), ou até um Gnu (Connochaetes gnou), não consegue resistir ao ímpeto biológico de observar enquanto uma formosa Gazela (Gazella thomsonii), calcorreia as planícies africanas, sentindo aquele calafrio estomacal alastrar para as partes viris.

Do mesmo modo, os seus companheiros de pedalada até podem ser moçes bem casados e satisfeitos pelas suas respectivas a todos os níveis mas deixar passar a oportunidade de poderem encher a vista e rebarbar à grande, será sempre algo de solução extremamente complicada pois a mui querida leitora não deve esquecer que a base do seu problema tem por raíz uma das maravilhas com que a Mãe Natureza presenteou o bicho humano (para além da cassete 11-32, por exemplo), que é a capacidade de se poder reproduzir sexuadamente através da prática do amor bom.

Entendidos estes factos, o que a mui simpática leitora tem de perceber é que o seu dilema não aparenta ter uma só simples solução, no entanto, como o Velopata é um moçe que gosta de contribuir como quem contribui mesmo, ele deixa aqui algumas dicas de possíveis soluções que a mui jeitosa leitora pode considerar;

  • inscrever-se como militante do Bloco de Esquerda (pouco provável que resulte uma vez que Ciclistas e Doping são palavras que andam de mãos dadas, não esquecendo que a Cannabis encontra-se na lista de substâncias proibidas pela UCI; para além de que é senso comum que todos os machos de bicho humano partilham uma mesma fantasia – a prática do amor bom com duas ou mais fissureiras);
  • deixar de cortar e/ou alourar o buço, tornando-se menos atraente para os machos (pode também não resultar – o Velopata saudosamente recorda os seus tempos de Escola Secundária onde leccionava um Professor de Psicologia que afirmava – uma fêmea sem um pequeno buçozinho não tinha aquele sex appeal);
  • engordar (a probabilidade de resultar é baixa pois já dizia a Mãe Velopata que deitadas e no escuro aquilo é tudo igual, para além de que perderá capacidades velocipédicas, algo que está fora de questão);
  • encontrar uma outra troupe de Ciclistas que não partilhe os mesmos gostos da actual, por exemplo, optar por pedalar com um grupo de Ciclistas que seja fã do Festival Eurovisão da Canção (de longe esta será a melhor opção, com a vantagem de poder ainda conversar com estes sobre que pochetes melhor pandã fazem com aquele vestido ou aqueles sapatos).

Se nenhuma das opções acima proposta pelo Velopata surtir efeitos, pode sempre tentar incutir bom senso na sua troupe, abertamente explicando-lhes que o comportamento por eles adoptado está a deixá-la desconfortável, nunca esquecendo que a provável resposta que receberá certamente estará relaccionada com algo como você experimentar pedalar sem selim ou como eles gostariam de ser o seu espigão.

E depois ainda existem os que duvidam da Teoria da Selecção Natural e a evolução do bicho humano a partir dos primatas…

 

Velopata, por favor ajude-me! Tenho 19 anos e recentemente ganhei coragem e assumi perante os meus pais que quero ser Ciclista. Agora eles acham que tenho uma doença e querem mesmo internar-me numa instituição psiquiátrica! O que posso fazer para eles perceberem que ser Ciclista é o meu sonho de carreira?

Leitor H. residente em Sarilhos Grandes, Montijo

Exceptuando casos isolados onde os progenitores de bicho humano parecem não se importar com o futuro das suas crias, é muito provável que os progenitores do mui querido leitor se encontrem preocupados com o facto de você deliberadamente procurar uma vida de pobreza, miséria e fome, para além do facto de, optando por essa carreira velocipédica, certamente só conseguir deixar o lar familiar e tornar-se um bicho humano emancipado e independente lá para os quarenta anos de idade.

Porque não lhes diz que tentará ser Ciclista Profissional como plano A, mantendo sempre outras opções de carreira em aberto, como Caixa ou Repositor de Hipermercado, quiçá Varredor de Ruas, onde auferirá um ordenado bem melhor e não terá de passar (tanta) fome?

 

Caro Velopata, sempre fui apreciador do sexo feminino e até considerado um óptimo amante, no entanto, recentemente algo se passou que parece ter levado a minha vida a dar uma volta de 360 graus. Enquanto percorria uns trilhos aqui no meu quintal, esqueci por completo que o meu espigão de selim não era telescópico e apanhei uma valente cacetada no meu bum-bum. O mais estranho é que esta porrada não me provocou dor, antes pelo contrário, até senti bastante prazer. O problema é que agora, cada vez que vejo um homem bonito na televisão, como por exemplo, o José Castelo Branco, sinto o esfíncter a retesar como quem retesa mesmo. Será que sou homosexual?

Leitor G., residente em Porto da Carne, Guarda

Se o mui dúbio leitor gosta de visitar casas de banho públicas, assentando-se em antes que outros machos se alevantem, o Velopata não sabe nem quer saber.

Sempre foi sua opinião que cada um gosta do que gosta, não devendo sofrer nenhum tipo de preconceito ou discriminação, exceptuando claro se achar que a Specialicoiso é a melhor marca de Bicicletas do Universo ou se acarditar que as e-bikescoiso têm o seu lugar nas estradas e trilhos para menores de oitenta anos e ou bichos humanos sem incapacitantes maleitas.

Agora o que o Velopata tem a certeza é que você necessita de ajuda oftálmica especializada; em que Universo pode o José Castelo Branco ser considerado um homem, ainda para mais, bonito?

 

Prezado Velopata, sou considerado pelos meus párias como um bom ciclista, capaz de distribuir ameixada pela minha troupe aos fins de semana, no entanto, desde que grande parte dos meus comparsas de pedalada adquiriu rodas de alto perfil, nunca mais consegui destacar-me nas nossas voltas. Fico para trás nas subidas e a rolar é sempre bofes de fora a tentar acompanhá-los. Acha que devo trocar as minhas actuais rodas de baixo perfil para umas mais aero?

Leitor J., residente em Perna de Pau, Sobral de Monte Agraço

Em antes de mais, o mui encarochado leitor parece esquecer que para além da forma física velocipédica, que parece alternar ainda mais que o temperamento das fêmeas de bicho humano durante os sobejamente conhecidos dias difíceis, também a forma psicológica de um atleta de baixa competição tem elevado efeito sobre a sua performance nas corridas até ao tasco serrano.

Não estará algum acontecimento na sua vida pessoal a levar a esta perda de capacidades de distribuição carocheira? Mais stress, mais fadiga laboral?

Estará mesmo o problema nas suas actuais rodas?

É recomendação velopática que você pondere e esmíuçe esta questão, nunca esquecendo que as rodas ideais para si são aquelas que nunca terá dinheiro para comprar.

 

Caro Velopata, não sei o que fazer em relação ao meu filho. Agora meteu na cabeça que quer ser ciclista e não parece haver nada que possa dizer ou fazer que o demova desta ideia de não estudar e só treinar, ainda por cima certamente ocupando até aos quarenta anos (ou mais!), aquele quarto que tanto eu como a minha mulher tínhamos em mente transformar em masmorra do sexo. Que posso fazer para o demover?

Leitor B., residente em Pai Torto, Mirandela

Ah… A rebeldia da juventude.

Segundo alguns estudos levados a cabo por antropólogos e outros cientistas sociais, esta insurgente fase da adolescência aparenta ter desempenhado um importante papel na evolução humana, para além de ter permitido a colonização de todo este terceiro calhau a contar do Sol, qual pestilento vírus.

Muito provavelmente, a sua cria encontra-se convencida pelas imagens televisivas que Ciclismo é uma vida de fama e fortuna, glamour, Bicicletas bonitas e bem equipadas e beijinhos de moças do pódio daquelas boas mesmo boas.

Por outro lado, você não tem o direito de castrar assim aquela que pode muito bem transformar-se numa gloriosa busca do nirvana velocipédico. Como tal, o Velopata recomenda o seguinte protocolo; durante várias semanas acorde a sua cria aos gritos, prepare-lhe o pequeno almoço, que deverá consistir apenas e só em 1 ovo cozido, coloque simplesmente água nos seus bidons e obrigue-o a calcorrear cento-e-tal quilómetros pela serra aí no seu quintal. Siga-o a bordo de um enlatado de apoio e sempre que ele se sinta a desfalecer, grite palavras de encorajamento como “não vales nada minha amostra de ciclista!” ou “até o teu avô subia isso mais depressa com uma pasteleira!”.

Se findas essas semanas de treino intensivo, a sua cria ainda não se encontrar na iminência da desistência, então dê-lhe todo o seu apoio à busca da carreira velocipédica profissional, pois muito provavelmente estaremos na presença de um Froomster de Mirandela ou um excelente Operador de caixa registadora do Lidl.

 

Querido Velopata, sempre achei as bicicletas de estrada do mais sexy que há e um dia destes, enquanto a lavava na banheira, senti algo dentro de mim crescer como quem cresce mesmo e só quando voltei a mim percebi o que tinha acontecido. Fiz amor com a minha bicicleta! Agora, faz várias semanas que o Benfica não joga em casa (se é que me entende), será que estou grávida?

Leitora J., residente em Pêga, Guarda

Apesar de muitos dos adeptos da Velocipedia desconhecerem a origem desse divino material que é o carbono, o Velopata tem a absoluta certeza que não é assim que as chinesas o produzem.

Mas se é um espigão de selim que a faz feliz, o Velopata não vê porque razão não manter essa salutar relação. A única recomendação que o Velopata tem é que findas as festividades, volte a lavar o espigão, caso contrário arrisca-se a sofrer o mesmo problema com que uma outra leitora abordou o Velopata – quando pedalar com uma troupe de machos, devido à deslocação da massa de ar e às féromoinas, dificilmente eles deixarão a sua roda.

 

Ó Velopata, eu também sofro desta maleita boa que é a Velopatia mas aqui há uns tempos aconteceu-me algo que nunca pensei possível. Enquanto limpava e lubrificava a minha máquina, dei por mim a reparar no diâmetro daqueles tubos e o quão sexys eram e… Olha, acabei a praticar o amor com os tubos da minha bicicleta. O problema é que agora já nem a minha mulher me parece conseguir satisfazer, passo horas no trabalho a pensar em regressar para junto da bicicleta e daqueles tubos ocos. O que posso fazer?

Leitor O., residente em Picha, Castanheira de Pêra

Nem em todos estes anos de Velopatia aguda e profunda algo tão descambido passou pela cabeça de um Velopata e acredite mui avariado leitor, que ele (o Velopata), até tem uma sagaz imaginação.

O que você pode e deve fazer é procurar ajuda profissional, nunca esquecendo que deve notificar o mecânico oficial da sua montada que deverá sempre usar luvas.

Dois pares de preferência.

 

prontos, o Velopata espera poder ter auxiliado à iluminação velocipédica dos milhares de milhões de leitores que incessantemente o requisitam em busca da resolução dos seus problemas sentimentais de natureza velocipédica.

 

Abraços velocipédicos,

Velopata

 

O Facebook do Velopata: https://www.facebook.com/velopata/

O Instagram do Velopata: https://www.instagram.com/blogdovelopata/?hl=pt

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