Divisão Velopata – Em Abril cada carocha dá mil

“Desisti porque comecei a sentir-me cansado.”

“Uai, como é que é?”

“Sim, não estava a correr muito bem e depois comecei a sentir cansaço e achei melhor desistir.”

Foi com estas blasfemas palavras proferidas por trás do balcão da loja de especialidade velocipédica no Centro do Universo Velopático Conhecido que Lagartixa, aquele que por este pedalar do carbono jamais chegará a jacaré, informou o incrédulo Velopata da razão da sua desistência durante a maratona XCO do XCM do coiso de Alte.

Porque se estava a sentir cansado.

Sentindo o olho esquerdo latejar naquele que é o iminente sinal de crash cerebral, o Velopata tratou de lembrar Lagartixa das sensatas palavras do Apóstolo Coppi;

“Tens noção que isso que dizes não faz sentido nenhum. Não se desiste quando se está cansado, desiste-se quando o gorila está cansado.”

“Amén.” – disse um outro moço que assistia ao diálogo, transeunte habitué dos finais de tarde da G-Ride.

“Ah, eu já li isso na net do ciclismo ser como lutar com um gorila. Quem é que disse isso?” – questionou Lagartixa.

“Não sabeis?” – exclamaram Velopata e transeunte em uníssono.

“Não. Deve ter sido para aí um Greg LeMond ou assim, não?”

O Velopata e o transeunte não responderam, limitando-se a trocar olhares cúmplices, ambos os dois partilhando o mesmo pensamento – esta juventude velocipédica está perdida.

“Por acaso quem disse isso foi Coppi. O grande Fausto Coppi.” – rematou o transeunte.

“Amén.” – proferiu o Velopata.

“Quem?” – inquiriu Lagartixa.

“Fausto Coppi!” – notaram Velopata e transeunte em uníssono.

“Não sei quem é esse. Bem, pelo menos não foi o LeMond, que eu não gosto nada desse gajo.”

Novamente o Velopata e o transeunte trocaram olhares mas desta vez não apenas de cumplicidade e sim de desespero e eterna desilusão; como pode uma loja da especialidade velocipédica contratar os serviços de um jovem enlicrado (ainda por cima conhecido pelas suas excelentes capacidades de ressabio), desconhecedor das grandes glórias de outrora, quais deuses velocipédicos na Terra que calcorreavam as mais duras montanhas do mundo e talvez até da Europa, montados em bicicletas com quadros em ferro forjado e rodas ainda quadradas, munidos de um único carreto 11 acompanhado de só um prato pedaleiro 56?

“Ah, e ainda por cima não tinha comigo o Garmin.” – continou Lagartixa.

“Como?” – questionaram Velopata e o transeunte.

“Sim, esqueci-me do Garmin em casa.”

“Menos mal. Essa já é uma desculpa com que o Velopata consegue viver.”

“Então?” – questionaram transeunte e Lagartixa em uníssono.

“Já dizia o ancestral provérbio mandarim… Se não está no Strava é porque não aconteceu.” – terminou o Velopata.

Quem nunca se esquece dos seus registos strávicos são os outros 166 membros do nosso mui amado clube Divisão Velopata, motivo que nos traz aqui hoje com mais uma sempre importante análise velopática ao que foi um mês de Abril onde ao que tudo indica, aqueles dias difíceis do ciclo menstrual de São Pedro parecem finalmente ter ficado para trás.

Jersey Papa-Quilómetros

1º Nuno Rosado – 2025,6 Km

2º Professor Carochas – 1735,2 Km

3º Pedro Canais – 1633,3 Km

Já dizia Danny Glover, enquanto interpretava o papel de Agente da Autoridade da L.A.P.D. a mãos com uma carnificina nas ruas de sua metrópole, resultante da visita de um Predador alienígena;

“There´s a new player in town.”

Para os mui queridos leitores menos versados em língua anglo-saxocamónica, o Velopata traduz;

“Há um novo jogador na cidade.”

No caso em questão não se escreve sobre nenhum tipo de mortandade, muito menos invasões alienígenas ou até mesmo jogadores de seja lá o que fôr. Até porque Ciclismo não se joga. É como o amor e a sua bonita manifestação do coito, pratica-se.

Porquê estar a escrever sobre essa grande película de acção que fez as delícias de um ainda imberbe e projecto larvar de velocipedista Velopata, Predador 2?

À semelhança de um extra-terreno Predador, cuja maior arma era a invisibiliosidade, também este mês um Predador de Quilómetros atacou sorrateiramente a horda velopática, destronando tudo e todos para se sagrar o justo vencedor de uma mui cobiçada jersey deste nosso mui amado clube.

Nuno Rosado.

Óbviamente que o Velopata tratou de averiguar, que é como quem escreve coscuvilhar, quem seria esta nova máquina distribuidora de carochas que assim de rompante, conseguiu a proeza velocipedista de deixar Professor Carochas e Pedro Canais para trás.

Medo.

Muito medo.

Mais medo que aquele que o Velopata sente cada vez que ouve aquele temível som que as cegonhas que pululam pela urbe farense fazem, lembrando-o sempre desse horrífico caçador de bichos humanos que é o Predador.

É que ao contrário de Professor Carochas, Pedro Canais e Placas, outrora justos vencedores desta jersey, Nuno Rosado não opta por distribuír carochas sobre uns quaisquer enlicrados comparsas de pedalada… Isto é moço para encarochar… A própria família!

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A pobre fêmea e cria seguem na roda do nosso campeão Papa-Quilómetros deste mês de Abril, durante aquela que é conhecida como a degustação de carochas da família Rosado.

E isto é quase uma espécie de violência doméstica com maus tratos infantis, numa distorcida versão carocheira velocipédica. Portantos, se o moço é capaz de fazer isto à própria família, sangue do seu sangue e coiso, imaginem o que não fará a qualquer ressabiado enlicrado que lhe apareça no alcatrão.

O único ponto positivo que o Velopata pode retirar de tudo isto prende-se com o futuro do Velopatazinho; se a cria de Nuno Rosado já degusta carochas em tão tenra idade, então o seu futuro apresenta-se muito promissor na medida em que o Velopatazinho necessitará de gregários de luxo aquando do seu assalto ao World Tour.

Como se isto não bastasse, o Velopata descobriu ainda que Nuno Rosado deve pertencer a uma minúscula elite de colaboradores secretos da Shimano, recebendo e testando novas peças, componentes e equipamentos; como é o caso dos novos desviadores traseiros Dura-Ace Di+, full carbon aero carbon, que o Velopata partilha aqui em primeira mão, porque lá está, ele gosta muito de contribuir como quem contribui mesmo para a vossa iluminação velocipédica.

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O novo modelo de desviador traseiro Dura-Ace Di+, avistado na bicicleta de Nuno Rosado. Este novo modelo pende da escora superior direita para reduzir o atrito do arrasto termodinâmico do lactato, além de que sendo preso com elásticos de carbono de alto módulo, os engenheiros astrofísicos da Shimano conseguem assim reduzir o peso do conjunto.

Não se ponham a pau, ou melhor, não se ponham a carbono não… Com esta nova chegada à elite devoradora de quilómetros do nosso clube parece ao Velopata que Professor Carochas, Pedro Canais e o próprio Velopata (esperem só até ver o que ele tem preparado), têm aqui um concorrente de peso.

Jersey Carapau de Corrida

1º Comandante Batráquio – 35,8 Km/h

2º Páraquedista Ressabiado – 34,7 Km/h

3º Pro Ressabiado – 32,3 Km/h

Dos pantanosos meandros do charco onde pulula o batraquiame, eis que Comandante Batráquio corre, faz a parte do ciclismo e nada para encarochar os restantes enlicrados nesta ressabiada contenda pelo mais grande Carapau de Corrida do nosso mui querido clube. Acompanhado de perto pelo Páraquedista Ressabiado, sobre quem o Velopata escreverá mais à frente, verdade seja escrita, estes dois primeiros lugares do pódio só foram possibilitados pela nova tendência na qual o nosso celebrado e querido Pro Ressabiado parece ter apostado.

“Eu agora já nem ligo muito às médias. Quero é desfrutar da bicicleta.” – comentou Pro Ressabiado nas redes sociais.

Com uma estonteante média de 32,3 km/h registada durante as suas várias voltas neste mês de Abril, o que Pro Ressabiado falha em entender é que valores medianos desta grandeza só permitem desfrutar de uma coisa – o sofrimento de quem tiver o azar de o acompanhar na roda.

Jersey Cabra da Montanha

1º Professor Carochas – 27698 m

2º Nuno Fernandes – 20453 m

3º O Pianista – 18919 m

Continuando a escrever sobre sofrimento em cima das nossas nobres montadas, mais uma vez temos Professor Carochas a dominar por completo a categoria dos que mais apreciam uma boa dose de flagelação tibial quando o alcatrão inclina positivamente, no entanto, foi uma boa surpresa verificar que os dois restantes lugares do pódio não se revelaram mais do mesmo, ou seja, pelo menos este mês não temos por aqui só malta oirunda de Biseu.

Nuno Fernandes, nativo dos Duros do Pedal, elite velocipédica com quem o Velopata teve o mais ou menos prazer de cruzar caminho por duas ocasiões, Granfondue Serra da Estrela e Tróiapocalipse, é outro moço que inspira medo velopático na medida em que à semelhança de Nuno Rosado, também Nuno Fernandes parece retirar algum tipo de satisfação ao encarochar a sua respectiva fêmea.

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Apesar de tudo, é bonito ver casais partilharem bons momentos velocipédicos juntos. O Velopata só espera mesmo é que a fêmea em questão seja efetivamente a respectiva de Nuno Fernandes, caso contrário, o Velopata recomenda a ida de Nuno Fernandes à loja de mobiliário sueco e a aquisição de um sofá confortável, deixando desde já um sentido pedido de desculpas pelo transtorno causado.

No terceiro lugar do pódio destaque para um rijo moço paderneiro ou padernoense ou lá como se chamarão os oriundos de Paderne, essa pequena aldeia do Barrocal Algarvio, capaz de carregar eficazmente não apenas os pedais da sua mui bonita máquina Bicicleta de Homem G5, como também carregar com mãos e dedos sobre teclas pretas e brancas que compõem um piano.

Não só O Pianista dá música por hotéis, bares, lounges rooftop sunset after hour coisos, como também distribui música encarochada pelo alcatrão, que o Velopata já por várias ocasiões teve o mais ou menos prazer de privar numa pedalada com a sua troupe e aquilo é malta para deixar um gajo a Voltaren (em supositório), durante uns bons dias até as dores nas pernas passem e um gajo consiga voltar a andar erecto.

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O Pianista descansa na roda enquanto alegremente assobia um qualquer tema de Chopin ou Debussy.

Jersey Alucinado Diário

1º David Matos – 125 voltas

2º Velopata – 52 voltas

3º Paulo Almeida – 39 voltas

Dizia Fernando Pessoa que a única certeza é que não há certeza.

Nas suas investigações internéticas, o Velopata não conseguiu apurar se Fernando Pessoa (ou algum dos seus opiáceos heterómónimocoisos), foi utilizador da nossa mui querida rede social strávica, caso contrário a sua célebre afirmação acima teria evoluído para algo semelhante a; a única certeza é que Matos vai limpar o caneco Alucinado Diário.

O que o Velopata conseguiu apurar (ou coscuvilhar), foi o facto de David Matos ser um Yogi, que neste caso não se trata de nenhum tipo de produto derivado da fermentação bacteriana do leite mas sim o termo aplicado aos praticantes dessa milenar técnica meditativa que é o Yoga.

Que deve realmente ser a única sensata opção para manter a sanidade mental quando durante um mês com apenas trinta dias se praticam cento e vinte e cinco voltas de bicicleta no alcatrão português, aquele onde todo o selvagem enlatado atenta constantemente contra a nossa vida, tentando homicidar-nos.

Em questões meditativas, o Velopata sempre foi e será um moço de gostos simples e, parecendo-lhe sempre complicadas aquelas posições yoguísticas que quase roçam a pornografia (imaginem o Velopata a praticar o Yoga na companhia de moças vestindo apertados leggings, como é que alguém se consegue concentrar?), além de que o Velopata é entradote e o P.D.I. é algo que não perdoa na elasticidade corporal, que técnica meditativa pode suplantar uma bela cerveja fresquinha antes, durante e depois de uma boa dose de pedalada?

Acompanhada do cigarrinho, pois claro.

Finalizados os complicados cálculos físico-químico-quântico-matemáticos do mês, foi sem lhe caber uma mísera palhinha (daquelas bem fininhas), no esfíncter, que o Velopata percebeu que finalmente havia chegado a sua hora de picar o ponto num dos muitos pódios do clube por si curado.

Mas há mais.

Não foi esta a única boa nova a chegar até ele no decurso deste mês de Abril, decorria mais uma sessão de trabalho matinal nestas linhas que o Velopata aqui partilha, quando acendeu o ícone de chegada de uma nova mensagem na sua caixa de email;

“Antes de mais queria felicitá-lo pelos brilhantes textos, você é já uma lenda viva do ciclismo amador português. Decidi seguir o seu exemplo e descobri que mesmo na idade geriátrica posso padecer da mesma maleita boa que é a Velopatia. Infelizmente cá por casa ninguém me compreende e a minha vontade é internar todos sob o pretexto de viverem sob dependência do enlatado. Você é do Porto?”

Decerto o mais assertivo dos leitores se questiona se o que está acima descrito não passará de pura demência velopática. Como o Velopata não é nenhum pelintra, abaixo podem encontrar um print screen comprovando a mensagem que ele recebeu;

comentário

E mais uma vez o Velopata comprova aquilo que está farto de dizer e escrever; todas as linhas que ele aqui partilha com a sua fiel legião de milhares de milhões de seguidores é a mais pura das verdades, excepto aí uns 99,9%.

Devaneios, demências matinais e geriatrias à parte, a verdade deve ser escrita e isto foi algo que deixou o Velopata muito feliz, orgulhoso e com tão ou mais baba a escorrer pelo queixo como o Velopatazinho tanto faz; sabendo que algures por entre bits e redes uáifái, as suas palavras repercutiram no mundo real e alguém se sentiu inspirado a pegar no mais nobre meio de transporte alguma vez concebido pela humanidade.

Respondendo à questão alevantada por Carlos Azevedo; felizmente o Velopata é nativo de Cascais mas tendo-se mudado para Faro, já diz o ditado grafitado por tudo o que parede e muro desta querida urbe a que ele veio a chamar lar; se és de Faroés Farense.

E fica ainda um outro conselho velopático; trazer a família para o mais nobre dos meios de transporte ou desporto pode acarretar consequências graves; como desatarem todos os membros do agregado familiar a estourar absurdas quantias de eirios em carbono, daquele que é mesmo só carbono, 100% carbono, totalmente em carbono, full aero carbono, ou, o que até nem é mau de todo, levar à separação da família, quando a fêmea se fartar de passar tantas horas sozinha, terminando com a entrega das papeladas burocráticas que compõem o pedido de divórcio. Esta segunda opção não é tão má como muitos fazem crer por um simples facto; pelo menos um gajo consegue manter a bicicleta e lembrem-se; as pernas e a mente podem mas bicicleta nunca nos diz que não.

Infelizmente, quem não é de Faro e é do Porto é o nosso terceiro lugar do pódio mensal, Paulo Almeida, fazendo questão de espalhar pelas redes sociais a sua apoteótica felicidade quanto ao facto do clube do seu coração, que à semelhança do que dizia o filósofo da bola, o grande matreco João Pinto, só tinha duas cores – azul e branco, se ter coroado campeão nacional desse desporto menor que são vinte e dois gajos aos chutos a um objecto esférico de poliuretano.

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Fotografia partilhada por Paulo Almeida no seu blogue (que podem encontrar aqui), manifestando o júbilo pelo facto do seu FêQuêpê se consagrar Campeão Nacional da Bola 2017/18.

Só mesmo um extraterrestre para acreditar que o FêQuêPê foi campeão à custa do seu próprio mérito desportivo… Afinal de contas, os outros vermelhos do ÉsseéleBê andaram para lá com polvos (Octopus vulgaris), e nada ganharam, o que, se pensarmos profundamente como quem pensa mesmo, só indica que os vencedores que conseguiram suplantar os corruptos o fizeram limpinho.

Pois claro.

O Velopata não se quer adiantar muito sobre estes assuntos menores, até porque um estudo de uma universidade cámone, daquelas cujas seculares instalações parecem saídas de um filme do Harry Potter, mostrou que a vasta maioria dos bichos humanos atribui mais importância ao seu clube futebolístico do que à religião, portantos, não é desejo velopatóide ofender ninguém.

Até porque o Velopata não é grande fã de fruta…

Jersey Melhor Batráquio

1º O Grande Batráquio – 1054,7 Km

2º Comandante Batráquio – 871,9 Km

3º João Pedro Oliveira – 691,3 Km

Eis que se dá o tão aguardado regresso de O Grande Batráquio ao lugar cimeiro deste pódio, após um incapacitante encontro imediato de alcatroado grau com uma curva a menos e velocidade a mais em Fevereiro. Prevê-se assim que o seu coaxar continue a soar em mais alto que o restante batraquiame, nunca esquecendo que Comandante Batráquio plana pelo charco, sempre à espreita.

No terceiro lugar deste pódio surge uma agradável surpresa pelo coaxar de João Pedro Oliveira, batráquio portimonense, cuja foto de apresentação facebookiana evidencia claramente tudo o que há de errado com esta troupe que sacristamente não se cansa de escrever e dizer que fazem a parte do ciclismo;

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Já dizia o grande Mestre Yoda no celebrado filme Star Wars (não confundir com outra grande película clássica, Star Whores), do or do not, there is no tri.

Começemos pelo capacete; vossemeçê vai recolher mel de algum apiário?

Depois aquela jersey sem mangas… Vai trabalhar em alguma obra? Vai participar em algum videoclip do Ágir?

Não sabe que as luvas sem dedos são das que melhor comportamento aerodinâmico conferem às mãos ao aerodinamizar os nós dos dedos e aquela irritante pelugenzinha?

O Velopata está a ser mauzinho, afinal de contas, à semelhança de Nuno Rosado, também João Pedro Oliveira aparenta ser piloto de testes para uma outra (menos) conceituada marca de componentes velocipédicos, a Rotor. Só assim se justifica a foto abaixo partilhada no perfil strávico do moço;

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Novo modelo de travões desenvolvido pela Rotor e avistado na montada de João Pedro Oliveira. Como se o sacrilégio já não fosse pouco, ao invés de optar por Shimano ou Campagnolo, que a arte nipónica e italiana é do melhor que há, optam por estas modernices… Rotas. Depois dá nisto.

Jersey Lanterna Vermelha

Dário Flip

De há uns meses para cá que o Velopata já equacionava o que seria feito deste moço, outrora presença habitual no Top 5 do nosso mui amado clube.

A noite ia alta (eram aí umas 22 horas mas não se esqueçam que diáriamente o Velopata alevanta-se da cama pelas 6 da matina para trabalhar neste vosso aclamado espaço velocibernético), e já o Velopatazinho dormia enquanto a Srª Velopata assistia a uma qualquer série culinária portuguesa com que o Velopata até simpatiza porque a apresentadora é assim para o borracho em estilo pin up e no genérico até se descobre que ela é fã de bicicletas. O único ponto negativo é mesmo o facto de a moça cozinhar pedaços de cadáveres animais mas lá está, já diziam os inuítes que ninguém é perfeito.

O Velopata calcorreava perfis facebookianos strávicos em busca de explicações para a ausência de Dário Flip das presenças nos lugares cimeiros do nosso mui amado clube, quando alguma luz desceu sobre a sua semi-adormecida mente;

“Ó pobre coitado!” – exclamou um Velopata.

“O que foi?” – inquiriu a Srª Velopata.

“Este moço… Desde que foi pai… Desapareceu completamente dos rankings.”

“Pois é assim, sabes que há pessoas com sentido de responsabilidade.”

“Hã?”

“Tu ouviste-me.”

“Ainda por cima parece que foi pai de uma menina.”

“Não sejas parvo, o que tem de mal ser pai de uma menina?”

“Elas ganham menos, muito menos lá no World Tour feminino.”

“Às vezes nem sei porque perco tempo a ouvir-te.”

A clarividência velopática fez todo o sentido; se Dário Flip foi efetivamente o progenitor de uma menina, então só faz todo o sentido que tenha trocado a sua outrora máquina de distribuição de carochas portimonense Scott por uma M-16 ou uma caçadeira de canos serrados.

Jersey Melhor Macho Ressabiado

1º Professor Carochas

2º Nuno Rosado

3º Neves & Pinto Lda.

Na sua humilde opinião, o Velopata acredita que os dois primeiros lugares estão mais que bem entregues este mês, reiterando que em caso de dúvidas por parte de algum leitor mais afoito, poderá sempre tentar desfazer estas no alcatrão, não devendo esquecer que em antes de se lançarem a desafiar tão ilustres distribuidores de carochas como Professor Carochas e Nuno Rosado o são, devem adquirir Voltaren (de preferência em supositório), para além de outros anti-inflamatórios e medicamentos (ou desenvolvam asma), que vos permitam recuperar após tardiamente perceberem o erro e o buraco sem fundo onde se enfiaram.

O Velopata avisa logo, amigo é.

O que pode surpreender o leitor menos atento, é um marco histórico na Divisão Velopata, quando uma dupla de ciclistas do estrangeiro lá do norte do país conseguem ambos os dois um honroso e venerável terceiro lugar no pódio deste mês.

“Ó Velopata, explica lá isso! Como é que dois gajos podem sacar um só lugar no pódio?” – questionará o sempre assertivo leitor.

O Velopata gostava muito de explicar mas não o vai fazer porque diz aqui o WordPress que esta publicação leva já umas quatro mil e tal palavras e depois lá chovem as queixas que ele devia era pedalar mais e escrever menos. Nestes termos, o Velopata vai apenas deixar aqui o link para aquele que é outro espaço de referência velocipédica internacional (e talvez até nacional), cujas linhas lá escritas justificam claramente a razão pela qual estes dois heróis do asfalto nacional merecem todo o respeito e admiração velopatóide.

Quando lá forem, lembrem-se apenas que nesse famigerado dia, o Velopata acordou com as suas ruas debroadas a branco, como podem ver na fotografia abaixo.

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Às vezes… Muito raramente e ao contrário do que a Srª Velopata diz, o Velopata tem acessos de responsabilidade e pareceu-lhe uma acertada decisão, zelando pela saúde da Estrela Vermelha, evitar pedalar debaixo de uma tempestade de granizo, trovoada e relâmpagos que deixou a vizinhança velopática neste estado.
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Neves & Pinto em estilo velopático fumante. Ainda hoje, ambos os dois devem estar a tossir bofes pois pedalar e fumar não é para todos… E quanto ao cheiro a SG Ventil, Tiago Neves falhou redondamente pois esse é um dos poucos tabacos que nem o Velopata consegue tolerar o cheiro. Falhou nisso e em muitas outras coisas; como o facto do Velopata ser um exímio ciclista, aventureiro top e coiso. Parece ao Velopata que quando o encontro in situ de carbono e pernas finalmente ocorrer, estes dois moços vão ter a desilusão de suas vidas.

Jersey Melhor Fêmea Ressabiada

1ª Aprendiz de Ressabiada

2ª Ally Martins

3ª Lioness of Porches

Eis que chegamos à sempre mui aguardada classificação das fêmeas do nosso querido clube, momento no qual bicicletas, licras, quilómetros, médias e acumulados são colocados de parte para dar espaço à pura e simples rebarba.

O imediato destaque deste mês prende-se com a ausência de Verónica Fernandes do pódio, o que poderá surpreender os menos atentos mas nas suas coscuvilhices, o Velopata apurou que finalmente a rija moça já deverá ter recebido alta hospitalar após a que foi uma primeira quinzena de Abril recheada de ressabio velocipédico ao mais alto nível; foi o Abêcê, depois a Taça de Portugal Feminina, uma passagem pela Volta a Ibiza em Bêtêtê, finalizando com a participação nas Abas da Geada; se prova ocorreu nas imediações da Península Ibérica e arredores, Verónica Fernandes marcou presença e sempre a ressabiar ao mais alto nível.

Mas houve aqui algo que deixou o Velopata a matutar como quem matuta mesmo.

Que é isso das Abas da Geada?

Desde quando a geada, essa formação de cristais de gelo nas superfícies da folhagem das plantas expostas a abruptas quedas de temperatura, tem abas?

Este é um assunto que o Velopata ainda terá de dissecar em futuras publicações, à semelhança da  estreita relação que parece existir entre pedaços de cadáveres de animais cozinhados e provas de Bêtêtê. Atente-se aos nomes destas competições para atletas de baixa competição de fim de semana que por aí pululam; é a Rota do Presunto, a Rota do Chouriço, a Maratona da Bairrada… Felizmente existem organizações com bom senso, optando por provas de índole vegetariana, como o Velopata descobriu neste primeiro fim de semana de Maio, com a realização da prova de XCO de Alface.

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Verónica Fernandes carrega na sua tuénináiner durante a Volta a Ibiza em Bêtêtê. Prova que o Velopata desconhecia por completo pois para ele, Ilhas Baleares sempre foram sinónimo de festas de finalistas, prédios e quartos de hotel arrasados, alcóol, drogas, sexo e DST.

Quem continua a distribuír carochas como se a sua vida dependesse disso é a nossa jovem representante tavirense Aprendiz de Ressabiada; se há por aí um granfondue qualquer, certo é que ela marcará presença e podem ter a certeza que é seu objectivo encarochar tudo e todos à grande.

Finalizando sempre com presença nos pódios por onde quer que pedale, logo não tardou que nos comentários às suas actividades strávicas, Aprendiz de Ressabiada recebesse um comentário velopático, parabenizando-a por mais um glorioso objectivo cumprido que foi mostrar às ressabiadas do estrangeiro lá do norte do país que as algarvias são marafadas por algum bom motivo.

Óbvio é que a resposta não tardou;

respostaaprendizderessabiada

Combinar uma voltinha com o meu pessoal do Algarve…

Voltinha.

Pessoal do Algarve.

Portantos, a bom ver da Aprendiz de Ressabiada, Faro não é Algarve.

Deve ser Allgarve.

Ou então é só inveja porque nós, farenses, é que temos o aeroporto.

Que foi algo que o Velopata descobriu quando fez a sua primeira paragem por estas terras que ele acabou por adoptar como lar; parece que os farenses não gostam dos olhanenses, os olhanenses não gostam dos fuzeteiros, os fuzeteiros não gostam dos farenses, os farenses não gostam dos portimonenses, os portimonenses não gostam dos lagoenses e os albufeirenses… Bem, em Albufeira não conta porque aquilo é só cámones e bifes por todo o lado e só numa determinada época do ano. Chegam os meses de Inverno e aquilo parece uma cidade fantasma do faroeste amaricano. Um ponto é comum a todos estes grupos; dos quarteirenses, os que vivem na Quarteira, é que ninguém parece gostar (terminando estas linhas e lá estão Pro Ressabiado & CIA a afiar chinos para darem caça ao Velopata – os riscos que ele corre para vosso deleite).

E isto é algo que sempre fez e fará muita confusão ao Velopata pois, quando observado do espaço sideral, este terceiro calhau a contar do Sol não tem, nem nunca terá, fronteiras.

Mas lá está ele a saír lançado a divagar.

Depois o substantivo diminutivo voltinha aplicado ao que o Velopata sabe que Aprendiz de Ressabiada e a sua troupe tavirense praticam.

Corria a malograda volta do 25 de Abril Sempre!, quando o Velopata cruzou alcatrão com a troupe da Aprendiz de Ressabiada e rapidamente ele percebeu que aquilo é malta que só conhece dois ritmos de pedalada – a sofrer ou a sofrer mas em mais.

Ora o Velopata não é parvo (quer-se dizer, até é mas só quando lhe convém), para aceitar um convite deste calibre, sabendo que as únicas coisas que vai retirar de uma pedalada em tão ilustre companhia serão; carochas em monte, atrozes dores de pernas (daquelas que nem com Voltaren em supositório passam), e uma reputação arruinada.

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A Aprendiz de Ressabiada sempre a ressabiar em alto nível em mais uma edição do Montemuro Granfondue.

No segundo lugar da mais bonita jersey deste nosso mui querido clube, surge uma agradável estreante nestas pedaladas, Ally Martins, uma albufeirense cujo nome tão bem ilustra as capacidades de mistura étnica cámone e portuga que ocorrem no nosso querido cantinho à beira-mar (mal) plantado e esquecido pela estrangeirada lá do norte do país durante todo o ano, exceptuando-se naquele querido mês de Agosto.

À semelhança de outras fêmeas do nosso clube, também Ally Martins atinge lugares nos pódios das provas onde marca presença e isto denota claramente uma tendência que o Velopata tem vindo a notar; as fêmeas que dão um ar de sua graça no nosso mui querido clube pertencem todas à categoria que os machos deste espécie de bicho humano reconhecem como aviões (lá está o Velopata a arriscar umas noites no sofá, contando que sobreviva às chinadas da malta que vive na Quarteira).

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Uma bonita estreia nos pódios velopáticos, Ally Martins. Não confundir este Funchal, localizado algures entre Lagos e Bensafrim, com o outro Funchal, aquele onde outrora um facho berrava contra o coiro de indigentes que dirigiam o continente. 

Já que se escreve sobre provas, quem parece condenada ao desaustino velocipédico é a nossa mui querida campeã do transacto ano de 2017, Lioness of Porches. Desde que trocou o Peaceful Cycling pelo Ressabiated Cycling, o seu feed facebookiano não mais foi o mesmo, indicando aquilo que o Velopata já está farto de escrever mas ninguém liga pêvas – quando passas mais tempo a olhar para o GPS, atento à média, à cadência do lactato, ao tempo em aerobiose e ao tempo em anaerobiose, a vida velocipédica não mais é a mesma.

E por vezes, deixando-se levar pela emoção e adrenalina que o ressabio velocipédico potenciam, esquecemo-nos das restantes coisas importantes da vida ou, como é o caso de Lioness of Porches, a desilusão amorosa que a moça pregou naquele burrico da Fóia.

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´Tadinho do burrico… Triste, só e abandonado… Gelado… Com um meigo olhar destes, podia perfeitamente participar num anúncio da Olá.
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Lioness of Porches celebra o 25 de Abril Sempre!, no BTT de Alte esquecendo-se que lá no alto do frio da Fóia, deixou para trás um coração partido.

Pode ser que o tempo cure as feridas do pobre burrico ou que o chamamento ao ressabio carbonatado finalemte passe na nossa querida Lioness of Porches, regressando ao que outrora foi o seu modo de Peaceful Cycling.

Jersey Crazy Ride

Páraquedista Ressabiado

paraquedistaressabiadoabril
Que instalação de arte contemporânea é essa? Um uniciclo? Bem, antes isso que um candelabro de tampões…

Não satisfeito com a sua recente demanda de setecentos quilómetros pela Estrada Nacional 2 de uma só assentada, eis que Páraquedista Ressabiado volta a surpreender toda a restante concorrência fã de longas distâncias e cicloperegrinações, com uma espantosa tirada de trezentos quilómetros de uma só assentada, calcorreando a Via Algarviana de lés a lés.

Parece que a sua preparação para uma tal de maratona de quinhentos quilómetros em bêtêtê numa tal de Pontevedra vai bem encaminhada, resta-nos a nós, comuns mortais, esperar que tudo lhe corra pelo melhor e claro, Páraquedista Ressabiado mostre todo o poder ressabiante dos algarvios marafados.

 

Já sabem que sugestões, reclamações ou só quiserem só aproveitar para escrever ao Velopata dizendo-lhe o quão espectacular este serviço público que ele pratica pro bono é, podem sempre enviar um email para;

ajudemláovelopata@chegaraos1000likes.com

 

Abraços velocipédicos,

Velopata

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6 comentários sobre “Divisão Velopata – Em Abril cada carocha dá mil

  1. Eh, nada de bitaites contra o meu FêCêPê senão aqui o Paulinho, que não é Santos, desata a destribuir carochada e, qual Rambo Dias, ainda leva com um sumaríssimo da Comissão Disciplinar da Divisão Velopatoide!

    Foi limpinho, limpinho como diria o guru do anedotário futebolês, J.J.

    Claro que rejubilei com mais uma conquista do clube do meu coração, que para além de ser a melhor agremiação desportista do mundo e arredores, conta com mais Voltas a Portugal em Bicicleta conquistadas no seu curriculum.

    Mas o que mais preocupa aqui o terceiro classificado das Voltas de Biciclete na Divisão Velopatoide é a sua bela Inbicla Tripas. Lesionada após a seallyseason, desde praticamente o início da época velocipédica 2017/18, está a deixar aqui o seu estimado proprietário mais verde que um melão de Carnide.

    Depois de uma rasteira traicoeira, num buraco de uma dessas e-toupeiras, nada de confundir o “e-“ com cenas a dopping mecêcnico, e após complicadas e demoradas cirurgias, está agora no recobro da clínica prestes a ficar como o aço, tal como ela era. Aqui o ciclista portista não vê a hora de voltar a tê-la nas suas mãoe e pés para nela voltar vergar a mola, e o selim também.

    Enviar um e-mail? Acho melhor não! É melhor aqui, com todos as virgulas e caracteres, dizer o quão espectacular é este serviço público que o Velopata pratica pro bono 

    Abraços velopáticos

    Curtido por 1 pessoa

    1. O Velopata não escreveu que mexer com a clubite de um bicho humano é perigoso? Ora cá está o campeão Paulo a corroborar a teoria. Isso da bina se encontrar no recobro é que é pior. Votos de melhoras é só o que Velopata e Estrela Vermelha podem desejar! Grande abraço e obrigado pelo reconhecimento do serviço público!

      Curtido por 1 pessoa

  2. Pingback: Porto-Fátima-Porto, uma santa volta | na bicicleta

  3. Pingback: Divisão Velopata – A carocha, Maio a dá e Maio a leva – Blog do Velopata

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