PMF´s velopáticas

PMF.

É o acrónimo português equivalente às FAQ´s dos bifes e cámones.

Significa Frequently Asked Questions ou em belo português; Perguntas Mais Frequentes.

Ao longo do ciclo de vida deste alucinado espaço velointernético, foram várias as questões que o Velopata recebeu; quer da sua horda de mui queridos e atentos seguidores e leitores, bem como de muitos colegas de métier; civis que desconhecem os benefícios para corpo e mente que só a bicicleta consegue proporcionar.

Hoje o Velopata vem até vós com a esperança de ver essas mesmas questões esclarecidas e quiçá, descer alguma luz sobre as grandes questões metafisícas relacionadas com a mais nobre modalidade que é o ciclismo, para além de esclarecer alguns mitos que por aí circulam sobre como é viver la vida loca sofrendo desta maleita que é a velopatia.

  • Qual a melhor bicicleta para mim?

Esta é a PMF mais solicitada junto do Velopata. A resposta é extremamente simples e desprovida de qualquer significado metafórico ou metafisíco.

A melhor bicicleta para ti é aquela que nunca terás dinheiro para comprar.

  • É verdade que és assim tão magro como escreves? Qual o teu segredo?

Outra clássica PMF.

O Velopata é magro e pior… É flácido, particularmente na região superior do bonito corpo, acima da cintura.

O truque assenta num delicado protocolo de passar fome. Larica. Daquela de galgar paredes. Cem por cento eficaz no combate à obesidade velocipédica. Sim, é assim tão simples e o Velopata a contribuír aqui de graça sem receitar Mangustões, Calcitrines ou Depuralinas.

  • É verdade que fumas?

O Velopata não fuma.

O que ele realmente faz é treino de resistência pulmonar.

Além de que ele sempre leu frases motivacionais daquelas da internet onde se diz que o ciclista deve ser um só com a estrada. Assim, pareceu ao Velopata que encher os pulmões de alcatrão seria a maneira mais rápida de atingir esse desejado efeito.

E menos doloroso.

Porque ser um com o alcatrão é capaz de doer.

  • Todos sabem que consideras a Estrela Vermelha uma obra de arte. Se te fosse dada a oportunidade de comprar outra bicicleta, qual seria a tua escolha?

A óbvia escolha seria qualquer uma daquelas bicicletas que o Velopata não tem dinheiro para comprar.

  • Que plano de treinos recomendas? 

A todos o Velopara recomenda o plano de treino por ele adoptado; filtrado, apurado e selecionado após os estudos de seculares e ancestrais artigos científicos daqueles da internet.

O segredo desta milenar técnica consiste em praticar inúmeros intervalos em zona cardíaca P.C.S.N.H.A..

Pedala Como Se Não Houvesse Amanhã.

  • Vi no Strava que, pelo menos três vezes por semana fazes rolos de treino.

Sim, é verdade. O Velopata é fã de sessões de auto-tortura e auto-mutilação, principalmente porque não tem tempo para mais.

Realce para a palavra “tempo”, que é sinónimo de “autorização da Srª Velopata”.

  • Isso dos rolos de treino não é um pouco secante? 

Sempre que algum energúmeno coloca a acima PMF ao Velopata, a resposta chega sob a forma de uma fotografia que o Velopata armazena no seu smartphone;

eddymerckxrolos
Santo Merkcx passava horas nos rolos. Ponto final parágrafo.
  • Dizem que és vegetariano. Tens cuidados especiais na alimentação e que suplementação tomas?

O Velopata segue uma única directiva no que à sua alimentação respeita.

Tem de ser em muito.

E de preferência poder comer à lagardère sabendo que não se encontram no prato restos de cadáveres animais que ainda há pouco tempo atrás esperneavam na luta pela vida contra um facínora armado de um gigantesco facalhão.

Tudo bem regado.

Dá-se preferência a tintol.

Se por suplementos entenda-se aquelas proteínas uéiL-carnitinosinasL-carnitosinas L-crationinas e restantes caixas, xaropes, comprimidos e supositórios… O Velopata preferirá sempre seitan com natas de soja e cogumelos, por exemplo. Em muito.

  • Conta-se que o Velopata não recorre a sensores nenhuns na sua montada e nem cardiofrequencímetro utiliza. Podes explicar?

O Velopata sente quando vai a sofrer. O Velopata sente quando o ritmo vai confortável. O Velopata sente quando está à beira de um fanico por colapso cardiovascular. O Velopata sente quando a volta é amena.

Para que quer ele uma bugiganga electrónica que apite irritantemente lembrando-o disso?

Quanto aos sensores de potência – o Velopata não é nenhum electrodoméstico de modo a que seja necessária saber a sua eficiência energética.

Que ele até já sabe ser miserável.

  • E GPS?

Sim, o Velopata usa. É fixe para o Strava.

  • Qual recomendarias?

Aquele que o Velopata não tem dinheiro para comprar.

  • Como consegues fazer esses quilómetros todos ao fim de semana?

Esta é uma PMF clássica dos civis colegas de métier do Velopata.

“Bem… Ele toma o pequeno-almoço, equipa-se, pega na Estrela Vermelha, senta-se no selim e vai. Chegando lá, é só voltar para trás.”

É a beleza e simplicidade da bicicleta.

  • Levas headphones e música quando fazes essas longas tiradas a solo?

Claro que não.

Pedalar é comungar com a natureza que nos envolve. O suave toque do vendaval na face, o subtil cheiro dos campos recentemente estrumados, sentir no focinho o choque das abelhas e mosquitos. Conspurcar esse momento com música, mesmo que seja algo muito bom como Maria Leal, Toy ou Agrupamento Diapasão, não parece correto ao Velopata.

Depois há ainda a questão dos enlatados selvagens, é importante ouvir a sua aproximação, podendo tirar-se muitas elações apenas pelo som do seu primitivo roncar.

  • Em que pensas quando passas tantas horas a pedalar?

Em nada.

O Velopata sabe que esta é uma concepção difícil de acreditar, particularmente para o público feminino, que não consegue ter o cérebro desocupado a pensar em nada, mas essa é outra das maravilhas proporcionadas pela bicicleta. Não pensar em mais nada a não ser absorver tudo o que a natureza tem para nos dar.

Além de que quando se vai a sofrer serra acima, o desvio do precioso O2 do cérebro para a musculatura das pernas também não permite raciocínios muito complicados.

  • Tens um banco especial para conseguir aguentar tantos quilómetros em cima da bicicleta?

Não. O Velopata desde a sua entrada na idade adulta que é cliente da Caixa Geral de Depósitos e não vê necessidade de mudar.

  • Não é esse banco, é o da bicicleta!

O Velopata desconhece a existência de um componente de bicicleta que responda pelo nome de banco.

  • O selim!

Ah! O selim é muito importante sim. O Velopata até foi a uma das lojas no Centro do Universo Velopático Conhecido onde um dos melhores mecânicos do mundo, e talvez até de Portugal, usou a geringonça da Selle Italia para tirar as medidas às viris partes velopáticas. Claro que a maquineta não é estúpida e indicou ao Velopata um selim daqueles que o Velopata não tem dinheiro para comprar, no entanto, ele comprou um outro com as mesmas medidas.

Claro que uns bons bib shorts também fazem toda a diferença.

  • Falando em bib shorts, tens alguma marca de equipamentos preferidos?

Sim, claro.

  • Qual é?

O Velopata gosta mesmo muito daqueles equipamentos que não tem dinheiro para comprar.

  • Pedalas todos os dias?

Sim, o Velopata é um commuter, praticando o commute faça sol, chuva ou tempestades Anas e Brunos.

  • É verdade que tens várias bicicletas?

O Velopata é o orgulhoso dono de uma Estrela Vermelha, uma Brownie, uma Cappuccino e um Cangalho.

  • Consta por aí que tens mais bicicletas debaixo de olho. Para que quer o Velopata tantas bicicletas?

Esta conversa já foi bem mais interessante.

  • És mesmo assim tão radical quanto ao uso dos carros?

Radical quanto ao uso dos quê?

  • Carros.

Hã?

  • Enlatados.

Ah, sim.

  • É verdade que não tens um ca… Uma lata?

É verdade sim, o Velopata é um cidadão consciente, não tem nenhuma lata a seu cargo e não vê sequer a necessidade para tal dado o seu modo de vida citadino.

Agora radical… O Velopata não pode ser acusado de ser um verdadeiro radical.

Ainda se ele andasse por aí a furar pineus de enlatados mal estancionados em cima de passeios e passadeiras, partir espelhos de enlatados que passam razias, vilipendiando publicamente o enlatado que não respeita o código e assim praticando a verdadeira guerrilha armada contra esse jugo opressor tirânico do lobby enlatado, isso sim, seria radical.

Que até é o que fazem nuestros hermanos, numa espécie de ETA velocipédica;

debicicletajatinhaschegado
É favor alevantar o pandeiro da cadeira onde o mui querido leitor esteja sentado e fazer uma ovação de pé ao engenho e sagacidade de nuestros hermanos.
  • Que tatuagem é essa que tens na perna?

Qual delas?

  • Essa aí.

Ah, sim, é um ciclista a jogar um enlatado para o interior de um contentor de lixo.

(Nota velopática para as fêmeas que acompanhem este espaço velocibernético; a perna do Velopata é bem mais bonita, depiladinha e musculada do que aparenta na foto acima, simplesmente ele não pedalava num segmento onde fosse necessária tanta força quando esta magnífica foto foi captada)

  • Não te parece… Radical?

Fazemos assim; quando as calotes polares finalmente derreterem e a Praia de Faro passar a ser literalmente em Faro, o mar entrar pela porta da frente do teu apartamento, andares de máscara na rua devido aos níveis de poluição atmosférica, a seca piorar, ocorrerem incêndios cada vez mais grandes e dilúvios cada vez mais catastróficos – logo vemos quem é o radical.

  • A Srª Velopata… Tem carro?

Tem quê?

  • Enlatado. A Srª Velopata tem um enlatado?

Sim, tem.

  • Achas isso ético ó Velopata?

Absolutamente que não.

  • Então?

Então, tudo bem?

  • Que justificação tens para isso?

Experimentem discutir com a Srª Velopata. Ela é fêmea, na real e absoluta epistemologia da palavra. Todos sabem que quando se discute com fêmeas a realidade é que se está a optar por uma de duas saídas; ou ela tem razão ou nós estamos errados.

  • O Velopata tem de entender que as adversas condições metereológicas podem levar a que a Srª Velopata opte por transportar o Velopatazinho no enlatado.

Quem diz isso é claramente alguém que desconhece um dos mais importantes mandamentos da velocipedia;

– Não existe mau tempo, só mau equipamento.

Os Holandeses, os Dinamarqueses e também alguns países como a Holanda e a Dinamarca têm inúmeros cidadãos a recorrer à bicicleta como meio principal de transporte durante todo o ano… Porque será? Porque o Sol lá é mais quentinho?

  • Vamos mudar de assunto que já percebi este ser delicado para o Velopata.

Delicada é a tua prima.

  • Shimano, Sram ou Campagnolo?

O Velopata prefere sempre aquele grupo que não vem na bicicleta que adquiriu.

  • Tendes alguma marca ou modelo de rodas preferido?

Sim, claro.

  • Podes partilhar?

Sem problema. As rodas de eleição do Velopata são aquelas que ele não tem dinheiro para comprar.

  • A Srª Velopata é mesmo assim como descreves, castradora de pedaladas?

Não.

É pior.

Com ela é tudo uma faca de dois legumes, já dizia o Mister da caçetada e da bola Jaime Pacheco. Se por um lado a Srª Velopata é capaz de o presentear com uma bela mochila da Blackburn para que as aventuras do Velopata possam ser elevadas a outros patamares, resultando num maior número de horas fora do lar, por outro lado faz questão de lembrar sempre o Velopata que um filho sem pai presente, dificilmente sairá vencedor de qualquer Tour que o valha.

A verdade é que o Velopata vive na iminência do ataque de nervos semelhante ao do adolescente que pede ao pai para saír à noite, o pai manda-o à mãe que é quem sabe, da mãe ouve que o pai é que manda e… O querido leitor compreende.

Tortura e violência doméstica psicológico-velocipédica ao mais elevado nível.

O Velopata até já pensou um dia fazer queixa por maus tratos velocipédicos à Segurança Social mas a Srª Velopata vocifera sempre que vai atirar as bicicletas da sacada, no exacto momento em que o Velopata estiver a chegar ao prédio, querendo depois ver a sua face lavada em lágrimas ante a horrível visão das porcarias das bicicletas (expressão usada pela própria), a estatelarem-se no duro chão desde lá do alto do 4º andar que, ainda por cima, quando visto lá de baixo, se assemelha mais a um 5º andar.

  • A Srª Velopata não lerá isto?

Talvez.

  • Não tendes medo da sua reacção?

O sofá até é confortável. Dorme-se lá bem.

  • Já que falas no Velopatazinho, é mesmo verdade que desejas que ele seja ciclista profissional?

Cruzes canhoto, não!

O Velopata não deseja mal a ninguém e apenas quer é que o seu piqueno rebento seja feliz.

De preferência vivendo um pouco mais que seja, acima do limiar da pobreza, que é onde aparentam viver todos os ciclistas do pelotão profissional português.

Além de que o Velopatazinho é bastante saudável e não sofre de nenhuma maleita como asma, falências renais e afins logo, é difícil que ele tenha oportunidades entre a elite das elites.

  • Ainda bem porque colocares na criança a pressão de vencer um Tour

O Velopata não faz questão que ele vença um Tour de France, isso seria efetivamente colocar muita ansiedade na criança e depois lá tinha o Velopata a SuperNanny à perna.

Pode só vencer um Giro ou uma Vuelta.

E pelo menos uma classificação geral na Volta a Portugal.

  • Ó Velopata, a sério…

Certamente o Velopatazinho será educado numa só ideia; a bicicleta é e será sempre o melhor meio de transporte alguma vez inventado pela humanidade.

  • Tendes noção que na adolescência e mais tarde, já perto da idade adulta, o teu filho pode pedir-te uma mota ou um carro.

Pode pedir um quê?

  • O teu filho pode pedir-te um daqueles enlatados de duas ou quatro rodas!

Se esse malogrado dia chegar… O Velopata não vê outra solução.

  • Até tenho medo de perguntar que solução é essa…

É óbvia.

Colocá-lo no olho da rua e mandá-lo trabalhar.

 

PS velopático: Já foram até ao Instagramcoiso do Velopata? Lá terão acesso a conteúdos exclusivos sobre o quão difícil é a vida para quem sofre desta maleita que é a paixão por Bicicletas, Velocípedes, Binas e Biclas. É fazer like e coiso (ou lá o que se faz nessa rede social), e seguir as aventuras e devaneios deste vosso companheiro, palhaço e amigo do circo que é a dura vida do pedal.

 

Abraços velocipédicos,

Velopata

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