Eu continuo a não estar aqui. Isto continua a não acontecer.

O trio Velopata, Srª Velopata e Velopatazinho passeava pela capital algarvia do desenfreado consumo e capitalismo sem lei que é o Fórum Algarve, quando a Srª Velopata decidiu levar o Velopatazinho até uma de entre as muitas lojas de roupa para fêmeas, mais ou menos machos e infantes, conseguindo o Velopata escapulir-se para uma dose de nicotina.

Quem conhece o referido espaço desprovido de qualquer dignidade ecológica, saberá que a zona reservada aos nicotinofílicos se localiza imediatamente em frente ao espaço reservado aos cinemas.

E foi então que numa das muitas televisões (se são smart ou não, o Velopata não sabe), publicitando os pósteres dos filmes em exibição, que o Velopata viu algo que o deixou muito, mesmo muito, feliz.

thecommuter

Diz-se na gíria popular que felicidade deste calibre se manifesta não cabendo uma palhinha no esfíncter do felizardo moço ou moça. Que até era mais ou menos isso que o Velopata sentia, apesar de jamais em tempo algum da sua vida ele ter pensado em colocar palhinhas, ou já agora, fosse o que fosse, no seu orifício corporal onde o Sol nunca brilhará.

Finalmente a indústria cinematográfica abre as lentes para o mundo dos commuters, os praticantes do commute, deixando de parte as barracadas do assédio sexual (que são uma novidade daquelas… Jamais alguém poderia pensar que para uma fêmea conseguir um papel cinematográfico de destaque, num meio dominado por machos, fosse obrigada a… Coiso –  lá está um Velopata sempre muita forte, usando e abusando de sarcasmo), presenteando a comunidade cinéfila com um filmão de bordoada em monte com esse moderno ícone da pancadaria gratuita Liam Neeson, que de há uns anos para cá, chegou, viu e venceu os lugares deixados vagos pelos figurões dos belos saraus de porrada por dá cá aquela palha de outrora; nomes como os grandes Steven Seagal ou Van Damme, entre outros.

(Nota velopática: Chuck Norris não deverá ser incluído nesta lista pois o moço está para a pancadaria como Eddy Merckx está para o ciclismo, são lendas, numa espécie de representação divina neste planeta).

Verdade seja escrita, ao ver aquele póstere o Velopata automáticamente imaginou todo o guião e até já vislumbrava na sua mente a tagline do filmão;

Róbarem a bina ao moço errado.

liamnesson

A famosa cena e discurso do filme que o Velopata já salivava para visionar, onde Liam Neeson, o commuter, troca impressões com a bandidagem que lhe roubou a bicicleta – Eu não sei quem tu és. Eu não sei o que tu queres. Se estás à procura de um resgate, posso-te dizer que não tenho dinheiro nenhum porque gastei tudo em carbono. O que eu tenho é um conjunto de habilidades e perícia que fariam o Peter Sagan e o Mark Cavendish chorar. Capacidades que adquiri no decurso de muitas pedaladas neste duro circo que é a vida do pedal. Capacidades que fazem de mim um pesadelo para gentalha como tu. Se me devolveres a bicicleta, isto fica por aqui. Não te vou procurar. Não te vou perseguir. Mas se não me devolveres a bina, vou-te procurar, vou-te encontrar e vou-te encher de porrada. 

A história seria simples, este tipo de filmes não precisam de dramaturgia complicada ou grandes dissertações sobre problemas metafísicos, precisam sim é de sessões de pancadaria em monte.

Liam Neeson interpreta o papel de um cidadão pobre, tendo os guionistas do filmão optado por esta premissa da probreza pois devem ter lido a crónica do embrulho azul com que o asno editor do Jornal de Notícias presenteou o mundo há umas semanas atrás; ninguém iria acreditar que um cidadão classe média ou alta optasse por fazer as suas deslocações citadinas de bicicleta. Assim, os guionistas conseguiram criar uma personagem mais credível para a vasta maioria da populaça.

Ó Velopata, mas o moço está de fato e gravata no póstere do filme… Que pobre é que anda por aí de fato e gravata? – questionará o mui atento leitor.

O facto de a personagem de Liam Neeson ser pobre mas vestir fato e gravata é explicado logo nas primeiras cenas da película, onde o vemos a adquirir fatos e gravatas nas lojas e bazares chineses ao invés de reputadas, conceituadas e prestigiadas lojas como a Dolce Gucci Paco Gabana ou lá o que é que, apesar de também fabricadas pelas mesmas infantis mãos num qualquer deteriorado subúrbio do Bangladesh, com a diferença que são absurdamente mais caras porque… Coiso.

Seguem-se longas e infindáveis horas diárias onde assistimos enquanto o pobretanas Liam Neeson salta de balcão em balcão na Segurança Social, sempre com a vã esperança de conseguir um trabalho, ou emprego, que o permita deixar a miserável vida para trás. Daí vestir fato – sempre dá aquele aspecto mais respeitável, uma vez que esta espécie continua a ser um hominídeo que desconfia e hesita ante quem se veste mal e rouba para colocar comida na mesa, confiando cegamente e atribuíndo boa reputação a quem veste fato e gravata, sabendo que estes roubam descaradamente porque desejam adquirir um novo avião privado ou iate.

Até que um malogrado dia, finalizada mais uma dura jornada de demanda por um trabalho, ou emprego, o pobretanas Liam Neeson, após recusar uma espectacular oferta de trabalho, ou emprego, numa reputada padaria que pagava muito abaixo do ordenado mínimo da Suazilândia, preferindo premiar os seus colaboradores com um fabuloso espírito de equipa e entre-ajuda que, como todos sabem, é a moeda de troca ideal para pagamentos à EDP, companhias das águas, gás e afins, Liam Neeson descobre que a sua querida e fiel bicicleta foi roubada.

A audiência descobre então que Liam Neeson não é um pobretanas qualquer… É só um condecorado veterano da elite dos Comandos dos Fuzileiros dos Pára-quedistas dos Bóinas Verdes dos Serviços Secretos lá do sítio, decidindo encetar uma perseguição sem tréguas onde distribui tabefe, chapada, murro, soco e pontapé pela bandidagem, de modo a reaver a sua bicicleta. Pelo meio há ainda um ou outro infeliz enlatado que; passando uma razia, não respeitando as prioridades do Código da Estrada e em geral atentando contra a vida do nosso herói, termina com umas belas bordoadas no focinho e acamado nas urgências do Hospital.

Infelizmente este filme não é realizado por Michael Bay; se o fosse, o espectáculo de perseguições velocipédicas a alta velocidade em auto-estrada e bicicletas a explodir estava garantido mas, na humilde opinião velopática, esta não deixa de ser uma película séria candidata a Óscar de Melhor Filme de Punhada.

Ó Velopata, então mas tu dissestes que ias escrever sobre a segunda parte da tua aventura e jornada de sobrevivência quotidiana na urbe farense e agora vens para aqui escrevinhar sobre o Liam Neeson a aviar condurores de enlatados? – questionará o leitor.

Após a tragi-comédia que foi aquela manhã de pedalada para o local onde o Velopata afincadamente labuta, a verdade é que a noite não se revelou muito melhor. Mesmo sendo o Velopata um moço que acredita que a violência nada resolve (na maioria das vezes), em última análise, o Velopata gostava de um dia ser como o Liam Neeson – passavam-lhe uma razia ou mandavam-no para o cesto no mais alto mastro de uma antiga nau portuguesa e o Velopata desancava-os em porrada. Uma espécie de justiça divina velopatóide.

Porque às vezes parece ser essa a única linguagem que certos bichos humanos entendem, principalmente quando atrás de um volante.

 

18:05:49 – Finalizado o árduo dia de labuta, lá onde o Velopata afincadamente labuta, ele preparou-se para a segunda etapa desta jornada de sobrevivência que seria o regresso ao conforto do lar. Como todas as estradas que permitem o acesso ao local onde ele afincadamente labuta são em maravilhoso paralelipípedo, o Velopata vê-se forçado a transportar a sua Cappuccino a penantes até ao local onde efetivamente a sua pedalada se inicia e isto, caro leitor, é o sonho molhado de qualquer arquitecto e planificador de urbes que por aí pulule – de modo a cumprir aqueles escassos cinco metros a penantes, o Velopata tem de atravessar 4 passadeiras!

Luz traseira ligada, farol da frente aceso e o dueto Cappuccino-Velopata estavam prontos para o segundo prato, lançando-se ao alcatrão.

18:05:59 – O primeiro segmento da epopeia local de labuta-casa consiste numa rua onde o que não falta são enlatados estancionados de ambos os dois lados do alcatrão. Em cima do passeio, em segunda fila, aquilo não é mais que uma espécie de anarquia selvagem de latas de conserva à molhada. Sabendo que a qualquer momento uma Besta pode saltar do estancionamento para a estrada sem respeitar a aproximação velopática, algo que já aconteceu inúmeras vezes e só por milagre de Santo Tektro ele não estabeleceu contacto físico com a dura chapa enlatada, o Velopata opta sempre por salvaguardar a sua posição, pedalando no meio da referida rua, devendo ainda notar-se que esta também não é larga o suficiente que permita uma ultrapassagem enlatada com o mínimo dos mínimos de segurança.

O Velopata ouviu-a antes de ver. Um cagaçal maior que o produzido pela sua máquina de auto-tortura e flagelação de pernas que é o rolo de treino. Aquele irritante roncar tinha a forma de um primitivo veículo de duas rodas com motor, vulgarmente conhecido como lambreta, conduzida por um ainda imberbe adolescente.

“Olhe, você aí!” – gritou alguém.

Como o Velopata sabe que é todo bom mas não é nada convencido, nem se dignou a olhar.

“Olhe, desculpe, você aí na bicicleta!” – berrou novamente.

Era o adolescente montado na lambreta que berrava para o Velopata.

“Sim?” – retorquiu o Velopata.

“Você é português?”

“Não.”

“É de onde?”

“Sou um cidadão do mundo.”

“Hã?”

“Nada, nada… O que é que foi?”

“Não sei como é que vocês fazem lá onde vive mas aqui em Portugal você não devia pedalar no meio da estrada!”

“Uai? Explica lá isso!”

“Você põe-se aí a pedalar no meio da estrada e depois não o conseguem ultrapassar! Isso irrita as pessoas e depois você ainda arranja problemas!”

“Epá tens razão! Esqueci-me completamente que existe uma distância mínima de segurança para ultrapassagem no Código da Estrada e que esta estrada não dá sequer para a cumprir… Mas sabes o que é perigoso também?”

“O quê?”

“Adolescentes com a mania que são espertos e que não sabem o Código. Esses deviam ter mais cuidado ao opinar sobre o que claramente não sabem… Não vá um dia armarem-se em cromos com quem não devem e terminar com umas chapadas bem assentes no focinho, daquelas que até fazem saltar os dentes de leite!”

A Bestinha Adolescente enfiou a viola no saco e acelerou dali para fora enquanto o Velopata não pode deixar de pensar em que tipo de condutor enlatado aquela alminha um dia se vai transmorfar… Parece ao Velopata que faltam mais SuperNannys sim, mas daquelas que espetam umas boas lambadas nos adolescentes trombis, já que destes actuais progenitores mais não se pode esperar. Ele é smartphonestábletes, consolas e bugigangas para as criancinhas mas educação que é bom… Zero. Bola. Népias.

E o Velopata nem se vai alongar aqui no óbvio preconceito que os progenitores da Besta Adolescente lhe transmitiram… Pelos vistos, aqueles que recorrem à bicicleta como meio de transporte e que não aparentam ser gente pobre… São estrangeiros lá de fora.

18:07:16 – Em qualquer entroncamento citadino se podem estabelecer muitos paralelismos com essa mítica cidade portuguesa com o mesmo nome, onde muitos raros e estranhos fenómenos ocorrem. Este primeiro cruzamento de quatro diferentes estradas que o Velopata encontra no seu trajecto não é diferente. Particularmente quando se atenta ao facto que não existe um único sinal de STOP ou triângulo de cedência de prioridade e é exactamente nestas situações que a expressão selva urbana adquire todo o seu significado.

O Velopata seguia entre dois enlatados; um imediatamente na sua frente e uma Besta atrás de si que já por várias vezes havia tentado ultrapassar o Velopata apenas para chegar à sua frente ao cruzamento. É aquela lógica enlatada de a minha pressa é maior que a tua e cinco segundos são mais importantes que a tua vida.

Percebendo que a lata à sua frente não colocou nem pisca para a esquerda, nem para a direita, o Velopata, cuja intenção era virar à esquerda, decidiu ultrapassar a lata que deveria seguir em frente, quando aquela alminha decide também virar à esquerda. Valeu a pronta intervenção de Santo Tektro que permitiu que o Velopata não se esbardalhasse contra aquela porta esquerda. O enlatado também travou, decerto não pelo susto de ver outro ser humano escavacar-se de encontro à sua lata, mas sim porque ter uma amolgadela na sua resplandecente carrocaria seria uma chatice.

O acagaçado Velopata elevou os braços no ar e berrou;

“Então?”

“A´tão o quê ca#$%ho?” – vociferou a Besta pela brecha na janela.

“Então mas você vai virar à esquerda?”

“Porquê, queres ver que não posso?”

“Claro que pode, mas é melhor levar essa lata à oficina.”

“Ai é?”

“É… Os seus piscas não estão a funcionar.”

“E se fosses mas é p´ó ca#$%ho?!?!”

Lá estava novamente outra Besta com aquela fixação da genitália masculina.

Enquanto a Besta já acelerava e se afastava do entroncamento, o Velopata não pode deixar de finalmente perceber porque razão se vendem cada vez mais enlatados em Portugal, estando os seus preços mais baixos – a maioria das actuais latas já não são equipadas com piscas e isso faz reduzir o seu preço.

Exceptuando claro, aquele botãozinho dos quatro piscas.

Que como todos sabem, estando inclusivé descrito no Código da Estrada, como sendo condição sine qua non para se poder estancionar a lata onde bem se aprouver, contando que se liguem os quatro piscas.

18:07:37 – O Velopata aproximou-se da conhecida rotunda do Tribunal da Comarca de Faro e arredores, rotunda essa que deve ser outro sonho molhado de quem planifica as nossas urbes. Sendo o ponto de encontro de quatro estradas diferentes, alguém teve a asinina ideia de colocar um quinto acesso á rotunda para as latas provenientes do parque de estancionamento da Pontinha.

No acesso à referida rotunda, o Velopata fica sempre em espera porque, lá está, a maioria das latas que por lá circulam já são daquelas não equipadas com piscas e o Velopata não é um moço que se possa escrever que seja bafejado pela sorte na lotaria. Até porque se o fosse ele não faria o seu commute numa dobrável de alumínio roda 20″ da B´Twin e sim numa formosa Cannondale SuperSix Evo com quadro Ballistek Nano Aero Force Fact HMF em carbono de alto módulo, daquele que é mesmo só carbono, 100% carbono, totalmente em carbono, full aero carbono, toda montada em Dura-Ace Di3+ e com rodas que nem toda a actual coleção de bicicletas velopática vendida retornaria eirios suficientes para as comprar.

Aguardando o acesso à famigerada rotunda, o Velopata assistiu a uma situação sui generis e digna de registo; uma senhora nas suas cinquenta e muitas primaveras decidiu que o enlatado que dobrava a rotunda, preparando-se já para saír desta, não teria prioridade ante a sua lata que saía do parque de estancionamento. 

Conclusão; travagem brusca de ambas as duas latas, seguindo-se o que o Velopata reconhece como sendo o caos das latas de conserva com molho de escabeche. Buzinadelas, improprérios e outros apupos foram proferidos por ambos os dois enlatados mas o que foi dito o Velopata não pode aqui escrever pois este quer-se um blogue acessível a menores de idade.

É sempre engraçado quando o Velopata assiste aos enlatados discutindo entre eles, lembrando-o de uma certa vinheta nas aventuras de Astérix, O Gaulês, onde vários legionários romanos suspiravam de felicidade quando ouviam os gauleses à bulha entre si devido ao sempre duvidoso grau de frescura dos peixes de Ordenalfabetix, numa espécie de variante da famosa frase indiana o inimigo do meu inimigo meu amigo é.

Esta cena ganhava ainda contornos de anedota se atentarmos às notórias diferenças físicas entre os dois condutores enlatados; a senhora de cinquenta e muitas primaveras parecia baixinha e magrinha, já o moço não só tinha a razão do seu lado, como também aparentava ser um daqueles armários de ginásio, com algum sangue a correr nas artérias e veias entupidas em esteróides.

Seria a mesma situação possível se a Besta feminina não tivesse a proteção da lata? Se tal ocorresse, por exemplo, numa fila de supermercado?

18:09:51 – O Velopata fez a rotunda sem quaisquer problemas até que já bem perto da saída, eis que uma Besta aparece toda acelerada e mesmo trocando olhares com o Velopata… Atira a sua lata para o interior da rotunda e para a frente do Velopata, valendo novamente a divina jurisprudência de Santo Tektro que permitiu ele não se esbardalhasse contra a Besta mas, fruto da iminente queda e desvio de trajectória que o Velopata se viu forçado a fazer, acabou dando mais uma volta à rotunda, numa espécie de Tour du Rond-Point de la Comté du Cour de Fare.

Aquilo irritou solenemente o Velopata que, percebendo que a Besta seguiu a estrada que também ele ia seguir, acelerou na esperança de a apanhar mais à frente, sabendo da existência de um sumáfro que 99,99% das vezes que ele lá passa, encontra-se vermelho, ou encarnado.

E lá estava a Besta, parada na fila.

Existindo espaço à esquerda da Besta, o Velopata parou a sua Cappuccino ao lado desta e olhou para o interior; uma Lady Besta nas suas asininas quarenta-e-poucas primaveras, toda cosmopolita, muito independente e dona de seu nariz, qual fútil fêmea saída da série O Sexo e a Cidade, ignorou a velopática figura a seu lado, continuando a olhar em frente.

“A senhora viu o que fez ali atrás?” – questionou o Velopata através da frincha da janela.

Cri, Cri… Cri, Cri…

(onomatopeia representativa do som dos grilos na noite, o único som proveniente do interior da lata)

“Ah! Estou a ver… Para além de não saber o Código da Estrada já percebi que também é mal-educada e não responde quando a questionam!” – insistiu o Velopata.

Esta segunda confrontação mereceu uma resposta do interior da lata sob a forma de… A Lady Besta fechou a janela.

O Velopata decidiu fazer uma pequena brincadeira com aquela mal-educada, avançando para se colocar no espaço existente entre a lata de Lady Besta e um outro enlatado que ocupava o primeiro lugar da fila. Sacando do seu smartphone, o Velopata fingiu capturar uma bela fotografia de Lady Besta e sua lata, apenas para ser brindado com um olhar onde claramente se viam raios, trovões e coriscos.

mui estimado leitor nem vai acreditar nas únicas palavras que Lady Besta vociferou, após o sumáfro abrir e as latas começarem a avançar enquanto ele, parado na berma, guardava o smartphone no bolso…

“Experimenta por essa merda na net e vais ver o que te acontece!” – rugiu Lady Besta.

Quem pode estar preparado para uma retaliação destas?

Nenhum tabefe ou até chapada com as costas da mão seriam capazes de incutir bom senso, educação e respeito pelo próximo a uma Besta deste calibre.

Até o durão Liam Neeson seria derrutado por K.O.I..

Knock-Out por Imbecilidade.

18:11:19 – Seguindo por uma rua paralela ao Mercado de Faro, o Velopata reconhece este como sendo outro local de perigo iminente; mesmo seguindo sempre encostado à berma direita do alcatrão, fruto dos muitos lugares de estancionamento que aí existem, o que não falta são enlatados que sem pré-aviso ou pisca, optam por guinar bruscamente as suas latas para a direita, sempre ávidos de lugar de estancionamento gratuito.

Neste dia, claro, não seria diferente.

Por esta altura, os mais acérrimos seguidores deste espaço velointernético já serão conhecedores da ligação neurofibrocarbonoencefálica que o Velopata tem com todas as suas amadas montadas, manifestando-se esta conexão através de um apurado instinto e alarme que dispara no cérebro velopatóide sempre que o perigo espreita… Uma espécie de sentido de aranha, em tudo semelhante ao do super-héroi O Incrível Homem-Aranha, com a grande diferença que o do Velopata é em carbono.

Lá seguia o Velopata encostado à berma, quando o sentido de perigo carbonatado disparou no interior de seu cérebro. Olhando para o lado, o Velopata observou aquela patética imagem no interior da lata que o ultrapassava; uma jovem conduzia a sua lata segurando o volante e um cigarro aceso com a mão esquerda, enquanto a mão direita segurava o smartphone. A sua atenção à estrada era… Nula.

De imediato o Velopata reconheceu aquele estereótipo de fêmea; mesmo muitos anos passados após deixar a bela vila de Cascais; as Bibás Pitás, Pituchas, Chicas & Companhias Lda. são facilmente reconhecíveis pelo atento Velopata, seja pelos bonitos e longos cabelos louros com as raízes pintadas de preto, as belas unhacas de gel que fariam inveja ao Wolverine ou o smartphone pejado de cristais Swarzikoff ou lá o que é.

Com o sentido de perigo carbonatado ao rubro, o Velopata imediatamente pousou as mãos sobre os manípulos de travão da Tektro e claro… Ele só não vence o Euromilhões porque não joga.

Zás!

Num ápice a Besta Projecto de Tia ´Tá a Ver?, desviou a lata para a direita de modo a estancioná-la, forçando o Velopata a uma brusca travagem que certamente deixa o mui querido leitor a questionar-se quanto deverá o Velopata gastar anualmente em calços de travão.

Acagaçado e imobilizado no alcatrão, o Velopata ainda equacionou aguardar que a Besta Projecto de Tia ´Tá a Ver?, saísse da sua lata, confrontando-a, no entanto, dadas as óbvias diferenças ao nível da linguagem, seria muito difícil para o Velopata entender aquele dialecto de Tia, carregado de palavras como caturreira chiquérrimo. Afinal de contas, já são muitos os anos decorridos desde que ele deixou Cascais para trás.

Até porque explicar a uma futura Tia que a vida do Velopata e a atenção que deve prestar ao ambiente que a rodeia enquanto conduz é infinitamente mais importante que fazer like naquele post com uma fotografia da amiga Pitucha que posa ao lado do seu Personal Trainer de nome Bernaaaaaaardo, ambos os dois fazendo aquele beicinho à peixe com uma má formação genética derivada da poluição no Rio Tejo, seria tarefa hercúlea na qual até Liam Neeson pensaria duas vezes antes de meter mãos à obra.

Ou meter mãos à chapada.

Que era o que aquela Besta projecto embrionário de Tia merecia.

18:13:48 – O Velopata aproximou-se de novo local de estranhos fenómenos onde novamente as autoridades competentes mostram incompetência, não colocando um único sinal de cedência de prioridade nas ruas que lá se encontram.

A última vez que o Velopata leu o Código da Estrada, ele ia jurar que a regra geral da prioridade é que esta deve ser cedida a todos os veículos que se apresentem pela direita.

E era justamente pela direita que o Velopata se assomava a este entroncamento.

Pela esquerda, um primitivo veículo de duas rodas com motor aproximava-se do Velopata, produzindo aquele irritante roncar mais barulhento que o dos vulgares enlatados, no entanto, capaz da mesma poluição ou até pior.

No exacto momento em que o Velopata se preparava para usufruir da sua legal prioridade, a Besta Motorizada decidiu atirar a sua primitiva montada para a sua frente, forçando nova intervenção de Santo Tektro, enquanto gritou;

“Olha lá ó ca$%€ho, tu não tens motor logo não tens prioridade! Queres andar na estrada vai mas é aprender o código ó car$%€ho!”

Um mimo de educação, sensibilidade e bom senso.

Como analisar ou até explicar esta situação?

Seria inveja por o Velopata ter um evoluído veículo de duas rodas que não precisava de um básico motor de combustão, capaz de sugar tudo o que é material conhecido pela humanidade para a sua construção? Seria pura e simples inveja das pernas do Velopata? Seria estupidez?

E ainda há os que nas caixas de comentários da internet, defendem que os ciclistas, esses prevaricadores do asfalto e passeios, só teriam a ganhar com a obrigatoriedade de aulas de Código da Estrada para poderem circular. Este exemplo motard só comprova a teoria que o Velopata tem defendido nas várias publicações deste recanto velocibernético – no alcatrão português está-se tudo cagando para o Código da Estrada e suas actualizações.

18:14:59 – Aproximava-se o pico de stress do quotidiano velopático que é a passagem por aquela que é conhecida como a Rotunda do Hospital de Faro, especialmente quando a hora de ponta está ao rubro.

Mas em antes de aceder à referida rotunda, o Velopata atravessa uma rua na qual o traço contínuo e os muitos enlatados que circulam em sentido contrário dificultam as ultrapassagens.

O Velopata sentiu a rápida aproximação enlatada à sua traseira, quase sentindo a ofegante e ávida de ultrapassagem respiração da Besta que a conduzia mas, apesar de se manter perigosamente perto, quem quer que fosse que a conduzia manteve-se na roda do Velopata, mostrando algum respeito e levando-o até a comentar com a querida Cappuccino;

“Viste minha querida? Nem tudo está perdido, ainda há por aí bichos humanos que…”

O Velopata e a sua grande, mas bem bonita, boca.

Nem o raciocíno velopático se havia expressado totalmente e já o Velopata levava uma monumental razia que o abanou até ao âmago do core, levando a que se desenvolvesse uma pressão tal sobre a bexiga que retesantes pontadas se sentiram, tendo ele de se conter para evitar chegar encharcado ao conforto do lar. Pela trajectória enlatada percebeu-se claramente que o único objectivo do selvagem que a conduzia era não pisar o traço contínuo, o que o Velopata até entende; parece que pisar o traço contínuo dá multa mas assassinar outro ser humano com recurso a uma lata é… Um acidente de viação.

De imediato o Velopata alevantou os braços e reclamou, apenas para ser surpreso pelo enlatado que ligando os quatro piscas, encostou na berma, sinalizando ao Velopata que parásse junto de si.

“O que faria o Liam Neeson nesta situação?” – pensou o indignado Velopata – “Com certeza espetaria um bom par de tabefes naquela Besta em antes que abrisse a matraca para dizer fosse o que fosse.”

E enchendo-se de confiança e coiso, o Velopata lá parou ao lado da Besta.

O peito inchado à galináceo com mania que é o garanhão da capoeira e arredores foi ralo abaixo assim que o Velopata se apercebeu da etnia do condutor do enlatado em questão.

Cigano.

“Adeus mundo cruel… Agora ele leva aqui uma facada ou um balázio e pronto… Bem, pode ser que no Além já tenham Eurosport e ele sempre poderá ver o Velopatazinho vencer um Tour…” – pensou um Velopata de esfíncter retesado.

“Aaaaaiiii vezinho, ma´ qual é o seu problema?” – questionou o cigano farense que, pelo menos, não tinha aquela lágrima no canto do olho, sinal de que já havia suicidado alguém.

“Você viu a razia que me passou?”

“Aaaaaiiii vezinho, ma´ qual razia?”

“O seu espelho passou a centímetros da minha mão!”

“Ó vezinho, a´tão ma´ você queria que eu pisasse o traço contínuo? A´tão e a bófia?”

“Mas você acha mesmo que a Polícia o ia multar por ultrapassar uma bicicleta?”

“Aaaaaiii vezinho, você diz isso porque não é a si que lhe tiravam a carta!”

“Olhe lá, você não pode esperar um bocado para me ultrapassar?”

“Vezinho, eu não posso pisar o traço contínuo e queria ultrapassá-lo que eu não ando aqui a brincar!”

“Pois, porque já eu ando aqui a brincar. Já agora, diga-me uma coisa, esse seu veículo é quanto de cilindrada?”

“Vezinho, ma´ qu´é isso, aaaaaiiii?”

“A potência do motor.”

“É um mil e duzentos, porquê?”

“Quando vem atrás de si um daqueles tipo Ferrari, você também se desvia para o deixar passar? É que ele é bem mais rápido que o seu!”

Esta simples e básica lógica apresentada pelo Velopata pareceu originar um system fatal error crash no CPU cigano.

“Você não queria pisar o traço contínuo. Certo. Já agora, sabe qual é a distância mínima de segurança, que até está escrita no Código, para ultrapassar uma bicicleta?” – questionou o Velopata.

“Trezentos… Trinta… Mil…” – foi a balcuciante resposta do zíngaro.

Que raio de distâncias apresentava a Besta Cigana à questão velopática é a pergunta que decerto o querido leitor se coloca e também o Velopata se colocou.

“É um metro e meio!” – rematou o Velopata.

“Aaaaaiiii, ma´ a´tão como é qu´o vezinho queria que eu desse um metro e meio se a estrada tem traço contínuo?”

“Se calhar… Se calhar não ultrapassava, não acha?”

“Aaaaaaiii vezinho, ma´ eu não ando aqui a brincar!”

Ante tanta teimosia, só uma última opção restava ao Velopata.

Desistir.

Não fosse a troca de ideias azedar e terminar com uma xinada ou fugachada a este vosso compincha deste duro circo que é a vida do pedal.

Enquanto a Besta Cigana ainda resmungava, o Velopata deixou-o para trás e fez-se novamente ao alcatrão.

Podia ser uma anedota mas não. O vezinho voltou a ultrapassar o Velopata, novamente não respeitando a distância mínima de segurança. Porque lá está, bichos humanos há que só entendem uma linguagem…

18:19:41 – A pedalada diária já se tinha revelado tão complicada que só faltavam ao Velopata dois últimos, complexos e perigosos segmentos; a Rotunda do Hospital e subir a Avenida Calouste Gulbenkian.

Por incrível que possa parecer ao mui querido leitor, na Rotunda do Hospital, apenas uma enlatada Besta se lançou na frente do Velopata quando este já se aproximava da saída, não chegando a ser necessária uma brusca travagem mas é como dizem os comentadores desse desporto menor onde vinte e dois gajos andam aos chutos a um objecto esférico de poliuretano – ficou o registo. O Velopata ainda fez sinal de luzes, passando rapidamente a mão pelo seu farol de frente, no entanto, a resposta da Besta foi o que já se esperava.

Um belo manguito.

Sério, alguém pode explicar na caixa de comentários desta publicação, a razão para esta fixação com a genitália masculina?

18:19:57 – Imediatamente na saída da Rotunda do Hospital existe uma larga e longa passadeira para bichos humanos que ainda não descobriram a maravilha da bicicleta a pedal, vulgarmente conhecidos como peões.

O Velopata, sentindo já no horizonte o quentinho aconchegante do lar, aliado ao facto de que a Avenida é uma subida que mesmo sendo simples de fazer com a Estrela Vermelha, com uma dobrável de roda 20″ como é a bela Cappuccino, todo o embalo que se apanhe antes é uma ajuda, ele acelerou até se aperceber que um progenitor e sua cria se preparavam para atravessar a referida passadeira.

Ao perceberem a rápida aproximação do Velopata, qual não é o seu espanto quando ouve o progenitor dizer;

“Vá, siga! Um peão não pode nem deve obrigar um ciclista a colocar o pé no chão. Dê-lhe gás!”

O choque cerebral velopático foi tal que ele cessou a pedalada, parando perto do dueto.

“Não, por favor, por quem sois. No reino alcatroado o peão tem e terá sempre prioridade ante todo e qualquer tipo de veículo.” – retorquiu o Velopata.

“Muito obrigado, amigo.”

“De nada.”

O Velopata viu-se forçado a conter as lágrimas nos olhos perante aquele oásis de boa educação, sensibilidade, bom senso, cortesia, respeito pelo próximo e… A lista de nobres adjectivos podia continuar até à próxima publicação velopática que mesmo assim não seriam suficientes ante tão altruísta acto.

Verdade seja escrita, esta podia muito bem ter sido a última interação do dia, deixando assim o Velopata com uma pequena réstia de esperança por uma humanidade que parece há muito condenada ao fracasso enquanto habitante deste terceiro calhau do Sol sem futuro histórico.

18:21:33 – Enquanto sobe a Avenida Calouste Gulbenkian, o Velopata faz sempre um engraçado e curioso jogo mental que consiste em calcular uma estatística do número de enlatados que não respeitam a mínima distância de um metro e meio de segurança quando o ultrapassam, apesar de existirem duas faixas de rodagem no mesmo sentido.

“Um civil, dois civis, três civis e… Olha que giro! Um enlatado de uma escola de condução acabou de passar uma razia, que futuro promissor aquela Besta Instrutora prepara à sua Aprendiz de Besta… quatro civis, cinco civis, um grande enlatado de transporte de crianças para um infantário qualquer também não deixa a coisa por menos, pois há que dar o exemplo às crianças…” – era este o diálogo mental que o Velopata estabelecia com a sua Cappuccino, à medida que se aproximava o primeiro conjunto de sumáfros da Avenida, ali colocados pela Câmara Municipal para refrear as absurdas velocidades enlatadas.

Feitas as contas, aí uns 99,99% dos enlatados que ultrapassaram o Velopata não cumpriram a distância mínima de segurança.

O que não é má estatística de todo.

Há que ver as coisas pelo lado positivo – ao menos as Bestas são coerentes.

Com a aproximação desse primeiro conjunto de sumáfros, o Velopata ainda desconhecedor, estava na iminência de receber a M.T.R. do dia.

A Mãe de Todas as Razias.

Uma lata de gigantes proporções, daquelas que servem para transportar gente pobre que nem dinheiro para um bicicleta tem (escreverá certamente o jerico editor do Jornal de Notícias), também conhecida pelos leitores como um autoca… Autocar… Transporte público, passou uma razia tal no Velopata que, desta vez, não apenas a bexiga se contraíu como também o esfíncter deu sinais de real panicanço, não podendo o Velopata afirmar hoje com 100% de certeza se alguma flatulência terá sido expelida ou não.

O que não deixa de ser curioso é o nome escolhido por esta empresa de transportes colectivos, escrito em garrafais letras azuis e pretas, ou negras, ao longo da chapa lateral da lata.

Próximo.

Durante muitos anos o Velopata se questionou porque razão esta empresa terá optado por tão estranho nome mas, neste dia, quis Nosso Senhor Joaquim Agostinho que se fizesse luz na mente velopática.

A empresa chama-se Próximo pois é assim que os seus condutores armados a Besta ultrapassam os ciclistas.

Próximo.

Até demais.

Após aquela razia que pareceu durar uma eternidade, dado o comprimento da lata em questão, o Velopata sentiu-se por uns momentos a pedalar no vazio e de cérebro navegando na maionese até que, fruto da escandalosa velocidade a que a Besta Próxima se movia, o sumáfro caíu para vermelho, ou encarnado, lá na frente.

Acelerando e com extrema cautela o Velopata aproximou-se pela direita da Besta Próxima, ultrapassando-a e parando na sua frente. Trocando olhares com a aventesma no interior, o Velopata fez um simples sinal com suas mãos, agradecendo a razia que lhe havia sido espetada segundos antes.

A questão que ainda hoje o Velopata se coloca é; o que poderá ele ter feito para justificar aquela reacção da Besta?

Sozinho no interior da lata para transporte colectivo de gente pobre, talvez por passar muitas horas sentado a conduzir, o que acarreta sempre problemas ao nível da virilidade, talvez por estar farto de sentir o mau cheiro a súor e bedum de gente pobre, o certo é que a Besta Próxima irrompeu num festival de gesticulanço e gritaria na direção do Velopata.

Se não fosse pela violência que o mafarrico parecia emanar, aquilo até tinha o seu je ne sais quois de cómico, pois com todos os vidros e janelas fechados, nada se ouvia do que a indignada Besta Próxima berrava. E como ele gesticulava, chegando até a apontar para o passeio adjacente à avenida mas, sabendo o Velopata que a Besta Próxima era um profissional altamente treinado para lidar com o diário caos enlatado citadino, o Velopata não chegou a perceber muito bem porque razão ele apontava para o passeio – será que no meio de toda aquela raiva contida, a Besta Próxima havia sonegado o seu treino e esquecido que as bicicletas não podem circular no passeio?

Algures no meio de toda aquela berraria silenciosa, o Velopata conseguiu perceber que os lábios cheios de espuma raivosa da Besta Próxima soletraram a palavra Alho. Como para além do treino de condução, a Besta Próxima também devia ter passado por um rigoroso e intensivo treino em educação e boas maneiras, só uma opção pareceu ajustada ao Velopata – a Besta Próxima estava realmente irritada por não ter ainda conseguido replicar a famosa receita vegetariana de Alho à Brás do Velopata e, afinal de contas, aquilo não era apenas raiva e sim, frustação.

“Olhe, não se preocupe que a receita é simples!” – berrou o Velopata – “É só refogar um pouco de alho e cebola em azeite, juntando o alho francês cortado em rodelas fininhas. Quando tudo estiver alourado é só juntar o Brás e já está! Sirva com uma salsa picadinha que fica bom!”

Apesar de partilhar com a Besta Próxima a saborosa receita, a verdade é que o moço não pareceu acalmar, continuando o furioso gesticular no interior da lata. Foi então que o Velopata teve outra genial iluminação cerebral – apontar para a matrícula identificativa da lata, dando a entender à Besta Próxima que o Velopata até dava uns toques na escrita e que faria queixa dele junto das Autoridades Competentes.

E não é que aquilo resultou?

sumáfro passou a verde e a Besta Próxima acelerou, desaparecendo no horizonte.

18:25:52 – O Velopata chega ao conforto do lar, tendo sobrevivido a mais uma penosa jornada de pedalada urbana. Mas em antes que o P.D.I. fizesse das suas, ele sentou-se em frente do seu PC e redigiu um e-mail ao endereço indicado no site da Próximo para queixas.

Actualmente o Velopata já desistiu de esperar receber uma resposta.

 

Sentado no seu Cangalho que está montado na máquina de auto-flagelação e tortura que é o rolo de treino, o Velopata sofria à medida que reflectia sobre os vários momentos do dia.

Quem seria o justo vencedor do prémio de B.D.D.? A Besta Do Dia?

A conclusão era óbvia.

Todos mereciam o prémio.

E foi com tudo isto em mente que finda a hora e meia de sessão de miséria embutida nas pernas sob a forma de um treino de força e potência no rolo de treino, que o Velopata reuniu toda esta informação sob forma de uma carta endereçada ao Vaticano, essa capital mundial de seres humanos que aquando da ocorrência de catástrofes naturais lança de imediato o apelo aos governos do mundo para que se entreajudem, quando bastaria vender um só daqueles colares de ouro que trazem ao peito e a dívida de todos os países do continente africano ficaria paga, para que o número da Besta seja actualizado para algo mais moderno como;

66-XX-66.

 

PS velopático: Infelizmente o filme de Liam Neeson não é sobre um commuter que vê a sua querida montada roubada, iniciando uma épica jornada de distribuição de porrada em monte para a reaver. Ao que o Velopata conseguiu apurar à hora de publicação deste texto, Liam Neeson faz sim o papel de um pobre que nem dinheiro para a bicicleta tem, sendo forçado a recorrer ao comboio para as suas deslocações. Pelos vistos alguém lhe rouba não-sei-o-quê no comboio e o resto o querido leitor já sabe. É distribuição de bordoada à grande e à avec. O que lembra o Velopata da última vez que ele foi forçado a recorrer ao comboio… Só que na Linha de Amadora – Sintra. A falta que um Liam Neeson lá não faz… Mas isso são outras histórias de outros tempos.

 

Abraços velocipédicos,

Velopata

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