Uma polémica… Aero

A notícia caíu no mundo internético com mais estrondo do que o provocado por um míssil norte-coreano.

O heterónimohomónimocoiso do Velopata adquiriu umas barras de guiador aero.

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O grande Pantera, médico, cirurgião e mecânico oficial da Estrela Vermelha, monta as barras de guiador aerocoisas sob o atento olhar velopático, na G-Ride.

De imediato choveram saudações e felicitações batráquias na caixa de comentários deste vosso compincha do pedal; por alguma alucinada razão, estas Testemunhas de Batráquio, seres que passam grande parte da sua vida útil a tentar convencer os demais comuns mortais a juntar-se à sua causa, convenceram-se que por ter adquirido umas barras aero, também o Velopata se havia convertido ao Batraquismo. Ou Triatlo, para o leitor civil, ainda não habituado a toda esta terminologia velocipédicopática.

O cérebro velopático deu por si acometido do que aparentava ser um crash iminente; porque razão esta malta parece acreditar que as barras aero foram inventadas de e para batráquios?

Sabendo os queridos leitores que o Velopata está sempre disposto a contribuir, ele decidiu hoje vir até vós para colocar os pontos nos i, deixando aqui um pedacito de história velocipédica.

Reza a lenda que as barras aero foram observadas pela primeira vez no ano de Sua Santidade Agostinho de 1984, durante uma edição da RAAM (Race Across America), na qual o malogrado quarto lugar da edição, Jim Elliott, apresentava na sua bicicleta umas bugigangas presas no guiador de alumínio (como conseguia esta primitiva gente viver sem carbono?!?!), cuja principla função seria evitar o Síndroma de Palsy.

“Ó Velopata, o que é o Síndroma de Palsy?” – questionará o mais-que-tudo leitor.

Como o próprio termo indica; “Pal” de palma da mão e “Sy” de… Coiso; este síndroma traduz-se numa dormência tal nas manápulas do atleta que o simples acto de engatar mudanças ou travar se tornam uma titânica luta entre dedos e manetes, digna de gladiadores da Roma Antiga. Durante os treinos que antecederam a sua participação nesta prova, que tanto sonho molhado potencia neste vosso amigo Velopata, Jim Elliot, com certeza ter-se-á apercebido que a condução da sua bina com recurso às aero-bugigangas do guiador, permitia retirar muita da pressão que as suas manápulas sofriam.

Outro importante factor foi a posição corporal em cima da bina; deitado sobre as referidas barras aero, o atleta adquire mais um modo de se posicionar, evitando dores aqui e ali, típicas de quem passa tantas horas em cima do selim recorrendo apenas à variação entre 3 posições (manápulas no guiador, nas manetes ou nos drops).

Por último vem, claro, a vantagem aerodinâmica que tal posicionamento proporcina. Deitado sobre a bicicleta, o atleta consegue cortar o vento de uma maneira mais eficaz que as actuais máquinas dos hipermercados a fatiar queijo em finíssimas tiras, traduzindo-se num vantajoso ganho de potência láctica da aerobiose do ciclo de Krebs da cadência dos watts produzidos. Isto, aplicado ao mesociclo da endurance, como é óbvio. E quanto às fatias de queijo? Essas estão cada vez mais finas mas o preço, esse é sempre igual ou superior.

Ainda assim, mesmo após o 4º lugar do moço na RAAM, a comunidade velocipédica da época, sempre relutante à inovação, não ficou convencida. Teria de se esperar pelo último dia de competição do Tour de France de 1989, onde se aguardava um contre la monde individuel renhido. Para espanto e gáudio do público, o grande L´Americain Greg Lemond, aparece para o referido contra-relógio, dotado de umas bugigangas semelhantes às usadas pelo seu compatriota 5 anos antes… E lá o L´Americain obrigou a restante concorrência a engolir umas valentes carochas, vencendo mais um Tour, fruto do seu tempo canhão, obtido graças às bugigangas presas ao guiador.

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Distribuição de carochas em monte pelo L´Americain Greg Lemond durante o contre la monde individuel da Volta a França de 1989.

Nesse dia, o ainda imberbe Messias do Batraquismo, que o Velopata desconhece pois a única religião aceite por ele é a Velominati, assistia à transmissão televisiva do Tour e tendo em conta que esta malta pedala distâncias absurdamente curtas e com zero ou nenhuma subida, o jovem mafarrico reconheceu logo ali as vantagens que poderiam advir do uso de tais adereços nas suas bicicletas.

Fast-forward 20 anos para a actualidade e por alguma infame razão, os Batráquios acreditam que as barras de guiador aero foram inventadas para a prática do Batraquismo. Ou Triatlo. Coiso.

Mas se o querido leitor pensa que apenas os Batráquios delilaram com a aquisição velopática, engana-se.

Também os restantes compinchas do pedal que se auto-intitulam ciclistas de barba rija e perna depilada se apressaram a comentar, tendo o querido Pro Ressabiado protagonizado o mais acutilante comentário – “Até me custa olhar para a foto… No que tu te tornaste?!?!?!”

O que toda esta ressabiada troupe parece esquecer é o facto de o Velopata apresentar uma predisposição para pertencer a uma variedade de ciclista diferente e que, à semelhança dos granfondues que pululam que nem deliciosos cogumelos shiitake pelo nosso país, está em clara expansão de mercado com o aumento do numero de provas por esses 5 continentes deste terceiro calhau a contar do Sol.

O ultra-ciclismo.

Ou ciclismo de longas distâncias.

Ou mesmo Ciclo-Peregrinos, como lhes chama O Grande Batráquio.

Mas para poder pertencer a tal categoria de heróis velocipédicos, afinal de contas dizem os psicólogos que todos queremos sentir-nos aceites e respeitados dentro das nossas troupes, o Velopata sabe que tem de dar ao litro mas, principalmente, gastar os seus suados eirios em material que permita tais façanhas velocipédicas.

Se o desconhecimento e a dúvida ainda assolam a mente do querido leitor e tendo em conta que uma imagem não valerá mais que mil pedaladas mas sim mil palavras, por favor atente à foto abaixo;

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A máquina usada pelo grande falecido-mas-não-esquecido Mike Hall durante a edição de 2017 da Indian Pacific Wheel Race, uma deliciosa provação e também um outro sonho molhado velopático de 4000 quilómetros no país onde todos os animais são venenosos e a simples picada de um mosquito pode terminar com a amputação de um membro. Na Austrália, portantos.

Para além das notórias pochetes que saltam à vista no 7up da foto acima, com certeza o querido leitor já reparou que, presas ao guiador, lá estão também as barras aerocoisas.

Quem acompanha este espectacular espaço internético que é o Blog do Velopata poderá já saber que o Velopata tenciona tentar a participação na Transcontinental Race de 2019, entre outras aventuras velocipédicas que já se vislumbram no horizonte.

Tendo em conta o acima exposto, não surpreenderá ninguém o facto de o único comentário assertivo sobre tão marafada compra velopática surgir do único tuga que o Velopata conhece ter completado a Transcontinental Race, neste mesmo Ano de Sua Santidade Agostinho de 2018, e com quem o Velopata trocou amizade, tendo afincadamente acompanhado a sua maravilhosa provação, sob a forma de um pequeno ponto num mapa (o Velopata foi um dot watcher, uma maneira mais que ridícula de acompanhar uma prova velocipédica, na modesta opinião da Srª Velopata), ao longo dos cerca de 3650 quilómetros que compunham a edição deste ano, enviando ao moço palavras de conforto, coragem e força velocipédica.

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Parece ao Velopata que é necessário um ciclo-peregrino para reconhecer outro.

E não se trata de apenas mais um cheirinho de velocidade, o recurso à condução da bina com as barras aerocoisas levou a que as médias das voltas velopáticas aumentassem. A Estrela Vermelha está assim transmorfada numa Aero Estrela Canhão Vermelha.

Como tal deixem o Velopata em paz com as suas barras aerocoisas e pochetes presas em tudo o que é tubagem carbónica. Ele gosta e só assim se consegue sobreviver a tamanhas façanhas velocipédicas.

Já agora, porque se escreve sobre façanhas velocipédicas; porque razão o Velopata recebeu ainda tão poucas confirmações em relação à vossa participação na Odisseia Algarvia?

Lembrem-se… Dos fracos não reza a história!

Quer-se dizer; até reza, mas não por tão bons motivos quanto participar neste garantido mega empeno.

 

Abraços velocipédicos,

Velopata

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