Esta volta não é para meninos

Pois é caros companheiros, palhaços e amigos deste circo que é a dura vida do pedal, estão prontos para mais uma aventura velopática daquelas de se lhe tirar o cycling cap e deixar uma bela dor na pernoca depilada?

Muitos se recordarão de, no transacto ano de Sua Santidade Agostinho de 2016, o Velopata ter tentado a travessia de todo o reino dos algarves, assim, de estalo.

Muitos recordar-se-ão também do facto do plano velopático ter falhado que nem um guiador de crabone chinês, devido à falha do malogrado cabo das mudanças, justamente numa secção do percurso onde o Velopata selvaticamente carregava, modo full throtle aerochronocarboncoiso, com as mudanças o mais pesado possível.

Depois de ouvir aquele Clack!, o Velopata caíu na realidade com os seus bonitos olhos castanho-esverdeados marejados de lágrimas dada a impossibilidade de completar a sua Odisseia Algarvia mas… Pior ainda foi telefonar à gravidérrima Srª Velopata para que, a bordo da sua lata, o fosse resgatar a Portimão e a uns míseros 60 quilómetros de completar tamanha façanha.

Uma vergonha.

Mas como ele é um gajo esperto e não aprende com os erros, cá está ele novamente com o intuito de completar tamanha proeza.

E é aqui, mais-que-tudo leitores ciclistas, uma vez que o leitor civil não é para aqui chamado, que vossemecês entram.

O Velopata estende desde já o convite a quem quiser participar, tendo o privilégio de pedalar em tão ilustre companhia como é a deste vosso amigo. Nem que seja por 1 mísero quilómetro ou quiça, caso se sintam muita fortes, o percurso completo.

Começemos então pelo mais importante; o percurso.

A ideia assenta em partir de um ponto central no reino dos algarves e a Ilha de Faro parece um óptimo local onde iniciar tamanha epopeia. Mais não seja porque por estas épocas do ano balnear já se deve poder estancionar as latas e caso algum marafado se queira juntar ao Velopata não recorrendo única e exclusivamente à bicicleta (sabendo de antemão que vai ouvir bocas foleiras e outros impropérios), pode sempre deixar aí a lata. Segue-se até São Brás de Alportel, abordando depois a clássica estrada até Tavira. Daí entra-se na famigerada N125 onde com toda a cautela se segue até Vila Real de Santo António e ao “quilómetro zero” da ecovia algarviana.

Pausa para fotos, selfies e coiso, e a troupe seguirá viagem por uma das mais belas estradas algarvias que é a N122, deslizando ao longo do Rio Guadiana, até Alcoutim. Daí pedala-se através da N124 até Cachopo, passando por Barranco do Velho e Alte, com uma mais que obrigatória pit-stop no Germano BiciArte Café e chegando a São Bartolomeu de Messines entra-se no segundo famigerado segmento do dia que será o IC1, onde os selvagens enlatados conduzem como se de uma auto-estrada se tratasse. Daí a viagem segue até Nave Redonda, virando depois para Monchique. Segue-se a ruptura de pernas da Fóia, com uma pausa aos 902 metros de altitude para mais fotos, selfies e coiso. Regresso a Monchique onde, caso Suas Altas Entidades Velocipédicas o desejem e as colaboradoras que lá colaboram também, se faz uma pit-stop na famosa bolaria de Monchique, aquele magnânime e apetitoso estabelecimento com vista para a Yé-Yé do século passado.

Porque além de Velopata, ele também é… Bolopata.

De Monchique desce-se até à Pedreira onde se vira na direção de Marmelete, segue-se Aljezur e pouco depois desvia-se para Sagres, indo ao encontro do percurso do Tróia-Sagres, ou como o Velopata o conhece, Tróiapocalipse. Em Sagres novamente uma pausa para fotos, selfies e coiso na Fortaleza e regresso até Portimão pela N125 onde todas as cautelas serão poucas de modo a evitar furos, quedas, atropelamentos e a morte dos artistas.

Em antes de Portimão toma-se a direção do Porto de Lagos, seguindo-se até Silves e novamente se entra na N124 de regresso a São Bartolomeu de Messines, entrando a aventura na descida até ao Purgatório, seguindo-se Paderne, Boliqueime e finalmente acedendo a Loulé pelo lado oeste.

Evita-se a via rápida para Faro através da renovada estrada paga com eirios suecos que liga Loulé a Santa Bárbara de Nexe, desce-se em direção ao Patacão e daí… É um tiro até chegar novamente à Ilha de Faro.

Portantos é mais ou menos… Isto.

percursooa2017
Percurso da Odisseia Algarvia, versão 2.0, 2017

Podem consultar o GPXcoiso da loucura velocipédica, aqui.

Resumindo, serão cerca de 508,4 quilómetros com um total de acumulado a rondar os 7000 metros.

É chegada a hora de saírem da vossa zona de conforto e um desafio destes pode muito bem ser a descoberta de amor por esta modalidade velocipédica que o Velopata tanto aprendeu a apreciar – as longas distâncias.

Mas se apenas o percurso e a quilometragem per se não são suficientes para os convencer a juntar-se às fileiras velopáticas, o que dizer do perfil altimétrico que espera os que decidam juntar pernocas ao Velopata nesta aventura?

altimetriaoa2017
A verdade é que assim vista a altimetria, a monstruosidade da coisa nem aparenta ser tão complicada.

Convite feito, o Velopata deixa aqui uma série de recomendações, importantes a todos os que se queiram juntar neste maravilhoso empeno, tendo sempre em conta que toda esta grandiosa epopeia deverá sem completada em autonomia velocipédica. A ver;

  • Trazer a bicicleta; podem participar a bordo de qualquer velocípede desde que não munido de motor, excepção feita a quem apresentar atestado médico que permita a utilização de uma ebikecoiso. Recomenda-se uma bicicleta de estrada mas quem ainda não tenha evoluído, pode sempre trazer a sua bêtêtê, roda 26″, 27,5″ ou até mesmo uma tuénináiner. Garantia certa de que quem quiser fazer estes quase 510 quilómetros em estrada com uma bicicleta de pineu cardado, terá o dobro da diversão.
  • Luzes frontal e traseira; recomenda-se que não se armem em bike ninjas e tragam luzes, pois dificilmente se cumprirá todo o percurso em modo diurno. Com toda a certeza a saída da Ilha de Faro será durante a madrugada ainda despida de luz solar e o regresso à mesma será nocturno. Atenção redobrada à capacidade das baterias que alimentam as luzes – ainda serão aí umas 4 a 5 horas e pedalar com recurso às mesmas.
  • Colete refletor; se há coisa que os enlatados 99,99% das vezes que atropelam um ciclista dizem é que não o viram. Não importa que tal tenha ocorrido ao meio-dia de um solarengo dia de Agosto ou no maior breu nocturno. Pode não aumentar a segurança mas caso uma desgraça aconteça, o enlatado não tem por onde embirrar.
  • Material suplente; como é óbvio convém trazer pelo menos duas câmaras de ar, desmontas, ferramenta multi-funções e bomba para encher as câmaras de ar. Ou então comprem umas daquelas mini-botijas de CO2 que o Velopata também adquiriu, apesar de não fazer ideia nenhuma de como aquilo se usa.
  • Pineus em bom estado; nada de trazer pineus mais carecas que um Krishna. Arriscam-se furos ou pior, que se abram buracos no pineu e lá termina a festa precocemente. E aqui, não há Sócio Futre com os seus comprimidos que os salve.
  • Um agasalho; de certeza que ao ler estas linhas o querido leitor, ainda reticente quanto à sua participação pensa; “Mas este gajo pensa que é a minha Mãe?”. Verdade seja escrita, o Velopata já pedalou por serranas estradas e pode garantir que mesmo nas mais quentes noites de Verão, o ar serrano apresenta-se como um calor estranho. Por vezes chega a ser mesmo daquele calor em que parecemos sofrer de Parkinson.
  • Barrinhas energéticas; para o caso de em antes de uma pit-stop se torne necessário um chop-chop de emergência.
  • Dinheiro; porque não existem refeições de borla. Ou água. Pelo menos até se entrar na zona de Monchique onde as várias fontes permitirão encher os bidons gratuitamente.
  • Câmeras Go-Pro e chinesices similares; como muitos saberão o Velopata filma, realiza, produz e edita vídeos das suas aventuras, disponibilizando-os na sua página do Facebook. Com várias câmeras o vídeo que o Velopata pensa fazer desta odisseia só vai ter a ganhar. E também o Velopata vai ganhar. Mais trabalho.
  • Pernas; descansem durante a semana anterior à aventura. Será necessário que tragam o vosso melhor conjunto de pernas para a Odisseia.
  • Alimentem-se como deve ser na véspera. Evitem o alcóol, caso não o consigam, optem por bujecas da Carlsberg. Quanto à prática do amor, uma vez que esta aventura não se trata de uma corrida, podem praticar o amor à vontade uma vez que elevados níveis de testosterona e agressividade não são bem-vindos. Nunca é de mais notar que serão quase 510 quilómetros, não os vão fazer a um ritmo como se estivessem nos Tours, Giros e Vueltas desta vida!

“Ó Velopata, isso é tudo muito bonito, tu escreves realmente muito bem, és uma fonte de inspiração velocipédica para a malta, uma espécie de Gustavo Santos das binas, mas em bom, só que falta aí uma coisa. Quando é isso?” – questionará o mais-que-tudo leitor, ávido de uma boa pedalada aventureira.

A data escolhida pelo Velopata é…

 

(rufam os tambores para aumentar o suspense)

 

(rufam mais um pouquinho)

 

Domingo, 8 de Outubro de 2017.

Porquê domingo?

Porque é o dia em que os enlatados recolhem aos seus lares mais cedo, tornando-se assim menos stressante pedalar durante a noite algarvia.

Ainda assim, o Velopata deixa aqui uma ressalva; caso haja mesmo muito interesse em participar com ele em mais uma grandiosa aventura, a data pode ser mudada para o dia anterior, Sábado, dia 7 de Outubro de 2017.

Mas conseguem imaginar o que será atravessar Lagos e Portimão pela N125 numa noite de Sábado?

Pois.

Como nota final resta ao Velopata referir que a partida será muito provavelmente na Ilha de Faro, por volta das 05 da manhã. Já quanto à hora de regresso… Apenas dependeremos de nós próprios. Um pouco como os jogadores desse desporto menor que é a bola tantas vezes referem.

A todos os interessados em participar, que devem ser aos magotes, contactem o Velopata pelos canais que já conhecem. Se não aparecer ninguém… Preparem-se para o achincalhanço velopático gratuito.

E óbvio, todos estes planos estão mais que dependentes da colaboração do São Pedro.

Que, como muitos saberão, se há coisa que ele parece apreciar é lixar a vida ao Velopata.

Com F maiúsculo.

 

Abraços velocipédicos,

Velopata

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5 comentários sobre “Esta volta não é para meninos

  1. Vladimiro Matias

    Sem dúvida isto é algo que eu gostaria de faze, mas não me sinto preparado para participar.
    Talvez em outra altura, se se repetir…
    Desejo boa viagem a todos os que embarcarem nessa aventura!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Amigo, esta volta é para repetir todos os anos, sempre perto desta época do ano! O Velopata cá o espera para o ano! Mas lembre-se que poderá sempre vir acompanhar a troupe velopática durante uns quantos quilómetros!

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  2. Pingback: Uma polémica… Aero – Blog do Velopata

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