Tabaco e Aguardente transformam o são em doente

0,02 anos.

0,23 meses.

168 horas.

10080 minutos.

604800 segundos.

6048000000 milisegundos.

6048000000000 microsegundos.

604800000000000000000000000000000000000000000000000 nanosegundos.

Ou seja, 7 dias.

Há 7 dias que o Velopata não deposita alcatrão nos seus pulmões ou mesmo um cigarro toca os seus lindos beiços.

Com certeza o sempre interessado leitor questionará o Velopata sobre como está a ser a adaptação a um estilo de vida fumante free. É tão fácil que o Velopata nem entende como há fumadores que afirmam não conseguir desistir, perdendo-se novamente no ignóbil vício ao final de míseros dias passados em suplício por uma carga nicotinosa.

Não se acreditam no que diz o Velopata?

Topem só o filme ocorrido num dos últimos treinos que o Velopata fez.

O Velopata pedalou sozinho os 50 quilómetros que separam a sua casa do tasco na belíssima terra/lugar/sítio/vila/aldeia/coiso que é o Ameixial, onde uma pit-stop obrigatória para reposição dos líquidos nos bidons já estava prevista dado o inferno abrasador que estes primeiros dias de Junho têm oferecido. Sentado na esplanada, ainda de pulmão ofegante pois treinar não dói do mesmo modo que passear, o Velopata vê chegar um nativo ancião ameixialense que, após olhar para o Velopata e saír-se com um “Bom dia!”, a primeira coisa que faz é… Acender um cigarro. Dado o vento que se fazia sentir e o facto de Suas Altas Iminências Velocipédicas serem sempre umas fofuras para com o Velopata, o fumo daquele desgraçado acabou por atingir o Velopata nas suas, apesar de existir quem por aí diga que são excessivamente protuberantes, lindas narinas.

A primeira imagem que veio à mente do Velopata foi claramente cravar um cigarro ao ancião. Fora de questão. O Velopata é mentalmente mais forte que isso.

A segunda imagem que veio à mente do Velopata foi o seu Velopatazinho e a promessa há muito feita à Srª Velopata – no dia em que o casal velopático adquirisse um rebento, o Velopata deixaria imediatamente esta horrível adição.

A terceira imagem que assolou a mente do Velopata foi… Assassinar aquele ancião filho da mãe que estava ali a fumar o que deveria ser um saboroso e divinal cigarro.

Durante uns minutos o Velopata equacionou as várias metodologias que poderia usar para homicidar o filho da mãe provocador. Partir uma min vazia que estava na mesa e enfiá-la na garganta do gajo pareceu a melhor opção ao Velopata; até lhe faria um favor pois diz que fumar dá cancro na garganta e assim a morte chegaria mais depressa e menos dolorosa quer para a família, quer para a carteira do ancião.

Sabem o que o Velopata fez?

Pedalou dali para fora.

Mas se o querido leitor pensa que as provações terminariam por aqui, pense novamente.

Suas Altas Iminências velocipédicas parecem retirar um qualquer prazer sádico das provações aplicadas ao Velopata; numa última subida em antes de chegar ao Duodeno, essa outra bela terra/lugar/sítio/vila/aldeia/coiso que é o último registo civilizacional na Serra do Caldeirão antes de se atingir Almodôvar, o que viram os lindos olhos do Velopata?

Jazendo no alcatrão que nem um animal ferido, um maço de tabaco e nos quilómetros seguintes os cerca de vinte cigarros que em tempos idos o compunham, encontravam-se espalhados pela estrada, um aqui, outro acolá.

Com certeza isto não é apenas ao Velopata que soa a provocação rasca e foleira da parte de Suas Altas Iminências Velocipédicas – a tentação está por todo o lado.

No dia seguinte o casal velopata passeava na capital farense do capitalismo, o Fórum Allgarve, quando a Srª Velopata pediu uma pit-stop numa esplanada para o casal apreciar um belo café expresso.

“Que pivete. Que fedor.” – reclamou um desaustinado Velopata.

“O que é que foi agora?” – questionou a Srª Velopata.

“Ué Uá Ué Ué.” – disse ainda o Velopatazinho encolhido no seu ovinho.

“A pestilência que vai para aqui com esta gente toda a fumar! Que nojo! Devia ser proibido fumar!”

A Srª Velopata lançou um olhar crivado de farpas que quase tornou as suas seguintes palavras desnecessárias;

“Isto não vai ser fácil para nenhum dos dois. Se já parecias um Velho do Restelo agora sem tabaco ainda estás pior. E durante os próximos tempos não vai melhorar.”

 

Abraços velocipédicos,

Velopata

2 comentários sobre “Tabaco e Aguardente transformam o são em doente

  1. Se estiveres realmente motivado nao custa assim tanto quanto dizem. Eu ja la vao 10 anos. Uma das coisas que me ajudou inicialmente foi tornar-me um pouco mais eremita, evitar aqueles espacos onde se sabe que o pessoal fuma e bem. Outra coisa que ajudou foi substituir o tabaco por um cha diferente do normal, desde darjeeling ao raio que por la se cozinha nas Indias. Finalmente, Inglaterra ajuda e muito porque e praticamente proibido fumar onde quer que seja, por isso a tentacao foi menor. Hoje em dia o tabaco nao me faz sentido nenhum e vejo-o francamente como uma fraqueza; mas la esta, moralismos a parte e uma fraqueza que no seu tempo fez todo o sentido. Mas assim como os corpos amadurecem, tambem as pessoas e a necessidade de cada qual cuidar do seu avatar.

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