Bambis, Caracóis e Crocodilos – o épico (e gelado), final de uma aventura ao Alqueva

Das várias aventuras que o Velopata já fez, um pormenor ocorre que merece ser destacado. A verdade é que até se chegar ao destino a viagem é sempre feita a ritmo confortável e a cavaqueira vai fluindo. Passado esse objectivo, neste caso o Alqueva, rapidamente o sentimento de ciclista ressabiado toma conta da malta e não sobra espaço para paisagens ou conversa. É full gas power throttle aero chrono carbon até casa. Sempre foi e, o Velopata deduz, sempre será.

O dueto deixou o Alqueva para trás seguindo em direção a Moura que parece ser uma bela aldeia-vila-cidade-coiso salvo, como o Velopata deduziu (e muito bem, como o querido leitor verá), a existência de um ou outro habitante que parecem partilhar a admiração fascizóide do Falso Lento.

“Olha lá aquela placa.” – apontou o Velopata.

“Qual placa?” – questionou um Falso Lento esbaforido durante a longa subida que se iniciou à entrada de Moura.

“O nome do hotel.”

“Que tem o nome do hotel?” – com certeza o Falso Lento tinha o cérebro toldado pela dor de pernas que a subida instigava e não chegando ao raciocínio completo, necessitava uma ajudinha.

“Hotel Santa Comba Dão. Epá, é que parece que aquele hotel foi feito mesmo para ti. Tem o nome da terra onde nasceu o teu herói.” – um ataque em cadência do Velopata.

“Mas o homem lá fez mal a alguém para estares a falar assim?”

“Não pá, o gajo era um fofinho com as PIDEs e os Tarrafais. Especialmente o Tarrafal, essa bela colónia de férias.”

“Mas tu sabes quem é que eles enfiavam no Tarrafal?”

“Os inimigos do Estado? Que era basicamente toda a gente que opinasse de maneira diferente do gajo?”

“Não pá, eles enfiavam lá os comunas como tu. E pior, nem refeições vegetariano-maradas como as que tu fazes tinham. Assim davam educação à malta e faziam deles uns homens.”

“O Velopata só tem uma coisa para te dizer… Sorte teve o povo português que naquela época os suecos não faziam cadeiras.”

“Hã? O que é que os suecos têm a ver?” – definitivamente o habitual raciocínio sagaz do Falso Lento estava atordodado pela dura subida que o dueto enfrentava.

“Se os suecos já fizessem cadeiras na época, o gajo não se tinha esbardalhado e enfiado o focinho no chão. Provavelmente a esta hora pedalava tudo em Órbitas, que seriam as únicas bicicletas disponíveis no país.”

“Isso é que era apoiar a indústria portuguesa, achas que isso seria mau?”

“Ele não sabe. Mas saber que a Estrela Vermelha poderia pedalar por aí sem ser nas mãos dele… Ai, que até se lhe arrepiam os pêlos, se os tivesse. Além de que ele nunca teve uma Órbita.”

“A mim é que me saltam as órbitas dos olhos se esta subida ainda demorar muito mais.”

Em resposta ao Falso Lento, suas Altas Iminências Velocipédicas tinham ainda uma surpresa reservada ao dueto; o final da subida, na sua zona mais inclinada, era em sempre simpático pavê.

Deixaram Moura para trás, regressando às belas estradas alentejanas ladeadas por planícies que se presenteavam agora em tonalidades acobreadas com o magnânime pôr do sol. Em silêncio e concentrados na árdua tarefa de regressar ao conforto do lar, o dueto seguia por entre pequenos topos, curtas descidas e retas que pareciam não ter fim, sendo o som do rolar dos pneus sobre o alcatrão apenas cortado pelas ocasionais resmungadelas do Falso Lento, cada vez que o dueto atravessava uma ponte, um braço de rio ou mesmo um pequeno charco;

“Sabes, não gosto nada de rios!” – resmungou o Falso Lento.

“Mas o que é que tu tens contra os rios? Isso é alguma cena de facho?”

“Não pá! É sinal que vem aí subida!” – ripostou. Não tendo respondido à directa provocação do Velopata, isso significava uma só coisa. Fome. Ou cansaço. Ou ambas as duas.

“Ah, pois. Olha, mantém-te é longa da berma, não vá vir daí um crocodilo esfomeado.” – avisou o Velopata.

“Mas lá vens tu com a história dos crocodilos pá.”

“Não acreditas? Olha ali aquela placa.”

O Velopata apontou na direção da placa indicativa da praia fluvial do Pedrogão que, em garrafais letras, avisava a população da interdição de banhoca.

“O que é que tem a placa?” – questionou o Falso Lento.

“Então, porque razão achas que não se pode dar banho ali?”

O Falso Lento não respondeu. Com toda a razão pois o dueto iniciava uma subida que se apresentava longa, nem sinal do seu término se conseguia vislumbrar no horizonte.

Devorando quilómetros o dueto chegou a Pedrogão onde, fruto das elevadas temperaturas que ainda se faziam sentir, a decisão foi unânime; parar para repôr águas nos bidons em antes da última paragem prevista que seria a 150 quilómetros do lar, em Beja.

Poderia ser Lost in space ou mesmo Lost in translation de alentejano para português, mas a verdade é que o dueto deu por si perdido nessa curiosa aldeia-vila-coiso de 1059 habitantes que é o Pedrogão. Como raios poderiam caber 1059 seres humanos em meia dúzia de casas que rodeiam uma rua central, pavimentada no bom do velho pavê, pois claro, é que era obra. Seguindo pelo pavê, mesmo sob protesto velopatóide, o dueto lá encontrou a esplanada central de Pedrogão, onde parecia estar reunida a maioria da população.

“Então vêm de onde?” – questionou um simpático compadre de garrafais lentes e dentes que se assemelhavam a pedaços de vidro no topo de um muro.

“Faro do Algarve” – respondeu um Velopata que saciava a sua sede com uma fresquíssima cola.

“Eh lá, isso é muita fruta! Vossemeçês são profissionais?” – questionou um outro, mais experiente nessa grande pedalada que é a vida.

“Somos profissionais da parvoíce! Os profissionais não são parvos ao ponto de se porem a fazer quatrocentos quilómetros como nós vamos fazer hoje.” – rematou o Falso Lento, obtendo gargalhada geral da plateia.

Sacaram-se mais uns dedos de conversa com os compadres pedrogãoenses tendo o dueto ficado a saber que o compadre dos óculos fundo de garrafa e cremalheira desgastada era amigo de um primo do tio do sobrinho do enteado do Zé Dias, esse mítico local de diversão noturna serrana. Sentindo o pulmão a colapsar por falta de nicotina, o Velopata optou por fumar um cigarrito durante a pausa.

“Ó amigo, eu tou a vê-lo.” – disparou o compadre mais experiente.

“Desculpe, como?” – o Velopata foi apanhado de surpresa.

“Eu tou a vê-lo. Quatrocentos quilómetros de bicicleta e ainda fuma um cigarrinho… Vossemeçê é cheio de ginástica!”

Nova gargalhada geral, desta vez acompanhada pelo próprio Velopata e Falso Lento.

Com ideia de chegar a Beja perto da hora de jantar o dueto despediu-se dos compadres pedrogãozenses e lançou-se novamente ao pavê, com os habituais votos de boa viagem e a sempre bem-vinda indicação de que Beja ficava, na realidade, “já alêm”.

Nos poucos quilómetros que separavam Pedrogão de Selmes, o dueto foi surpreendido por um vento frontal deveras chato que se alevantou. Sabendo que o Falso Lento poderia quebrar a qualquer momento o Velopata passou grande parte do tempo na frente para o proteger. Chegaram assim a Selmes onde, para seu espanto, perceberam que a estrada onde vinham era, na realidade, a estrada que os senhores das Estradas de Portugal desconheciam.

Agora sem dúvidas quanto ao caminho de retorno, o Velopata continuou a trabalhar afincadamente na frente; alcatrão e quilómetros esfumaram-se e rapidamente o dueto regressou à circular de Beja onde, passsando novamente São Matias, foi brindado com um fofinho vento lateral que, aliado à larica que começava a tomar conta das operações, tornou aqueles últimos quilómetros um verdadeiro suplício. Suplício esse que parecia aumentar a cada pedalada dado que Beja se assemelhava a um ponto imóvel no horizonte. E claro, onde há circulares, há enlatados.

Uma razia daquelas.

Outra.

“Epá, mas está tudo parvo ou quê?” – berrou um Velopata irritado após as várias razias dos muitos enlatados que deveriam regressar a Beja após um dia passado a passear fechados no interior das suas latas como conservas fora de prazo.

“Vem mas é para a berma!” – berrou de volta o Falso Lento.

“A berma está cheia de pedrinhas, pedras e pedróides. Um gaijo ainda fura.” – explicou o Velopata.

“Preferes furar ou levar uma cacetada?”

“O Velopata também paga impostos! Tem tanto direito à estrada como esta facharia enlatada!”

“Pois, mas antes um facho vivo que um comuna morto!”

Uma última subida muito leve, três ou quatro rotundas e o dueto chegaria à tão almejada Beja. Ou não, aquela subida leve começava realmente a pesar nas pernas de tão interminável que se apresentava.

“Ei!” – berrou o Velopata na direcção da roda traseira onde o Falso Lento se agarrava qual craca velocipédica.

“Diz.”

“Sempre se come aqui qualquer coisa?”

“Yá, vamos ao McDonald´s!”

O Velopata não respondeu, limitou-se a olhar para trás onde foi brindado com um dos sorrisos mais rasgados e sarcásticos que alguma vez viu. Mais um esforço pois a subida cada vez mais aparentava ser um mini Evereste devido ao vento que pairava no ar e no interior estomacal.

“Outra vez essa conversa dos exploradores do proletariado?” – continuou o Velopata.

“Tens duas hipóteses; ou vamos ao McDonald´s ou procuramos um restaurante que já me falaram que é muito bom, o Pulo do Lobo ou lá o que é.”

“Num restaurante vai-se perder uma data de tempo.” – explicou o Velopata, sentindo as entranhas retorcerem-se ante a visão de ser forçado a enganar cérebro e estômago com um produto que se assemelha a comida.

“Nem é tarde, nem é cedo. McDonald´s com eles!”

“Facho herege, nem as memórias dos Capitães de Abril tu respeitas.”

“Antes um facho herege de barriga cheia que um comuna vegeta ressabiado e empenado com o estômago vazio. ”

Minutos depois já Velopata e Falso Lento se alambazavam com os respetivos menus; o lambão do Falso Lento optou por dois Big Maccoiso enquanto o Velopata se ficou por um Mcvegeta. E aqui o Velopata tem de torcer a afiada língua e dar uma palavra de apreço aos cientistas do McDonald´s (aquilo com certeza não é elaborado por cozinheiros), pois o Mcvegeta até nem era assim tão mau, apesar do cheiro e sabor serem idênticos aos restantes menus carnívoros apresentados pelo “restaurante”.

Terminada a sua suposta refeição, o Velopata afastou-se da esplanada para calmamente fumar aquele cigarrito.

Foi por esta altura que sentiu o que seriam as notas dominantes dos 150 quilómetros que faltavam ainda percorrer.

Vento.

Frio.

Um frio do cacete.

De Beja a Ervidel, onde o dueto regressou à mítica EN2, foi um tiro. Sempre a trabalhar na frente o Velopata manteve um ritmo confortável permitindo ao Falso Lento escapar do omnipresente empeno que se adivinhava a qualquer momento.

A escassos quilómetros de iniciar a descida para Aljustrel o Velopata ouviu o Falso Lento berrar atrás de si;

“Epá, não dá mais!”

“Uai, o que é que se passa?” – berrou de volta o Velopata. Verdade seja dita, se de dia o dueto berrava constantemente como modus operandi comunicativo, dir-se-ia que o breu noturno torna a audição pior.

“Cãimbras no pé! Não estou a conseguir pedalar como deve ser.”

“Para-se aqui em Aljustrel então, tem ali uma bomba onde trabalha uma simpática moça que da última vez que o Velopata por aqui andou até lhe ofereceu cigarros!”

“Escreves-te isso no blog?” – questionou o Falso Lento.

“Sim, foi aquando da aventura dele a solo até Évora. Porquê?”

“Por nada. Isso é realmente um facto importante que merece ser partilhado com os fãs. Isso e aquele local onde paráste para fazer xixi na berma da estrada.”

“Ah, sim. Isso é lá mais à frente.” – inocentemente o Velopata olhou para o Falso Lento. Mesmo na escuridão da EN2 o sarcasmo era bem visível naquela face já cansada.

Desta vez a moça da bomba era outra mas como Velopata precavido vale por dois, numa das bolsas que ele tanto gosta de usar aquando das longas distâncias encontrava-se um maço de tabaco ainda bastante carregado e não foi necessário o Velopata armar-se em SG Velopatacravas.

Enquanto o Falso Lento se descalçava e fazia murchar as poucas plantas existentes no interior da estação de serviço, qual ataque químico que até o Saddam choraria se visse (ou sentisse), o Velopata seguiu até ao exterior utilizando a desculpa de fumar um cigarrito.

Dois mini-compadres de 6 e 11 anos, que o Velopata veio posteriormente descobrir serem filhos da moça da estação de serviço, admiravam embasbacadamente a Estrela Vermelha e La Cabra, que descansavam encostadas à parede. Quando o Velopata saíu para o exterior a atenção de ambos desviou-se momentameamente para aquele deus do Olimpo, uma espécie de super-homem dos tempos modernos, também em licra mas sem as cuecas vestidas por cima dos calções e fingindo não lhes prestar atenção, o Velopata ouviu a seguinte conversa;

“De qual é que tu gostas mais?” – questionou o mais velho.

“Daquela.” . respondeu o mais novo, apontando na direção da Estrela Vermelha.

“Porquê?” – questionou novamente o mais velho.

“Porque é vermelha. E tem uma câmera.”

“Pois eu gosto mais desta.” – o mais velho estava apaixonado por La Cabra.

“Porquê?” – repetiu o mais novo.

“Não sei mas… Tem ar de ser mais prática.”

Muita força teve o Velopata de fazer para conter o iminente ataque de riso. Uma Pinarello Fcoiso mais bonita que a Estrela Vermelha por ter um aspecto mais prático. Sem dúvida, aquele mini-compadre mais novo era também um puto cheio de ginástica que numa só frase consegui enviar por água abaixo a teoria do aerocoiso, vertical stiffness e laterally compliant. Regressando ao interior para verificar a integridade do xispe do Falso Lento e a respirabilidade do ar o Velopata concluiu que estava na hora de se fazerem à que seria a recta final da aventura, percorrer os quilómetros que separavam Aljustrel do conforto do lar numa só tirada.

Claro que os planos, regra geral, saem sempre furados como pneus velhos.

Acometido por uma insidiosa larica e um frio que se entranhava por todos os poros, o Velopata implorou ao Falso Lento por uma última paragem em Almodôvar. Apesar dos protestos o Falso Lento acordou mediante a resolução de um piqueno problema; não existia um tasco, bomba ou estação de serviço aberta.

Auxiliados por um moço que fechava o que deveria ser o último tasco, Velopata e Falso Lento lá descobriram um Grab n´Go onde puderam aquecer mediante um belo chocolate quente acompanhado de donuts e sandes de queijo. A 75 quilómetros de casa aquele fuel deveria ser suficiente para atravessar a serra do Caldeirão que seria a última dificuldade do dia, com excepção do frio polar que se fazia sentir. Alguma sorte bafejou o dueto pois, pelo menos, o vento tinha amainado.

Com tudo fechado em Almodôvar o dueto fez questão de parar no meio do mato,pouco depois de sair de Almodôvar, de modo a cumprir outra das famosas regras portuguesas; onde micta um português, mictam dois ou três.

“Não me digas que também vais pôr isto no blog?” – questionou o Falso Lento enquanto reduzia o seu nível hídrico com todo o cuidado devido ao pouco vento que se fazia sentir.

“É óbvio. Esta é informação é deveras importante e os fãs têm o direito de saber quais os melhores locais para se mictar durante uma pedalada.”

“Sim. E este local é bom, abrigado do vento e tal.”

“Claro. E mais importante ainda, não tem por aqui crocodilos que possam cravar os dentes no abono de família.”

“Olha que com o frio que está bem podiam cravar os dentes que iam morrer de fome.”

“Fala por ti. Não te esqueças que o pai do Velopata nasceu em África.”

Lançando-se ao asfalto noturno, Velopata e Falso Lento atravessaram a última dificuldade do dia de modos bem distintos. Se por um lado o Falso Lento regozijava ante a cumprida tarefa de bater o seu recorde de maior quilometragem pedalada numa só tirada, o Velopata não fazia senão protestar com o frio por entre os dentes que batiam que nem castanholas.

“Epá, parece que já vejo o miradouro do Caldeirão ali á frente. A partir daí é sempre a abrir e a descer até casa!” – disparou o Falso Lento.

“Pois para ele poderia muito bem ser sempre a subir até casa.”

“Qual quê? A subir?” – questionou o Falso Lento.

“Pois pá, o frio está a dar cabo dele. A subir ´tá-se bem mas cada vez que se faz uma descida é como se estivesse a pedalar no Pólo Norte. Ou Pólo Sul. O que for mais frio.”

“Sabes qual é o problema?”

“Pouca roupa? Escolhas de indumentária velocipédica à jerico?” – na realidade, logo aquando da saída de casa o Velopata pensou trazer pouca licra para enfrentar as agruras da noturna serra algarvia.

“Somali. O teu problema é pareceres um somali com essa alimentação toda vegeto-marada que fazes.”

“E comuna, não te esqueças do comuna.”

“Claro, pois um facho não sente assim.”

“De acordo. A facharia não tem sentimentos.”

Uma última e longa descida separava o dueto do regresso a casa. Sentido a hipotermia instalar-se em todos os recantos do seu lindo corpo, ainda assim o cérebro congelado do Velopata conseguiu formular uma última ideia;

“Olha, podes fazer-lhe um grande favor?” – pediu o Velopata.

“Diz.”

“Ele vai até tua casa em São Brás e emprestas-lhe um casaco de inverno? Não precisa de ser nada aerocoiso só bem quentinho porque ele já começa a parecer um mix de epilético com parkinson de tanto tremer.”

“Sabes, vocês comunas às vezes, mas só mesmo muito raramente, têm boas ideias. Claro que empresto.”

E foi assim que o Falso Lento salvou a vida do Velopata e permitiu que o regresso a casa fosse feito novamente motivado a voar sobre o alcatrão. Mesmo vestido com um Gore Tex coiso que se assemelhava a um gigantesco saco de batatas cobrindo o bonito corpo somali do Velopata, os 15 quilómetros que o separavam do quentinho do lar rapidamente se esfumaram.

A Srª Velopata jazia já no sofá em pleno ronco prenhológico quando o Velopata fechou a porta atrás de si. Estremunhada olhou para o Velopata e lançou um ataque em sprint;

“Mas isto é que são horas?”

“Desculpa. Parou-se mais vezes do que era necessário. E já sabes que quando vai o Falso Lento chega-se sempre mais tarde.”

“Não ponhas as culpas das tuas parvoíces nos teus amigos. Afinal onde é que foram?”

“Ao Alqueva. Quatrocentos e trinta quilómetros de estalo!” – rematou o Velopata todo orgulhoso.

“É giro?”

“É sim, tem paisagens muito bonitas e estradas boas. Só é pena uma coisa.”

“O quê?”

“Tem de se ter cuidado com os crocodilos.”

 

Abraços velocipédicos,

Velopata

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