Electrotécnicocoiso

O Velopata deambulava pela internet, um dos raros momentos de descanso entre alimentar a Gata Gorda, encher de mimo a Cadela Descontrolada ou atender as necessidades psicofisioprenhológicas da Srª Velopata.

Deparou-se então com um artigo, num dos inúmeros sítios que pululam pela internet sobre bicicletas e derivados, onde se explicavam não-sei-quantas-mil-razões para mudar dos já considerados obsoletos sistemas de mudanças mecânicos para sistemas electrotécnicocoisos.

Calma, leitor civil, o Velopata explica.

Até há bem pouco tempo os sistemas de mudanças das bicicletas (tipo ficar mais fácil ou mais difícil pedalar), funcionavam por um sistema de cabos, roldanas, parafusos, porcas e coiso que, de acordo com os esticões no cabo principal permitiam que a coisa funcionasse às mil maravilhas. Simples parece à primeira vista mas é impressionante a tecnologia de ponta que permite que um simples esticão em um cabo proporcione tantas horas de prazer e felicidade (não sejam badalhocos que podem estar crianças a ler).

Eis que o líder americano no fabrico de sistemas de mudanças se lembrou de inventar então um sistema electrotécnicocoiso todo bonito, bateria acoplada e tudo, onde diz que as mudanças funcionam de um modo mais suave.

E que sobem e descem com uma tremenda suavidade.

E que são transições suaves.

Aquilo diz que é suave em monte.

Não fossem as fábricas desta referida marca estarem localizadas na terra da amiga do peito Merkl e o próprio nome da marca lembrar a onomatopeia de algo que se parte proferido em alemão e o Velopata não hesitava mas a verdade é que os japoneses são uma espécie de elfos da Terra Média só que no nosso planeta e tudo onde metem as mãos vira forma de arte. Ponto final parágrafo.

Como é óbvio, japoneses e também italianos (mas estes sabem é fazer quadros, deixem-se de componentes), seguiram a moda e já produzem o seu próprio sistema electrónico de mudanças. Com uaifaidenteazulfull aerocarbono e tudo. Medidores de potência e pilhas não incluídas, motor vendido à parte.

grupomecanico
Clássico, lindo e intemporal. Simplicidade com toda a tecnologia num clássico grupo Ultegra feito por elfos no Japão nos intervalos dos terremotos e tsunamis.

 

grupoelectrocoiso
Credo?!?! É preciso tanta tralha para pedalar com um sistema electrotécnicocoiso? Ok, deve ser tudo em carbono, daquele que é 100% carbono mesmo só carbono, full aerocarbono.

A verdade é que estas merdas irritam o Velopata.

Primeiro porque é teso.

Depois porque o preço deste conjunto electrotécnicocoiso é um assalto a uma carrinha de transporte de valores, o que até está na moda.

Terceiro; aquilo realmente servirá a gajos cujo maior feito velocipédico será talvez… Pedir as imperiais no tasco por ter chegado em primeiro a nenhures na serra?

Mas claro que a indústria nos inunda de razões para que façamos pequenos empréstimos e se obrigue a família a comer pão e conservas todo o mês para que troquemos os nossos sempre fiáveis grupos mecânicos (nomenclatura técnica para sistemas de mudanças), por grupos electrotécnicocoiso porque diz que as mudanças são mais suaves. E silenciosas. Se bem que a primeira vez que o Velopata ouviu um grupo electrotécnicocoiso a trabalhar riu a largas e sonoras gargalhadas pois as transições entre mudanças produziam um som semelhante ao fecho da tampa da Bimby da Srª Velopata. É que nem a Cadela Descontrolada confia neste som, assim que o ouve corre logo na direção da referida Bimby para ladrar em protesto.

É como dizer que o Velopata seria um grande jogador da bola bastando para isso calçar as chuteiras do melhor do mundo, seja lá ele o do agrado do leitor. Que todos sabemos ser o Peter Sagan mas ainda em cria enveredou por um desporto deveras superior.

Se os sistemas electrotécnicocoisos são melhores?

Porra, de certeza que são, caso contrário não os veríamos por todo o lado no World Tour.

Mas a juntar ao uaifaidenteazul, medidores de potência, frequência cardíaca e cadência, um dia destes um gajo ainda vem a descobrir que a bicicleta serve é para pedalar.

Além de que fica foleiro abortar uma group ride alegando ficar sem bateria na bicicleta. É que até escrito soa mal.

 

Abraços velocipédicos,

Velopata

Um comentário sobre “Electrotécnicocoiso

  1. Pingback: Porque às vezes há mais que pedalar nessas estradas de peito ao vento e focinho ao sol sofrendo serra acima – Blog do Velopata

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